Uma sequência que divide opiniões, mas acerta em cheio no que se propõe – será que você deveria entrar nessa guerra? Vamos aos fatos.
Chegamos finalmente ao campo de batalha com Warhammer 40,000: Mechanicus II, a continuação daquele joguinho tático que em 2018 surpreendeu geral com sua trilha sombria e pegada estratégica. Agora, a Bulwark Games (sim, mudaram de estúdio) resolveu mexer em coisa que funcionava – e, como era de se esperar, a comunidade tá pegando fogo. Alguns amam, outros odeiam, e eu tô aqui pra destrinchar o negócio sem floreio. Bora.
Gráficos e Performance: Bonito, Mas Pede Mais Otimização
Visualmente, Warhammer 40,000: Mechanicus II dá um salto considerável em relação ao primeiro. Os cenários dos mundos-tumba dos Necrons tão mais detalhados, com aquela arquitetura metálica e sinistra que brilha sob luz baixa. Os efeitos de partícula – tipo quando um Imortal descarrega um canhão gauss – tão bem sacados, e as animações de morte, embora repetitivas, têm peso. Os técnicos-sacerdotes da Adeptus Mechanicus também tão caprichados, cada um com sua estética peculiar (Heptra com aquela carcaça meio “mãe do grupo”, Scaevola parecendo que vai te sacrificar pro Deus-Máquina a qualquer instante).

Mas nem tudo são flores. A performance em resolução 1440p no talo trava ali nos 60fps estáveis na maioria das máquinas, mas tem queda. Em mapas com fogo no chão, radiação e um monte de necron despertando ao mesmo tempo, o framerate engasga – nada que quebre o jogo, mas pra um título que atrasou algumas vezes, era de se esperar mais polimento. Outro ponto: reciclagem de mapas. Tu vai ver o mesmo corredor, o mesmo formato de sala, com pequenas variações, umas cinco ou seis vezes durante a campanha. Não chega a ser preguiça, mas dá pra sentir a mão da limitação orçamentária.
Detalhe feio: erros de legendagem. Tipo diálogo do Necron aparecendo como se fosse do AdMech, letras faltando, descrição de item que some. Isso é descuido, e num jogo que se vende como tático premium, pega mal. Também tem bugs de animação – aqueles Deathmarks quando tão atrás de cobertura dobram a perna dum jeito que parece personagem de GTA San Andreas travado. Nada gamebreaker, mas feio.
Sons e Trilha: Adeus Mistério, Olá Porradaria
Quem jogou o primeiro Mechanicus lembra daquela trilha opressiva, quase um dark ambient com canto gregoriano invertido. Pois bem, esquece. Em Warhammer 40,000: Mechanicus II, a música é violenta. Os Necrons tão putassos, saíram dos túmulos, e a trilha sonora reflete isso: mais bateria eletrônica industrial, riffs pesados, uma pegada que lembra Ixion (se você conhece, sabe do que eu tô falando). Pra alguns, é um erro; pra mim, funciona – o tom do jogo mudou de exploração tensa pra guerra aberta.
A dublagem, por outro lado, tá excelente. Os Necrons têm aquela voz de “eu sou uma máquina de matar e também filósofo”, enquanto os Magos da Mechanicus alternam entre fervor religioso e frieza lógica. E tem um detalhe genial: você pode ativar a Lingua-Technis, que é basicamente os personagens falando em binarizado (aqueles chiados e bipes). É opcional, bem implementada, e adiciona imersão pra quem é fã do lore. Ah, e você pode comprar a trilha do primeiro jogo como DLC por 3 euros – meio sacanagem não ter incluído de graça, mas fazer o quê.

