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Review: Restore Your Island – Um jogo casual relaxante

Será que vale o investimento? A gente descobre nos detalhes técnicos

Chegou na minha mesa um joguinho que promete tranquilidade e aquele prazer bobo de limpar a bagunça dos outros – ou melhor, de uma ilha inteira. Estou falando de Restore Your Island, um título indie que tem chamado atenção justamente por não pedir muito do seu cérebro. Mas será que só isso segura um review honesto? Vamos por partes, começando pelos aspectos que realmente importam quando a gente coloca a mão no controle.

Gráficos: simpáticos, mas sem surpresas

Visualmente, Restore Your Island aposta em um estilo cartoon bem leve, com cores vibrantes que lembram aqueles jogos mobile de fazendinha. Os cenários são limpos, os personagens tem expressões faciais exageradas (o protagonista é um carisma à parte) e a poluição visual é quase nula – o que ajuda na proposta de jogo “pra desligar o cérebro”. Porém, não espere texturas ultra detalhadas ou efeitos de iluminação de cair o queixo. O foco aqui é na funcionalidade: você precisa enxergar o lixo, apontar o aspirador e pronto. A animação do cachorro arrastando o traseiro pelo chão? Nem me fale, aquilo ali é pra rir ou pra preocupar com os bugs? A impressão que fica é que os gráficos cumprem seu papel, mas pecão por não entregarem nada além do básico. Ah, e o design dos animais resgatados é um ponto alto – a doguinha que traz ouro é uma fofura, confesso.

Sons: aí sim temos um acerto

Se tem uma área onde Restore Your Island acertou em cheio, foi na trilha sonora. As fitas cassete que você encontra pelo mapa liberam músicas que vão do lo-fi ao chiptune, todas com uma vibe nostálgica que encaixa perfeitamente com a atividade repetitiva de catar lixo. Sem essas faixas, a experiência seria bem mais monótona. Os efeitos sonoros são simples: o barulho do aspirador, o som da grama sendo limpa, os grunhidos do personagem (que, aliás, não tem falas – e isso é algo que divide opiniões). Pra mim não fez falta nenhuma, mas tem gente que reclama da ausência de voice acting. No fim das contas, o som funciona como um cobertor quentinho: acolhedor, previsível e que te deixa na zona de conforto.

Jogabilidade: onde o jogo acelera (e perde o freio)

A premissa é das mais simples: você está em uma ilha suja, tem um aspirador de lixo portátil e precisa restaurar a natureza. Coleta plástico, metal, papel, orgânico… separa tudo em lixeiras específicas, ganha moedas e compra melhorias. Até aí, beleza. O problema começa quando você desbloqueia o aspirador turbinado. Aí o jogo vira outra coisa – e não necessariamente pra melhor.

Explico: até o momento em que você pega essa melhoria, a gameplay tem um ritmo até gostoso. Você anda, aspira uns montinhos, volta pra base, troca por dinheiro, compra um upgrade de energia ou de velocidade. É quase uma terapia, daquelas que você faz enquanto vê um vídeo no YouTube do lado. Mas depois do aspirador forte? Rapaz… aí Restore Your Island vira um speedrun sem querer. O lixo desaparece na velocidade da luz, a moeda perde o sentido porque você já comprou tudo, e a separação dos resíduos vira um detalho irrelevante. A sensação é de que o jogo se autossabota. Ele te dá uma ferramenta poderosa demais cedo demais, e o que era pra ser uma experiência relaxante de algumas horas vira uma corrida contra o relógio – mesmo que você não queira.

Além disso, o mundo é pequeno. Muito pequeno. Os fãs já notaram e a própria desenvolvedora prometeu uma atualização gratuita com uma ilha maior, mas no estado atual, Restore Your Island se completa em algo entre 2h e 3h para jogadores focados. Se você for daqueles que gosta de enrogar, dar uma escapada pra fazer café na vida real (e o jogo tem uma cafeteira, por sinal), dá pra esticar pra umas 8h, mas isso é a exceção, não a regra.

O abrigo? Bom, tem uma cama, uma máquina de café, dois andares vazios… e só. É bonito? Até que sim. Mas serve pra alguma coisa? Não. Não há personalização, não há móveis pra comprar, não há função prática além do visual. O café dá um boost de velocidade, mas como você já tá correndo igual um doido depois do aspirador melhorado… pra que? A cama recupera energia, mas só metade da barra, mesmo você tendo expandido ela ao máximo. São pequenas decisões de design que deixam a desejar.

Os animais resgatados são um capítulo a parte. O cachorro traz ouro – isso é ótimo, dá um incentivo real pra alimentar ele. O foca? Bom, o foca não faz nada. O tucano fica paradão num canto, e você nem interage. Sentiu que faltou capricho? Eu também. O potencial pra cada animal ter uma função única (o selo podia trazer peixe, o tucano frutas) foi jogado fora. Uma pena, porque isso alongaria a vida útil do jogo sem precisar de uma ilha maior.

História: tem? não tem. mas tem?

Pra ser justo, Restore Your Island não se propõe a ter uma narrativa complexa. Você é um sujeito barbudo (mudo? surdo? expressivo? fica a dúvida) que aparece em uma ilha suja e começa a limpar. A cutscene inicial mostra ele pedindo comida de forma gestual, o que alguns interpretaram como uma representação acidental de um personagem com deficiência auditiva. Se foi intencional ou não, é um detalhe bacana. De resto, não espere reviravoltas, vilões ou plots elaborados. É basicamente “limpe a ilha, salve os bichos, assista o mundo ficar bonito de novo”. Pra um jogo que se vende como “relaxante”, isso é até uma vantagem – você não precisa prestar atenção em diálogo nenhum. Mas se você é do time que gosta de lore e motivação profunda, vai sair frustrado.

Conclusão: recomendo ou não?

Vamos ser diretos: Restore Your Island é um jogo que cumpre o que promete? Sim e não. Ele é relaxante, tem uma trilha sonora gostosa, um visual simpático e uma ideia de base divertida. Porém, o preço de cerca de 600 rublos (algo como 30~40 reais, dependendo da conversão) por um conteúdo que acaba em 2 a 3 horas é, no mínimo, salgado. A sensação que fica é de que você pagou por uma demo extendida. A promessa da atualização com a ilha maior pode salvar o jogo, mas no estado atual, a falta de profundidade nas mecânicas, a quebra de ritmo com o aspirador forte e o abrigo vazio pesam contra.

Se você busca um passatempo pra desassociar da realidade depois de um dia estressante, e não se importa em gastar esse valor por poucas horas, vá fundo. Coloca uma playlist, ignora os defeitos e aproveita. Agora, se você quer um jogo que te prenda por semanas, que tenha rejogabilidade ou um senso de progressão consistente, esse aqui não é. A ideia de um “New Game+” com animais extras ou ilhas aleatórias seria um sonho, mas por enquanto é só isso mesmo: um sonho.

Review final: recomendo com ressalvas. Pra quem curte jogos “vida de fazenda” leves e tem grana sobrando, sim. Pra quem quer custo-benefício e horas de gameplay, melhor esperar a atualização ou uma promoção.

Nota pessoal (já que review nenhum é 100% impessoal): se arrumarem o spawn do lixo, o tamanho da ilha e derem função pro tucano, aí a conversa muda de figura. Por enquanto, é um joguinho bonito, mas esquecível.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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