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Review: Echo Generation 2 – Monstros, Quebra e um Punhado de Pecados Pequenos

Se tem uma coisa que a Cococucumber entregou com o primeiro Echo Generation, foi aquela sensação de que a gente tava jogando um Stranger Things feito em voxel, com turnos bem calculados e um suspense que grudava nos dentes. Agora chega Echo Generation 2 com a dura tarefa de não só repetir o sucesso, mas também expandir uma fórmula que já funcionava. E, olha, ele consegue na maior parte do tempo? Sim. Mas com alguns tropeços que merecem ser destrinchados com calma. Essa review vai passar por gráficos, sons, jogabilidade e história – sem firula, sem listas enormes, tentando manter o pé no chão técnico, mas com aquele jeitão de quem passou horas no sofá remoendo cada detalhe.

Gráficos e direção de arte: o mesmo capricho, o mesmo charme

Vamos começar pelo que salta aos olhos. Echo Generation 2 mantém o visual em voxel que já era a marca registrada da série. E, convenhamos, continua deslumbrante. Os cenários são ricos em detalhes, com uma iluminação que faz diferença real na atmosfera – principalmente nas partes noturnas ou subterrâneas. A variedade de biomas e ambientações é maior do que no primeiro jogo, e isso ajuda a não cansar o olho. Você vai de florestas densas a laboratórios abandonados, passando por vilarejos suburbanos que parecem saídos de um filme dos anos 80.

Onde o jogo realmente supera o original é na criatividade monstruosa. Os inimigos são, em sua maioria, mais grotescos, mais deformados, com uma feiúra que beira o desconfortável – e isso é um elogio. A primeira tentativa do Echo Generation tinha um suspense melhor construído, mas os bichos em si eram mais contidos. Aqui, os devs claramente soltaram a criadeira. Algumas criaturas parecem amálgamas de carne e metal com bocas no lugar errado e membros que se movem como se tivessem vida própria. É perturbador do jeito certo.

Dito isso, o aspecto de horror como um todo perdeu um pouco do fôlego. O primeiro jogo conseguia te deixar com os pelos do braço em pé antes mesmo de um combate começar. Em Echo Generation 2, a tensão é mais diluída. Os sustos são mais pontuais e a ambientação, embora linda, nem sempre sustenta o clima de ameaça iminente. É como se o jogo quisesse ser mais “monstro na cara” do que “monstro na sombra”. Funciona? Sim. Mas é diferente.

Trilha sonora e design de som: competente, mas sem picos

O som do Echo Generation 2 é um daqueles casos de “faz o que precisa sem chamar atenção demais”. A trilha sonora mistura synthwave com momentos orquestrais leves, e ela nunca atrapalha – o que já é meio caminho andado. Em batalhas mais intensas, as músicas ganham camadas, mas confesso que esperava um ou dois temas que grudassem na cabeça igual acontecia no primeiro jogo. Aqui, tudo é competente, mas meio esquecível.

O design de efeitos é melhor. O barulho dos ataques, os gemidos dos monstros quando você quebra a defesa deles (sobre isso já já a gente fala), e os sons ambientais – como passos em pisos diferentes ou portas rangendo – são bem trabalhados. Dá pra sentir o cuidado. O problema é que, em certos momentos mais calmos do jogo, o silêncio ou a repetição dos mesmos pads musicais acabam gerando uma certa fadiga. Nada que comprometa a experiência, mas quem veio do primeiro jogo e esperava a mesma imersão auditiva pode sentir uma pequena falta.

Jogabilidade: o sistema de Brake, reset de skills e o que veio pra ficar

Agora, a carne de pescoço: a jogabilidade. Se você jogou o primeiro Echo Generation, vai estranhar no começo. E depois vai gostar. E depois talvez xingue um pouco. Vamos por partes.

O sistema de combate continua sendo baseado em turnos, mas agora com uma pegada de deck building mais evidente – algo que os fãs do gênero vão reconhecer. Você coleta cartas (ou habilidades) ao longo da campanha, monta seu baralho e usa pontos de ação. A grande novidade é o sistema de Brake. Basicamente, se você acertar um inimigo com o tipo de ataque específico que ele é fraco, um medidor vai enchendo. Quando enche, o bicho “quebra”, fica vulnerável e você causa dano extra absurdo. Além disso, quebrar um inimigo também pode ativar efeitos de estado adicionais – como atordoamento, veneno ou lentidão.

