HomeReviewsReview: Planet of Lana II – Uma sequência que valeu a espera?

Review: Planet of Lana II – Uma sequência que valeu a espera?

Lançado recentemente para dar continuidade à jornada que cativou tantos jogadores em 2023, Planet of Lana II chega com a missão complicada de superar o antecessor sem perder a identidade. Depois de passar algumas boas horas imerso nesse mundo silencioso e colorido, dá pra ter uma noção bem clara do que a Wishfully Studios conseguiu evoluir e onde ainda esbarrou em alguns probleminhas técnicos. Vamos por partes, porque o jogo entrega uma experiência que, no geral, é positiva, mas merece uma olhada mais crítica.

GRÁFICOS E ARTE: UM QUADRO QUE GANHA VIDA (E CORES)

Se tem uma coisa que a desenvolvedora sabe fazer é criar paisagens de tirar o fôlego. E em Planet of Lana II, isso atinge um novo patamar. Enquanto o primeiro jogo apostava num tom mais específico e até um pouco melancólico, aqui a paleta de cores se expandiu. Temos florestas banhadas por uma luz dourada que parece pintada a mão, ruínas tomadas pela vegetação com um contraste forte entre o orgânico e o mecânico, e um ou outro cenário noturno que abusa de silhuetas de um jeito muito elegante.

A direção de arte continua sendo o ponto mais forte. O jogo te convida a parar e observar, não só pelos puzzles, mas pela composição de cada cena. É um negócio que lembra aqueles wallpapers animados, mas com um propósito narrativo por trás. Os modelos dos personagens também ganharam uma polida, a Lana está mais expressiva nos momentos de tensão e o Mui, claro, continua roubando a cena com cada movimento. Os 40GB de espaço que o jogo ocupa no disco (bem mais que o primeiro) se justificam por essa explosão de detalhes, mas confesso que em alguns momentos tanta informação visual pode tirar um pouco daquele ar mais “pintura impressionista” que o original tinha. Ficou mais nítido, mas perdeu um tico de poesia? Talvez. Mas ainda assim, é lindo de se ver.

SOM: O SILÊNCIO QUE FALA ALTO

Aqui a coisa continua afiadíssima. Planet of Lana II mantém a tradição de não usar uma língua compreensível. Os personagens se comunicam naquele idioma inventado, e sinceramente? Funciona. Você nunca vai ler uma legenda, mas entende perfeitamente se a Lana está com medo, determinada ou cansada. Esse silêncio proposital dá um ar universal pra história, deixando a sua interpretação completar as lacunas.

A trilha sonora é um capítulo a parte. Ela conduz a aventura com uma precisão cirúrgica. Nas horas de perseguição, ela acelera e te enche de adrenalina; nos momentos de exploração mais calma, ela se torna ambiente, quase um sussurro. Mas o grande destaque vai pro sound design. O barulho do vento nas folhas, o passo da Lana em diferentes terrenos, os grunhidos do Mui e o som ameaçador das máquinas… tudo isso constrói uma imersão danada. Você realmente se sente parte daquele ecossistema. É um trabalho de fôlego que merece ser ouvido com um bom fone de ouvido.

JOGABILIDADE: EVOLUÇÃO COM PEQUENOS TROPEÇOS

No comando, a evolução é perceptível. A Lana está mais rápida, o que já resolve aquela sensação do primeiro jogo de que a personagem demorava pra reagir. Agora ela tem um movimento de correr mais fluido e um deslizamento (o famoso slide) que ajuda muito em trechos de fuga e até em alguns puzzles. O salto ainda tem um certo peso, uma gravidade específica que pode exigir alguns segundos de adaptação, mas nada que atrapalhe a diversão.

Os quebra-cabeças são o coração do jogo, e felizmente eles estão mais variados. A interação entre Lana e Mui ganhou novas camadas. Agora o bichinho não só distrai criaturas ou aciona alavancas, como também pode interagir com elementos tecnológicos de formas diferentes. Isso abre um leque legal de possibilidades e os puzzles, no geral, são bem inteligentes. No entanto, nem tudo são flores. Em alguns momentos mais precisos, o posicionamento dos personagens parece um pouco “grudento”. Você quer que a Lana se agarre a uma borda e ela demora um milésimo de segundo a mais, ou então o Mui resolve ir pra um lado que você não mandou, o que em situações de perigo pode resultar em morte besta. Tive um problema simples com ele indo pro lugar errado uma vez, causando a morte dele. Felizmente, dessa vez não tem conquista por zerar sem mortes, o que tira um pouco a pressão. São pequenas arestas que não quebram a experiência, mas mostram que a ambição de criar puzzles mais complexos esbarrou num controle que ainda pede uma lapidada.

HISTÓRIA: O MISTÉRIO SE APROFUNDA

A narrativa agora é mais focada. Enquanto o primeiro jogo tinha um pé na sobrevivência e na apresentação daquele mundo, Planet of Lana II mergulha de cabeça no mistério que ficou no ar. A protagonista e seu companheiro estão numa jornada mais clara, e o roteiro explora as consequências dos eventos anteriores. Outros personagens do passado retornam e ajudam a dar um contexto maior praquele universo.

Continua sendo uma história contada mais por imagens e situações do que por diálogos expositivos, e isso é um acerto. Você sente a urgência em algumas cenas, o perigo em outras, e tem sim alguns momentos emocionantes que funcionam justamente por causa da construção visual e sonora. A trama consegue manter o jogador curioso sobre o que vem a seguir, e a duração mais longa (o jogo é maior que o primeiro) permite que os temas sejam explorados com mais calma, sem pressa.

CONCLUSÃO: VALE A PENA JOGAR?

Planet of Lana II é uma sequência honesta. Ela pega tudo que funcionava bem no original e tenta expandir, com mais cores, mais mecânicas e uma história mais densa. A experiência audiovisual é de primeiríssima qualidade e te prende do começo ao fim. Os problemas existem: pequenas imprecisões nos comandos, uma ou outra falta de indicação visual em puzzles específicos, e na versão que testei (Steam), notei um ou outro crash aleatório. Nada que os checkpoints frequentes não resolvam na hora, mas é algo a se considerar.

Se você jogou o primeiro e gostou, não vejo motivo pra pular direto pra essa sequência. É mais do mesmo, mas feito com capricho e ambição. É um jogo para quem aprecia arte, paciência e puzzles bem montados, mesmo com seus defeitios técnicos. Portanto, sim, recomendo. Apesar dos pesares, a viagem que ele propõe é linda demais pra ser ignorada.

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RPS Games
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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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