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Review: Atomic Owl – Um plataformer vibrante com altos e baixos

Atomic Owl chega como um título indie que imediatamente chama atenção pelo seu visual marcante e sua proposta de resgatar a essência dos plataformas da era 16 bits. Desenvolvido pela Monster Theater Games, o jogo coloca você no papel de Hidalgo Bladewing, uma coruja shinobi que acorda após dois anos aprisionada em uma árvore amaldiçoada, com a missão de resgatar seus companheiros corrompidos pelo feiticeiro Omega Wing. O que se segue é uma jornada através de oito zonas em um mundo de pixel art banhado por néon, onde a linha entre o roguelite e o plataforma tradicional se torna propositalmente turva.

O jogo já se apresenta ao jogador de forma generosa em termos de mecânicas. Diferente de muitos títulos que começam com um kit básico e vão liberando habilidades aos poucos, Atomic Owl entrega logo de cara um arsenal completo. Você tem acesso ao pulo duplo, ao dash aéreo (que inclusive permite movimentação vertical, ampliando as possibilidades de exploração), e um conjunto de quatro armas variadas que inclui espada, chicote, martelo e uma foice arremessável. Essa decisão de design impacta diretamente a estrutura das fases – como o jogo assume que o jogador tem todas essas ferramentas desde o início, os desenvolvedores não precisam “segurar a mão” do jogador com níveis mais simples nas primeiras horas. O resultado é uma curva de dificuldade que já começa num patamar elevado, exigindo que o jogador se adapte rapidamente aos comandos e à física do jogo.

O combate em Atomic Owl é ágil e responsivo, com uma variedade de inimigos que exigem abordagens diferentes. Os Tengu, que servem como a principal ameaça do jogo, apresentam padrões de ataque distintos que exigem timing e posicionamento precisos. A troca entre as armas não é apenas estética – cada uma possui propriedades únicas que as tornam mais ou menos eficazes contra determinados inimigos, adicionando uma camada tática ao combate que vai além do simples “esmagar botões”. O chicote oferece alcance médio com bom dano, o martelo causa dano massivo mas é mais lento, a espada é o equilíbrio clássico, e a foice permite ataques à distância. Há também um sistema de “Remanescentes de Asa” que concede poderes elementais como fogo, raio e veneno, adicionando variedade às opções ofensivas e defensivas do jogador.

Um dos aspectos mais interessantes de Atomic Owl é a inclusão de um modo “No Rogue Lite”, que permite ao jogador experimentar o jogo como um plataforma tradicional ao invés de um roguelite. Nesta modalidade, ao morrer, você recomeça do início da fase atual ao invés de perder todo o progresso e ter que recomeçar do início da área, como ocorre no modo roguelite padrão. Essa adição mostra uma preocupação dos desenvolvedores em agradar diferentes perfis de jogadores, desde aqueles que apreciam a tensão e a repetição característica dos roguelikes até os que preferem uma experiência mais linear e acessível. É uma flexibilidade que poucos jogos do gênero oferecem, e que merece reconhecimento pelo respeito ao tempo do jogador.

Visualmente, Atomic Owl é um espetáculo. A pixel art desenhada à mão cria ambientes ricos em detalhes e saturados de cores vibrantes, mesclando elementos da estética japonesa feudal com o futurismo synthwave. Os cenários urbanos iluminados por néon, as seções celestes etéreas e as cutscenes meticulosamente animadas constroem um mundo coeso que é ao mesmo tempo nostálgico e inovador. A direção de arte é, sem dúvida, um dos maiores trunfos do jogo, conseguindo estabelecer uma identidade visual forte que o diferencia em um gênero saturado de títulos com estilos similares. É difícil não comparar com clássicos como The Messenger ou mesmo com a estética de alguns jogos da era SNES, mas Atomic Owl consegue imprimir sua própria personalidade nessa fórmula já conhecida.

A trilha sonora merece um destaque especial. Composta com influências de synthwave e soundtracks de JRPG, a música se adapta ao ritmo do jogo – ganhando energia nos momentos de combate e se tornando mais serena durante as fases de plataforma. O resultado é uma experiência sonora que complementa perfeitamente o visual, criando uma atmosfera imersiva que mantém o jogador engajado. É aquele tipo de trilha que fica na cabeça mesmo depois de desligar o jogo, e que eleva a produção como um todo.

