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Review: Island of Hearts – Beleza Tropical e Altos e Baixos

Vamos combinar que o mercado de jogos com atores reais (FMV, pra quem é íntimo) tem seus dias de glória e suas sombras. Mas de uns tempos pra cá, o negócio ressurgiu com força, especialmente nesse nicho de simulação de romance. Foi com um pé atrás e outro na curiosidade que eu encarei Island of Hearts, título da galera de Singapura que promete uma experiência tropical de paquera e mistério. Spoiler: é uma montanha russa de qualidade, mas com alguns acertos que merecem destaque. O texto de base usado pra essa análise veio direto da comunidade, misturando opnião de jogador com observações mais técnicas.

Gráficos e Direção de Arte: O Carisma da Carne e Osso

Vamos começar pelo mais óbvio: Island of Hearts é um jogo em primeira pessoa gravado com atores reais. Aqui, os “gráficos” são, na verdade, a qualidade da filmagem, a direção de fotografia e, claro, o elenco. E nesse quesito, o jogo acerta em cheio num ponto e tropeça em outros. A primeira coisa que salta aos olhos (e que todo mundo nos comentários menciona) é a qualidade do elenco feminino. Não é exagero: as seis protagonistas – mais a ex-namorada – são, no mínimo, muito bem escolhidas. Cada uma tem um estilo e uma presença de câmera que funciona.

Tem a Mia, com aquele sorriso vibrante e cabelo preto liso que gruda na memória; a Gabby, que mesmo com um roteiro meio fraco tem o charme dos aparelhos nos dentes e uns olhos que brilham de um jeito único; a Sofia, que é doida e meio mal educada (sim, “mean”), mas justamente por isso acaba sendo engraçada e atraente – tem um apelo meio “tsundere” que o público ocidental abraça. A Lily então… bom, a Lily é aquele tipo “mocinha traumatizada” que o pessoal ama. A atriz tem uma pinta de pureza com aquele corpão, e a cena do “final ruim” dela é, segundo os fãs, “sinistra” mas eficiente. A Olivia é a mais estranha: não dá pra dizer se é bom ou ruim, mas é bonita e cria uma atmosfera de suspense. Até a Emily, que tem um passado como criadora de conteúdo adulto (sim, OF), é inserida de um jeito que, convenhamos, adiciona uma camada de “realismo” meio trash que acaba sendo parte da graça.

O problema mora na execução técnica. A tradução para o chinês (e legendas em geral) é terrível, aparentemente. Há relatos de legendas que somem, diálogos que não sincronizam com o movimento da boca e, pior, um problema crônico de dessincronização de áudio e vídeo. Quem já viu novelas tailandesas ou filmes da região vai sentir uma familiaridade: aquela sensação de que a dublagem (ou a captação de som direto) foi feita num estúdio separado e colada por cima. Isso quebra a imersão. O cenário, por outro lado, é um ponto altíssimo. As locações tropicais, com aquela vibe de férias e “exoticismo” do Sudeste Asiático, entregam o que prometem. Dá pra sentir o calor e a maresia, visualmente falando.

Som e Trilha: A Vibe Certa, a Execução Errada

A trilha sonora de fundo (BGM) é descrita como “grudentamente chiclete” e isso é um elogio. Ela cumpre o papel de manter o clima leve de comédia romântica tropical, mesmo quando a história tenta pesar a mão. O problema grave, de novo, é na qualidade da dublagem e mixagem de som. A localização pro inglês ou português (pra quem joga legendado) sofre com um tom robótico e artificial. É aquele tipo de entonação que parece que o ator tá lendo um manual de instruções, sem emoção. Junta isso com os bugs de legenda que somem e você tem uma receita pra frustração, principalmente em diálogos decisivos.

O efeito sonoro é básico, sem grandes destaques. Não espere imersão com passos na areia ou ondas quebrando de forma realista. O som aqui é utilitário: existe pra não deixar o negócio mudo. A vantagem, segundo alguns, é jogar com o áudio original em inglês (se disponível) e ignorar a dublagem local, que é fraca. A sensação é de que o time de som era pequeno ou teve pouco tempo de pós-produção. É aquele caso onde você percebe que o investimento maior foi nas atrizes e nas câmeras, não no estudio de mixagem.

