Se tem uma coisa que aprendi jogando Codex Mortis é que nem sempre precisamos entender tudo o que tá rolando na tela pra nos divertir. E olha, esse jogo entrega caos de sobra. Lançado em early access por um preço ridiculamente baixo (coisa de R$20 ou menos dependendo da promoção), ele já vem chamando atenção de quem curte o tal do “survivor-like” — aquele subgênero que o Vampire Survivors popularizou e que agora todo mundo tenta imitar com graus variados de sucesso. Mas será que Codex Mortis se destaca ou é só mais um no meio da multidão? Vamos por partes, começando pelos gráficos, que são o primeiro impacto visual.
Gráficos e direção de arte
Visualmente, Codex Mortis aposta em uma estética sombria e meio truncada, que combina com a proposta de grimório maligno e magias proibidas. Os cenários são escuros, com paletas de cores que variam entre tons de roxo, vermelho sangue e preto. Porém — e isso é uma reclamação recorrente da comunidade — a poluição visual é alta. Você logo vai se ver rodeado por dezenas de inimigos, projéteis, efeitos de partícula e números flutuando sem parar. O resultado? Muitas vezes você simplesmente não vê o próprio personagem.

Em fóruns, um jogador chegou a pedir uma opção de transparência ou, pelo menos, a redução do tamanho dos mobs e a remoção das colisões — que realmente atrapalham em momentos de aperto. A colisão com inimigos, por exemplo, pode te empurrar contra paredes invisíveis ou te prender em enxames sem que você entenda como sair dali. Não chega a ser um problema eliminatório, mas incomoda. Dito isso, para um jogo feito com auxílio de IA (sim, os devs assumiram isso abertamente), o resultado é surpreendentemente coeso. Não espere texturas 4K ou animações super fluidas — é um jogo independente, com budget baixo, e isso fica claro. Mas há mérito na identidade visual: as magias têm personalidade, os inimigos são reconhecíveis e o clima de “grimório amaldiçoado” funciona.
Trilha sonora e efeitos sonoros
No quesito áudio, Codex Mortis cumpre o básico com competência. A trilha sonora é atmosférica, meio drone ambient com toques de sintetizador soturno. Não vai grudar na sua cabeça, mas também não cansa. Os efeitos sonoros são funcionais: você ouve quando acerta um inimigo, quando coleta um artefato e quando ativa uma sinergia. O problema? Com tanto caos na tela, os sons se sobrepõem e viram uma massa ruidosa. Talvez uma mixagem mais limpa ou um slider separado para notificações importantes fosse bem-vindo. Mas, honestamente, nesse tipo de jogo, a gente costuma jogar ouvindo podcast ou música de fundo, então não é um ponto crítico.

Jogabilidade e sistemas de progressão
Aqui é onde Codex Mortis ou brilha ou escorrega, dependendo da sua paciência. O jogo segue a fórmula clássica do gênero: você escolhe um personagem, entra em uma arena, mata ondas de inimigos, sobe de nível e escolhe upgrades. Até aí, nada de novo. O diferencial tá no sistema de sinergias, que foi bem elogiado pela comunidade. Basicamente, certas combinações de habilidades se potencializam mutuamente — por exemplo, uma magia de sangramento pode ativar explosões de sangue se combinada com uma de dano físico. É satisfatório quando você “encaixa” uma sinergia sem querer e vê o caiaque descer do salto.
Por outro lado, há uma crítica recorrente: as sinergias disponíveis parecem sempre as mesmas — burn, hem, weaken, confuse. Os jogadores pedem combinações mais criativas, como projéteis de sangue que disparam lanças de sangue ao drenar vida. A sensação é que o sistema tem potencial enorme, mas ainda está engatilhado. Como o jogo está em early access, é provável que mais sinergias sejam adicionadas com o tempo.
A progressão vertical é robusta: você desbloqueia novos personagens, artefatos (que dão bônus permanentes ou temporários) e melhorias passivas. Um revisor polonês comparou a experiência com Crimsonland e Vampire Survivors, dizendo que o jogo é “muito exigente, mas tático e profundo”. Outro jogador coreano, no entanto, listou problemas que ecoam entre muitos: “a tela fica coberta, não dá pra ver nada. Precisamos de opção de transparência. E o mapa do deserto precisa ser mudado — sandworms aparecem demais, você não consegue desviar e acaba tomando dano sem sentido”.
Aliás, sobre a dificuldade: Codex Mortis não pega leve. Os inimigos vêm em enxames agressivos, e as areias movediças do mapa deserto (que te obriga a ficar andando sem parar) tiram um pouco daquela vibe “relaxante” que muitos buscam no gênero. Alguns vão adorar o desafio; outros vão achar cansativo. Pessoalmente entendo os dois lados.
História? Tem narrativa?
Sendo franco: Codex Mortis mal tem história. Você é algum tipo de invocador ou bruxo que abre um grimório proibido e… pronto. Os inimigos aparecem. Há uma premissa vaga sobre um “códex da morte” e talvez você esteja sendo testado por entidades antigas. Mas ninguém joga Codex Mortis pela lore. Se você busca enredo, passe longe. O foco aqui é 100% gameplay e progressão. Então, para quem quer narrativa, a resposta é clara: não tem.

Conclusão: vale a pena comprar Codex Mortis?
Sim, com ressalvas. Por menos de 5 dólares (ou o equivalente em reais), você consegue facilmente umas 10 a 20 horas de diversão caótica, especialmente se curtir o loop de “mais um upgrade, mais um minuto, mais uma tentativa”. Os devs estão atualizando o jogo com frequência — “as atualizações estão voando”, disse um jogador na Steam — o que é um excelente sinal para um early access. O preço é ridiculamente baixo, e até mesmo quem reclama dos problemas de visibilidade e colisão admite que se divertiu.
Por outro lado, se você é do tipo que se frustra com poluição visual excessiva, colisões mal feitas e falta de direção clara (lembra que eu disse que “não sei o que estou coletando na maioria do tempo”?), talvez seja melhor esperar algumas atualizações. O jogo ainda tem arestas — literalmente, no caso das colisões — e o mapa do deserto realmente precisa de revisão.
Minha recomendação final é: compre agora se você é fã do gênero e não liga pra um pouco (ou muito) de caos. O potencial aqui é enorme, e por esse preço, o risco é mínimo. Se você prefere experiências polidas e equilibradas desde o dia 1, aguarde mais uns meses. Mas, no estado atual, Codex Mortis já entrega o que promete: diversão barata, sinergias legais e aquele vício gostoso de “só mais uma partida”. Mesmo com seus defeitos — e ele tem vários — é dificil não recomendar um jogo que fez tanta gente perder 3 horas seguidas “só pra dar uma olhadinha”.
Recomendo com um pé atrás, mas recomendo.
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