Na prática, isso adiciona uma camada tática enorme. Você não pode simplesmente sair batendo com o que tem de mais forte; precisa prestar atenção nos tipos de dano e planejar algumas rodadas à frente. Por outro lado, tem batalhas que se arrastam mais do que deveriam porque o jogo meio que te força a quebrar o inimigo pra progredir, e se suas cartas não vêm na hora certa, você fica lá, trocando tapa por tapa.

Outro ponto altíssimo, e que merece destaque, é a possibilidade de resetar sua árvore de habilidades a qualquer momento. No primeiro jogo, se você errasse o build, era começar tudo de novo ou sofrer até o fim. Aqui, você pode redefinir e testar novas estratégias sem punição. Isso é um alívio e mostra que os devs ouviram reclamações. Só não entendi por que não implementaram isso já no primeiro, mas tudo bem.

No lado negativo: o jogo tem capítulos que funcionam de forma meio isolada – cada um foca em um personagem diferente antes de todo mundo se encontrar. Isso torna a progressão um pouco fragmentada. Você pode passar horas com um grupo, aí o capítulo acaba e você perde acesso àquela área para sempre. Se deixou algum item ou carta pra trás, já era. Não tem replay de capítulos. E isso é frustrante, ainda mais se você se importa com conquistas ou colecionáveis. Perdi um troféu por causa disso e, sinceramente, não vou recomeçar o jogo inteiro por um item bobo.

História: conexões legais, mas personagens apressados

A narrativa de Echo Generation 2 funciona quase como uma antologia. Você acompanha diferentes protagonistas em diferentes episódios, cada um com seu próprio problema e sua própria motivação. No final, eles se juntam pra enfrentar uma ameaça maior. É uma estrutura que já vimos em jogos como Octopath Traveler, mas aqui os capítulos são mais curtos – e isso é um problema.

Os personagens não têm tempo de respirar. Você conhece um, faz algumas missões com ele, e pronto – já vai pro próximo. A sensação é que faltou carne no osso. Quando chega a reta final e todos os heróis se encontram, o jogo age como se eles fossem melhores amigos de longa data, mas você, que controlou cada um separadamente, mal viu eles interagindo. É uma sensação estranha de “ok, por que vocês se importam tanto uns com os outros agora?”

Por outro lado, os fãs do primeiro jogo vão pirar com as participações especiais. Vários personagens do original aparecem, e em certo momento os dois protagonistas do primeiro Echo Generation lutam ao seu lado por um breve período. É hilário ver os dois ali, trocando golpes com os monstros novos, e dá um quentinho no coração de quem acompanhou a série desde o início. A história não é ruim – ela só é apressada. Se o primeiro jogo era uma jornada coesa de nostalgia, esse aqui é um mosaico de ideias que poderiam ter sido mais bem desenvolvidas.

Conclusão: recomendo ou não?

Olha, vou ser direto: sim, eu recomendo Echo Generation 2. Mas com ressalvas que merecem ser ditas. Se você jogou o primeiro e espera uma experiência idêntica, prepare-se para diferenças. O sistema de Brake e a liberdade de resetar skills são melhorias indiscutíveis. O visual continua lindo, os monstros são mais nojentos (no bom sentido) e rever personagens antigos é uma delícia.

Porém, a fragmentação dos capítulos, a impossibilidade de revisitar áreas e o ritmo acelerado da narrativa tiram um pouco do brilho. Não é um jogo superior ao primeiro no geral – é um jogo diferente, que acerta em umas coisas e erra em outras. Ainda assim, é excelente. Só não espere o mesmo nível de suspense e exploração secreta do original. Se você curtia o primeiro, vai gostar desse. Se nunca jogou nenhum dos dois, comece pelo primeiro e venha para esse em seguida.

No fim das contas, Echo Generation 2 merece seu tempo. E espero sinceramente que façam um terceiro, porque a base está aí – só precisa de mais caldo narrativo e menos medo de deixar o jogador voltar no mapa antigo. Ah, e arrumem isso de replay de capítulos, pelo amor dos troféus perdidos.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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