Jogabilidade: Árvore de Decisões e Microgames Frustrantes

Aqui é onde o jogo mais mostra que é uma produção independente (ou de estúdio pequeno). Island of Hearts usa o sistema clássico de “faça escolhas e veja as consequências”. O problema é que a árvore de decisões é mal implementada. Pra mudar uma escolha, você precisa zerar o capítulo inteiro de novo. Não tem botão de voltar, não tem quick save bem feito. É um design arcaico que força replay desnecessário.

Outro ponto de crítica unânime são os microgames (minigames) . Eles são rápidos demais, com janelas de reação tão curtas que beiram o impossível na primeira tentativa. A UI (interface) é feia e cheia de bugs pequenos – botões que não respondem, textos que cortam. É quase como se o gameplay fosse um empecilho pra ver as cenas, e não uma parte divertida da experiência. Muitos jogadores relatam que a vontade é de usar um guia de escolhas só pra pular essa parte chata e ver os finais.

rejogabilidade, no entanto, é alta. Existem mais de 13 finais diferentes, e cada protagonista tem seus próprios caminhos. Mesmo que a jornada seja truncada e cheia de problemas técnicos, a curiosidade de ver “o que acontece se eu for rude com a Sofia” ou “se eu ajudar a Lily de outro jeito” mantém a tela ligada. É um jogo que recompensa quem tem paciência pra navegar pelas suas imperfeições.

História: A Ex-Namorada, o Amigo Trouxa e as Ilhas

O enredo é mais simples do que parece, mas carrega uma curiosidade. O protagonista (você) está na merda: perdeu o emprego, a namorada (Chloe) terminou com ele por conta do estresse e da vida. Então um amigo “bem intencionado” (leia-se: mala sem alça) te manda pra essa ilha misteriosa usando uma pedra em formato de coração. A premissa é clichê, mas funciona: o cara precisa se curar da fossa e, de quebra, conhece seis mulheres lindas.

O grande pecado da narrativa é o ritmo. Tudo é muito rápido. Um capítulo você mal conhece a Mia, no outro já tá tendo um momento íntimo com ela. Faltam cenas de “slice of life”, aquelas conversas bestas que criam química. O final, então, é criticado por ser apressado e vago. Muitas rotas não têm um “epílogo” ou um “after story” decente. Você termina o jogo com aquela sensação de “só isso?”. A cereja do bolo é a rota da Chloe (a ex). Sem dar spoilers, é um plot twist que tenta ser emocionante, mas a execução técnica – com problemas de som e edição – acaba transformando o momento dramático em algo meio sem graça.

Mas tem um porém: a história sobrevive pelo carisma das atrizes. Mesmo com diálogos toscos e legendas que somem, a presença física delas carrega a narrativa nas costas. A Gabby é mal escrita, mas a atriz tem um brilho nos olhos que te faz querer dar mais uma chance. A Sofia é grosseira, mas a forma como ela entrega as falas (mesmo com dublagem ruim) tem um certo charme de “vilã de novela das seis”.

Conclusão: Vale a Pena?

Olha, vamos ser diretos: Island of Hearts é um jogo profundamente imperfeito. Se você valoriza técnica apurada, sistemas redondos e dublagem impecável, passe longe. Os problemas de dessincronização, legendas que somem, jogabilidade travada e microgames injustos são sérios e atrapalham a experiência. O final é rushado e algumas rotas parecem incompletas.

PORÉM (e é um “porém” bem gritante), se o seu objetivo é puramente visual e você busca um passatempo descompromissado com um bocado de “fan service” bem produzido, o jogo entrega. A escolha de elenco é, nas palavras de um usuário, “hmmmmm, de altíssimo nível”. As sete mulheres (incluindo a ex) são, de fato, muito acima da média em beleza e presença. A vibe tropical de férias funciona como um antídoto pra jogos sérios demais.

Recomendo o jogo apenas pro público muito específico: fãs de FMV que toleram bugs e amam “caçar finais” com personagens carismáticos. Se você é do tipo que se frustra com legendas erradas ou minigame quebrado, melhor assistir um compilado das rotas no YouTube. O preço (assumindo que não seja salgado) é justificável apenas pelo trabalho de produção visual. Não espere uma obra-prima narrativa, espere uma revista de moda interativa com um roteiro de novela mexicana da madrugada. E, pra alguns, isso é exatamente o que eles querem. Agora, se a produtora lançar um patch pra corrigir esses bugs de áudio e legenda… aí a nota sobe dois pontos fácil.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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