No entanto, Atomic Owl não é isento de problemas. A ausência de legendas em português é uma barreira significativa para jogadores brasileiros, especialmente considerando que o jogo possui diálogos com dublagem completa em inglês. Para um título que depende de narrativa e interações com personagens, essa limitação prejudica a experiência de quem não tem fluência no idioma.

A duração do jogo é relativamente curta – uma run completa pode ser concluída em cerca de 4 a 6 horas. Para alguns, isso pode ser visto como um ponto positivo, especialmente considerando o preço acessível e a natureza repetitiva do gênero roguelite. Porém, o conteúdo parece um tanto limitado, e a rejogabilidade é prejudicada pela falta de variação significativa entre as runs. Diferente de outros roguelikes que oferecem combinações quase infinitas de itens e upgrades, Atomic Owl apresenta um sistema de progressão mais linear, o que reduz o incentivo para múltiplas jogatinas. O sistema de upgrades, embora funcional, não é particularmente profundo ou inovador.

Outro ponto que merece atenção é a ausência de remapeamento de teclas para jogadores de teclado – uma omissão que pode tornar a experiência frustrante, considerando a natureza precisa e frenética do jogo. Relatos de bugs, falhas de progressão e hitboxes imprecisas também surgem em análises de jogadores, sugerindo que o título poderia ter se beneficiado de um período adicional de polimento antes do lançamento. Alguns jogadores chegam a mencionar problemas mais sérios, como crashes durante boss fights, o que certamente compromete a imersão e a experiência de jogo.

A história, embora presente e com um toque de humor proporcionado pela espada falante Mezameta, não se aprofunda tanto quanto poderia. Os diálogos com NPCs são curtos e muitas vezes deixam a sensação de que poderiam ser mais desenvolvidos. A premissa é interessante – um grupo de guerreiros que retorna ao seu restaurante de ramen favorito e é atacado por um antigo inimigo que corrompe seus membros –, mas a execução narrativa é um tanto superficial. A espada acompanhante adiciona um elemento cômico que funciona bem, mas não é suficiente para compensar a falta de profundidade na trama principal.

Em termos de performance, Atomic Owl parece rodar de forma satisfatória na maioria das plataformas, incluindo Steam Deck, onde a experiência é descrita como estável. No entanto, versões para outras plataformas podem apresentar problemas específicos que afetam a jogabilidade. Há relatos de que a versão para Nintendo Switch sofre com quedas de performance, o que é um ponto de atenção para quem pretende jogar no console portátil da Nintendo.

Conclusão

Atomic Owl é um jogo que acerta em cheio no visual e na trilha sonora, entregando uma experiência audiovisual de alto nível que transporta o jogador para um mundo de néon e pixel art. A jogabilidade é sólida, com controles responsivos e um combate que oferece variedade suficiente para manter o interesse durante as aproximadamente 6 horas de campanha. A inclusão do modo “No Rogue Lite” é um diferencial que merece elogios, pois demonstra um entendimento das necessidades de diferentes perfis de jogadores.

No entanto, é difícil ignorar as limitações do título. A curta duração, a falta de conteúdo para incentivar a rejogabilidade, a ausência de legendas em português e relatos de problemas técnicos são fatores que pesam contra a recomendação. Atomic Owl é um jogo que agrada pela estética e pelo gameplay fluido, mas deixa a sensação de que poderia ser mais – mais conteúdo, mais polimento, mais profundidade.

Recomendo Atomic Owl para fãs de plataforma pixel art que procuram uma experiência curta e visualmente impactante, especialmente se conseguirem encontrar o jogo com algum desconto. Para jogadores que buscam um roguelike profundo ou uma experiência de plataforma mais longa, talvez seja melhor esperar por uma promoção ou por patches que possam resolver alguns dos problemas mencionados. Atomic Owl decola com estilo, mas sua sustentação ainda precisa ser aprimorada.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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