Se você sente falta da atmosfera misteriosa do original, vai torcer o nariz. Mas se curte uma guerra mais escrachada, a parte sonora entrega.
Jogabilidade: O Ódio dos Fãs do Primeiro… e Por Que Eles Estão Errados (Em Parte)
Aqui é onde o bicho pega. O primeiro Mechanicus deixava você criar técnicos-sacerdotes genéricos (os “bolvanchicos”, como chamo carinhosamente), equipar um monte de augmentações, e sair destruindo. Você tinha liberdade pra fazer um mago da cura, um tanque corpo a corpo, um sniper de plasma. O problema? Os personagens com personalidade – Heptra, Scaevola, Khepra – só apareciam nas cutscenes e comentários de missão, mas você nunca jogava com eles. Estranho, né?
Pois Warhammer 40,000: Mechanicus II corrige isso. Agora você joga com os personagens de verdade. Heptra é uma buffadora de esquadrão, Scaevola sacrifica aliados pra ganhar poder, Kaptris (a caçadora) tem uns três ou quatros builds viáveis. Cada herói tem classe fixa e habilidades únicas. E é aí que a galera que ama o primeiro jogo surtou: “Ain, não posso mais customizar meu tech-priest”.
Só que, olha… no primeiro jogo, você até podia misturar classes, mas na prática ninguém usava mais de duas árvores por personagem. O limite de slots de augmentação impedia. Aqui, a escolha é mais direta: você pega um herói com estilo definido e constroi em volta dele. E o foco mudou pra tropas – os Rangers, Vanguards, Castellans. A sinergia entre herói e esquadrão é muito mais importante do que no original. Em dificuldade alta, as decisões táticas contam mais: posicionamento, cobertura, gerenciamento de radiação e fogo no chão, saber quando sacrificar uma unidade pra ativar um bônus do herói.
O sistema de progressão também mudou. Em vez dos pontos de cognição do primeiro, agora você coleta recursos no mapa planetário (que, aliás, é lindo mas meio vazio – você só clica em missões, não explora de fato) e investe em melhorias. É mais linear, sim, mas também mais balanceado. Não tem mais aquele tech-priest apelão que sobe parede, dá três tiros por turno e ainda cura todo mundo. Agora você precisa pensar.
O bestiário tá variado: Flayed Ones, Deathmarks, Triarch Praetorians (que são um SACO de matar, diga-se), Canoptek Scarabs com mecânicas novas. Os mapas, na maioria, são corredores apertados – reclamação comum no primeiro também. Mas as missões dos Necrons costumam ser mais abertas. No geral, o combate tático melhorou, mas quem curte exploração vai sentir falta daquela ambientação de “descendo cada vez mais fundo no túmulo”.
História: Duas Facetas, Uma Boa, Outra Nem Tanto
O jogo tem duas campanhas: Mechanicus e Necron. A dos AdMech é claramente a mais trabalhada. A escrita tá afiada, o conflito entre Heptra (que quer preservar os soldados humanos) e Scaevola (que vê carne como recurso descartável) rende diálogos ótimos. A lore do Deus-Máquina e dos rituais de manutenção aparece com força.
Já a campanha Necron é mais linear. Você avança com seu cortejo de assassinos milenares, mas as escolhas são menos impactantes. Ainda assim, a narrativa do lado deles é boa – mostra os Necrons não como vilões genéricos, mas como uma civilização que já foi orgânica e agora vive na maldição do metal imortal. O problema é que o mapa planetário não te conecta emocionalmente com o conflito. No primeiro jogo, cada sala aberta parecia uma conquista. Aqui, você clica em “missão”, luta, volta pro mapa, repete. Funciona, mas é mais frio.

Conclusão: Recomendo ou Não?
Vamos ser diretos. Warhammer 40,000: Mechanicus II não é o primeiro jogo. E isso não é defeito – é proposta diferente. Se você quer um jogo onde você passa horas customizando um técnico-sacerdote até ele virar um deus da guerra, fique no original. Agora, se você curte combate tático mais equilibrado, com foco em sinergia de esquadrão, personagens com personalidade, e uma trilha que troca suspense por porradaria, esse aqui é seu xodó.
Os problemas existem: performance instável, erros de legenda, reciclagem de mapas, campanha Necron menos polida. Mas nada que quebre a experiência. A Lingua-Technis é um deleite pra fãs de lore, o bestiário é variado, e a dificuldade alta realmente exige cérebro – não dá pra só spammar habilidade roubada.
Recomendo sim. Principalmente se você gostou do primeiro mas achou que faltava jogar com os personagens de verdade. Só não vá esperando a mesma liberdade de build – é um jogo diferente, e isso é bom. Menos “simulador de robô com 20 braços”, mais “xadrez sangrento com Necrons putassos”.
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