InícioReviewsREVIEW: APHELION – Atmosfera Promissora, Mas Gameplay Tropeça nas Próprias Pernas

REVIEW: APHELION – Atmosfera Promissora, Mas Gameplay Tropeça nas Próprias Pernas

Uma análise sincera sobre os gráficos, som, jogabilidade e história do novo título da DON’T NOD

Você já sentiu aquela vontade de jogar algo que te transporte direto para Interestelar? Pois é, Aphelion prometia exatamente isso. E, em partes, entrega. Mas como um bom astronauta desorientado, o jogo dá passos firmes em alguns momentos e escorrega feio em outros. Vamos por partes, porque tem bastante coisa pra dissecar aqui.

Gráficos e Direção de Arte: Onde o Jogo Realmente Brilha

Começando pelo ponto mais forte: Aphelion é lindo. Não tem jeito, a equipe de design ambiental caprichou. O interior da base Nexus, por exemplo, tem uma iluminação que mistura o esterelizante do laboratório com o desconforto de um lugar que você não sabe se é um refúgio ou uma armadilha. E os cenários de neve? Meu amigo, é de tirar o fôlego. A sensação de vastidão e hostilidade congelante tá toda ali, naquelas texturas bem trabalhadas e nos efeitos de partícula que sobem das tempestades.

Mas calma lá, nem tudo são flores. As animações faciais dos personagens secundários deixam a desejar. Quando o foco é nos protagonistas, até que segura bem, mas qualquer NPC que aparece por cinco minutos já entrega a sensação de “orçamento esticado”. Nada que quebre a imersão total, mas você percebe. E olha que eu rodei o jogo num PC com configurações recomendadas, sem travamentos ou bugs gráficos pesados. A otimização, pra variar no mundo dos lançamentos atuais, veio decente.

Trilha Sonora e Design de Som: Acertos e Escorregões

Aqui a coisa fica interessante. Aphelion capricha na atmosfera sonora. Os ventos uivando nas planícies geladas, o rangido metálico das estruturas abandonadas, o silêncio incômodo das áreas internas… tudo isso funciona muito bem. A música, quando aparece, é daquelas que te puxam pra dentro da tela. Nota alta pro time de áudio nesse aspecto.

O problema mora nas vozes. Os dubladores principais até mandam bem na emoção. Mas o Thomas… ah, o Thomas. Alguém precisa dizer: aquele sotaque inglês é, no mínimo, distraínte. E olha que sou falante nativo de inglês, então não foi questão de compreensão, mas sim de artificialidade. Parece que o ator estava tentando soar britânico ao invés de simplesmente ser. A emoção tá lá, mas a naturalidade nem sempre.

Pior são os audiologs encontrados pelo cenário. Quando é um personagem falando sozinho, até que vai. Mas nos diálogos gravados entre dois atores… rapaz, parece que cada um gravou no seu estúdio, em dias diferentes, sem nunca terem se ouvido. As falas soam sobrepostas, sem química, como se estivessem conversando passando um pelo outro, não com o outro. Isso quebra um pouco aquela imersão que o jogo se esforça tanto pra construir.

Jogabilidade: Quando a Inspiração Vira Frustração

Vamos ser diretos: Aphelion bebeu muito da fonte dos jogos de ação-aventura genéricos de meados dos anos 2010. Sabe UnchartedTomb Raider? Então. A proposta é clara: escalada, ganchos, plataformas, seções de stealth e puzzles leves. E, no papel, funciona. Na prática, os controles são meio travados. Você aperta o botão pra pular e parece que tem um pequeno atraso, uma preguiça do personagem em responder. Nada que impeça de zerar, mas que irrita em momentos de precisão, isso irrita.

As seções de stealth então… é onde o jogo mais me decepcionou. Você fica mais lento (óbvio), e se errar um timing ou ser detectado pelo tal do “Nêmesis”, é tela de game over e reload no último checkpoint. Sem segunda chance, sem mecanica pra recuperar o erro, sem nada. Em pleno 2026, com tantos jogos que já resolveram isso de forma elegante (dando ao jogador uma janela pra consertar a cagada), Aphelion escolheu o caminho mais preguiçoso. Falta de pensar um pouquinho mais fora da caixa, sabe?

