InícioReviewsReview: Moonlighter 2: The Endless Vault – Surpreendente, Fluido e com Alma

Review: Moonlighter 2: The Endless Vault – Surpreendente, Fluido e com Alma

Quando um jogo indie chega à sequência, o medo de repetir fórmulas ou de perder a essência original é real. Com Moonlighter 2: The Endless Vault, a Digital Sun decidiu arriscar – e, no geral, acertou a mão. O título ainda está em Early Access (EA), mas o que já foi entregue mostra um cuidado incomum para um estágio tão inicial. Vamos aos detalhes técnicos que definem essa experiência até agora.

GRÁFICOS E DIREÇÃO DE ARTE

A primeira grande mudança que salta aos olhos é a transição do pixel art para um visual 3D estilizado e colorido. Quem amava o charme retrô do primeiro Moonlighter pode torcer o nariz de início – confesso que eu também achei estranho nas primeiras horas. Porém, é impossível negar a qualidade do trabalho feito aqui. Os cenários são vibrantes, com uma paleta que lembra The Legend of Zelda: Wind Waker encontrado com Hades. Cada bioma do calabouço tem identidade própria, e os efeitos de luz – especialmente nas poções mágicas e nos baús amaldiçoados – são de encher os olhos.

Os modelos dos personagens são bem animados, com destaque para os movimentos do protagonista e para os ataques especiais das armas. A única ressalva fica por conta de alguns monstros que, em certos ângulos de câmera, perdem um pouco da definição. Nada que quebre a imersão, mas que mostra que ainda há ajustes finos a serem feitos. O interface também merece menção: tudo é limpo, organizado e intuitivo, algo raro em jogos com tanto sistema de gestão.

SONS E TRILHA SONORA

A parte auditiva é, neste momento, competente sem ser memorável. Os efeitos sonoros das armas, dos baús abrindo e dos golpes nos inimigos são satisfatórios e respondem bem às ações do jogador. O problema é que, em combates mais frenéticos com vários inimigos em tela, os sons se atropelam um pouco – dá pra perceber que o áudio prioriza certos eventos em detrimento de outros. A trilha de fundo é agradável, com temas que alternam entre momentos calmos na loja e batidas mais intensas nas masmorras. Não chega a grudar na cabeça como a de Dead Cells ou Crypt of the NecroDancer, mas cumpre bem seu papel de ambientar sem cansar.

JOGABILIDADE – O CORAÇÃO DO VAULT

Aqui é onde Moonlighter 2: The Endless Vault realmente brilha – e também escorrega um pouco. O loop central continua o mesmo: durante o dia você gerencia sua loja, vende itens coletados nas masmorras, e à noite (ou quando quiser) entra nos portais para enfrentar inimigos e pegar mais loot. A diferença é que agora tudo foi refinado.

O sistema de inventário continua sendo aquele quebra-cabeça viciante de encaixar itens de formatos diferentes, mas com uma adição genial: maldições temporárias e bênçãos que afetam diretamente o espaço da mochila. Você pode pegar um item amaldiçoado que ocupa três vezes mais espaço até sair do calabouço – aí a decisão de “levo ou não levo” fica realmente tensa. O sistema de “saque e fuga” (ou fatty extract, como um jogador chamou) é muito bem vindo: você não precisa matar tudo, pode recuar a qualquer momento e voltar com o que conquistou. Isso dá uma camada estratégia nova.

As armas agora têm habilidades ativas e passivas interessantes. Um dos destaques é o sistema que certas armas dão bônus de loot específico no dia – você pode escolher usar uma espada que aumenta drop de pergaminhos ou um arco que garante mais poções. Isso evita que o jogador fique preso a um único estilo de luta. O combate, no geral, é fluido, mas – e aqui vai uma crítica sentida – a resposta aos comandos pode ser estranhamente atrasada. Usei teclado, mouse e controle, e em todos houve momentos em que o personagem demorava a rolar ou a trocar de arma. Não é um input lag clássico, parece mais um problema de janela de animação. Torço para que corrijam até o lançamento final.

A variedade de eventos e construções dentro da cidade é outro ponto alto. Os mercadores vão aparecendo aos poucos, e cada um deles desbloqueia melhorias reais – não aquelas coisinhas inúteis que vemos em tantos roguelites. O balanceamento econômico ainda precisa de calibragem: o espaço inicial da loja é ridiculamente pequeno para a quantidade de tralha que você traz nas primeiras runs. Um jogador francês comentou algo parecido – falta um slot extra logo de cara.

HISTÓRIA (EM EARLY ACCESS)

Como o jogo ainda não está completo, avaliar a narrativa é complicado. O que existe até agora é promissor: a trama não é uma repetição do primeiro jogo. Você não é mais o Will, mas um novo aventureiro em uma cidade diferente, com conflitos que envolvem as próprias masmorras e a origem do “Vault Eterno”. Há pequenas cutscenes e diálogos com personagens que dão dicas de um lore mais profundo. Um jogador chinês destacou bem: é um “search, fight, extract” com propósito. Ainda assim, por estar em EA, a história claramente termina em um “continue daqui a pouco”. Se você busca um enredo fechado, melhor esperar a 1.0.

CONCLUSÃO – RECOMENDO?

Sim, mas com ressalvas. Moonlighter 2: The Endless Vault já entrega uma base sólida, divertida e claramente feita com carinho. A arte é linda, a jogabilidade tem camadas de estratégia que viciaram até quem rejogou o original três vezes (como eu), e as pequenas inovações – como o sistema de maldições e o bônus de arma por dia – mostram que os desenvolvedores ouviram a comunidade. Por outro lado, o combate ainda precisa de polimento na resposta dos comandos, a trilha sonora não impressiona e a falta de um “modo expert” (como outro jogador pediu) deixa a dificuldade um pouco baixa para os veteranos. Perder só metade do valor do equipamento não assusta quem já zerou o primeiro jogo no máximo.

Se você é fã de Moonlighter, de Dave the Diver (a comparação com o “fishing plus store management” é certeira) ou de roguelites com gestão, pode comprar agora sem medo. O jogo é perfeitamente jogável, com pouquíssimos bugs – apenas um monstro preso no ar em mais de oito horas de teste. Agora, se você é do tipo que não tolera histórias incompletas, ou que fica frustrado com pequenos atrasos nos comandos, aguarde a versão final. A promessa é grande e o chão já é firme. Recomendo, sim, mas com o pé no chão de que é um Early Access de qualidade – não um produto acabado. E quando sair o suporte para mais idiomas (como o turco e o português), aí sim, será um jogaço completo.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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