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Review: Legacy of Kain: Ascendance

Será que o retorno a Nosgoth vale a pena?

Vamos combinar uma coisa: falar de Legacy of Kain hoje em dia é quase um exercício de nostalgia regado a frustração. Quem viveu a época do PS1 e PS2 sabe o que eu tô dizendo. Blood Omen, Soul Reaver, Defiance… essa franquia sempre foi aquela joia meio irregular, cheia de altos e baixos, mas com uma base de fãs que nunca deixou a chama apagar. Agora chega Legacy of Kain: Ascendance, um jogo que apareceu com um anúncio de última hora e prometeu revisitar esse universo de um jeito novo. Sim ou não? Bom, senta aí que vou destrinchar essa parada.

Grágficos – pixel art de respeito e cutscenes nostálgicas

Visualmente, Legacy of Kain: Ascendance acerta em cheio em algumas frentes e escorrega em outras – mas no geral, o saldo é positivo. O jogo aposta num estilo retro side-scroller, puxando forte pros Castlevanias clássicos (aqueles anteriores ao Symphony of the Night, pra ser exato). A pixel art é caprichadíssima. Dá pra ver que os devs colocaram carinho na recriação dos personagens, inimigos e locais de Nosgoth nesse formato 2D. Cada cenário respira aquele clima sombrio que a série sempre teve, mesmo com a limitação técnica do estilo.

Agora, um ponto que me pegou de surpresa foram as cutscenes em 3D. Elas vêm com um visual que mistura o charme meio tosco do PS1 com a polidez inicial do PS2 – e sinceramente? Ficaram sensacionais. Talvez sejam meus momentos favoritos do jogo inteiro. Os sprites desenhados à mão nas outras cenas de diálogo não são ruins (tem gente que reclama, mas eu não vejo tanto problema assim), mas aquelas cutscenes tridimensionais trazem uma imersão cinematográfica que faz falta no resto da experiência. Queria que tivessem usado mais.

Som e voz – o elenco original ainda manda ver

Se tem uma coisa que a série Legacy of Kain nunca deixou a desejar foi na dublagem. E Ascendance mantém essa tradição. O elenco original voltou e continua afiado – sim, Michael Bell já tá com a idade no corpo e isso se nota na voz, mas a atuação continua impecável. O que me impressionou foi a inclusão de Elsie Lovelock ao lado desses veteranos. Ela não destoa, entregando um trabalho surpreendentemente competente que sustenta o peso das cenas. Pra uma personagem nova, é um baita acerto.

A trilha sonora, porém, é um capítulo a parte e não exatamente no bom sentido. O jogo aposta num estilo épico orquestral puxado pro rock, com guitarras e bateria o tempo inteiro. Olha… não me desce muito bem. Legacy of Kain sempre teve uma atmosfera melancólica, soturna, quase lúgubre – e essas trilhas parecem mais um “Epic Rock Cover” de YouTube do que algo que combina com a alma de Nosgoth. Não é ruim tecnicamente, mas é esquecível e, pior, destoa do tom que a franquia construiu por anos. Parece coisa de fã, não de profissional.

Jogabilidade – plataforma sólida, mas com umas irritações

Vamos ser sinceros: eu sou terrível em plataformas. Joguei no fácil (modo “Story”) porque sabia que ia sofrer menos, então meu julgamento aqui pode ter um viés. Dito isso, vou tentar ser técnico.

O sistema de combate é funcional, mas raso. Você tem um ataque simples, um dash invencível e um parry que são universais pra todos os personagens. Tem uns diferenciais tipo chute aéreo pra Elaleth e pro Raziel depois que ele ganha as asas. É satisfatório o bastante pra não te fazer odiar o jogo, mas não espere profundidade de um Devil May Cry. O problema maior vem do level design. As seções com água são um pesadelo – se UM PIXEL do seu personagem encosta na água, é morte instantânea. Você tenta desviar, mas os cenários às vezes parecem feitos pra te ferrar de propósito. E as tochas? Não dá pra quebrar aquelas porcarias. Ficam lá como hazard constante mesmo quando seu personagem deveria simplesmente… pular de outro ângulo? Faz sentido num mundo 2D limitado, mas quando você pensa que aquilo existe num espaço tridimensional, a frustração aparece.

Outro ponto: a IA inimiga tem o hobby de se jogar pra longe de você, seja pra uma área chata de lutar ou direto pra morte. Isso tira desafio, mas adiciona uma camada de irritação. Ah, e sua vida drena constantemente, o que significa que cada dano que você toma reduz ainda mais seu tempo até o próximo checkpoint. Se for jogar, recomendo uma dificuldade acima do normal – os inimigos e chefes não vão te testar tanto quanto a plataforma.

História – respeitosa, mas com um começo travado

Vamos ao que interessa pra galera antiga. Legacy of Kain: Ascendance não quebra as regras do universo. As leis de viagem no tempo continuam as mesmas, não inventaram moda. E isso já é meio ponto positivo. A trama adapta o quadrinho que foi lançado antes, e confesso que achei corajoso os devs não terem feito uma reescrita completa pra agradar os fãs mais barulhentos. Eles tentaram melhorar o que já existia sem jogar tudo fora.

O problema é o início. O primeiro capítulo ou dois tem uns diálogos que chegam a dar vergonha alheia – parece que tão tentando te jogar na ação ao mesmo tempo que explicam as coisas pra quem não leu a HQ. É uma tentativa válida (afinal, a maioria não leu mesmo), mas fica forçado. Depois que engrena, melhora. O elenco antigo tem falas muito boas, e tem uns momentos pontuais que até expandem a linha do tempo principal de maneiras interessantes.

Sobre Elaleth, já que isso tá dando o que falar. Ela não é uma Mary Sue no sentido clássico. A história constantemente lembra ela do quanto é ingênua, que tá mexendo com coisas muito maiores que ela. Ela perde mais do que ganha. O problema é que a inclusão dela é meio desajeitada num universo que já era complicado por si só. Funciona? Mais ou menos. É melhor que a Umah de Blood Omen 2? Com certeza. Dá pra melhorar nos próximos jogos? Tomara.

Duração – curto demais pro que cobra

Quatro horas. É isso. Legacy of Kain: Ascendance termina exatamente onde o quadrinho terminava, sem continuar a história. Parece mais um prólogo mastigável do que um jogo completo. Não me deu vontade de rejogar imediatamente, e olha que eu sou fã de carteirinha. Dá pra sentir que o orçamento não era gigante, mas ainda assim, quatro horas pro preço cheio é dose. Você não perde muito só vendo um playthrough no YouTube, infelizmente.

Conclusão – recomendo?

Olha, Legacy of Kain: Ascendance é um prato cheio pra quem sentia falta da franquia. A apresentação visual, o retorno do elenco original, o respeito à mitologia… tudo isso pesa positivamente. Mas os problemas são reais: jogabilidade com pequenas frustrações acumuladas, trilha sonora que não combina com a alma da série, duração pífia e um começo narrativo desengonçado.

Portanto, minha recomendação é condicional. Se você é fã de longa data e quer matar a saudade de Nosgoth, vai achar valor aqui – especialmente se encarar mais como uma experiência nostálgica do que um jogo completo. Agora se você nunca jogou nada da série ou espera um título que rivalize com os clássicos, segura a onda. Espero que os próximos jogos ouçam melhor o que os fãs antigos realmente querem, porque o potencial existe. Só falta trilhar esse caminho sem tropeçar nas próprias armaduras.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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