Um detalhe que me chamou atenção: a stamina da protagonista Ariana é infinita. Infinita. A bióloga espacial terrestre simplesmente não cansa. Isso por um lado facilita, mas por outro tira qualquer tensão das sequências de escalada. Você só aponta a direção, aperta o botão de pulo e vez ou outra um botão extra pra se pendurar. Ficou mais acessível? Sim. Ficou mais chato? Também. Compara com Jusant, jogo anterior da DON’T NOD que era praticamente  escalada e muito bem executado — a diferença é brutal. Parece que desaprenderam o que sabiam.

Outro ponto: as colisões são estranhas. Várias vezes a Ariana morreu no ar, sem motivo aparente, durante pulos que pareciam perfeitamente calculados. E as bordas das plataformas são traiçoeiras: você encosta, o jogo não registra o agarre, e pronto, tela de morte. Quatro vezes seguidas no mesmo segmento de ação. Isso é polimento que faltou.

História e Narrativa: Boas Ideias, Final Apretado

A trama de Aphelion é um ponto alto, mas com ressalvas. A premissa é simples: dois astronautas (Thomas e Ariana) caem em um planeta desconhecido e hostil. Um deles está ferido. O objetivo é sobreviver e completar a missão. A pegada “ciência real” vem da colaboração com a ESA (Agência Espacial Europeia), e isso dá um banho de credibilidade. As soluções técnicas, os equipamentos, os protocolos… tudo tem um pé na plausibilidade. Pra quem curte exploração espacial “pé no chão” (trocadilho infeliz), é um prato cheio.

O jogo alterna o controle entre os dois protagonistas. Com Thomas, a experiência é mais lenta, contemplativa — você explora, lê documentos, escuta áudios, absorve a atmosfera. Funciona bem. Com Ariana, a pegada é mais ação e plataforma. O problema é que o clímax da história é bom, bem amarrado, mas o final deixa um monte de perguntas no ar. Algumas intencionalmente, outras nem tanto. Parece que cortaram conteúdo ou deixaram espaço pra uma sequência que, com as vendas mornas (pelo que se comenta), talvez nunca venha.

O relacionamento entre os dois protagonistas é OK. Tem emoção, tem conflito, mas em alguns momentos exagera no drama. Nada de “pauta forçada” como vi alguns comentando por aí — a Ariana não é uma modelo, e isso é até refrescante num mercado que muitas vezes só quer corpos esculturais. Ela é uma profissional competente, não uma super-heroína. Isso encaixa bem na proposta de realismo.

Duração e Replayability: Curto, Mas Nem Sempre Isso é Ruim

Terminei Aphelion em umas 6 horas, sem correr. É curto. Pra alguns, isso é um problema. Pra mim, no cenário atual onde todo jogo quer te prender por 200 horas com battle pass e missões repetitivas, um jogo que te entrega uma experiência fechada, com começo, meio e fim, sem encher lingüiça, é quase um refresco. A questão é: você topa pagar preço cheio nisso? Aí já são outros quinhentos.

Replayability é praticamente zero. Você vai ver tudo o que tem pra ver numa jogada. Os colecionáveis (uns 7 “pilares de gelo” espalhados pelo mapa) não são suficientes pra justificar uma segunda rodada. É um jogo pra jogar uma vez, curtir a viagem, e seguir em frente.

Considerações Finais: Vale a Pena ou Não?

Aphelion é um jogo de contrastes. Visualmente deslumbrante, com uma trilha sonora imersiva e uma premissa científica interessante. O problema é que o gameplay tropeça onde não devia — controles inconsistentes, seções de stealth punitivas sem necessidade, e um level design linear que as vezes beira o “corredor enfeitado”. A história é legal, mas o final aberto frustra quem quer respostas.

Se você é fã de ficção científica “realista” e curte uma experiência mais guiada, sem muito replay, vai se divertir. Se você prioriza jogabilidade refinada e liberdade de ação, melhor esperar uma promoção boa — ou pular direto para títulos que já fizeram isso melhor (os próprios Uncharted ou mesmo Jusant da mesma DON’T NOD).

Eu recomendo? Sim, mas com ressalvas. Recomendo pra quem quer uma experiência atmosférica de 6 a 8 horas, não liga de ignorar alguns problemas de polimento, e curte a temática espacial com respaldo científico. Não recomendo pra quem é fissurado em gameplay fluido e stealth bem feito. Pegue numa promoção de 50% ou mais, sente no sofá com um café, e aproveite o que o jogo tem de melhor — que é te fazer sentir, por alguns momentos, que você realmente está perdido num planeta gelado e hostil.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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