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Review: Rainbow Legends – Criatividade Colorida ou Promessa Inacabada?

Pegue um café, senta na cadeira e vem comigo porque o jogo da vez é aquele que mistura Roguelike, cards e um tabuleiro 9×9 que mais parece um campo de batalha de pincéis e tintas. Estou falando de Rainbow Legends, uma produção independente que tenta – e às vezes consegue – trazer um ar novo para um gênero já bem saturado. Mas será que a novidade sustenta a jornada? Vamos por partes, começando pelos gráficos, que é o primeiro soco que o jogador leva ao abrir o game.

Os Gráficos: Simplicidade Funcional ou Falta de Capricho?

Visualmente, Rainbow Legends não tenta competir com os blockbusters, e isso não é necessariamente um problema. O jogo aposta numa estética meio cartunesca, com cores saturadas e personagens que lembram bonecos de massa. O tabuleiro 9×9 é limpo, fácil de ler, e as animações das cartas sendo jogadas são rápidas – o que é ótimo pra manter o ritmo. Porém, tem uma coisinha ou outra que incomoda. A interface, por exemplo, parece meio “bruta” em certos momentos, como se o botão de confirmar ação tivesse sido desenhado em cima da hora. E os efeitos de partícula quando você converte um grid inimigo pro seu lado são legaizin até, mas repetitivos depois da vigésima vez.

Não espere cutscenes cinematográficas ou modelos 3D detalhados. É o tipo de gráfico que não atrapalha, mas também não empolga. Dá a impressão de que o foco do time foi cem por cento na mecânica, deixando o visual em segundo plano – o que é uma aposta arriscada, mas que funciona pra quem valoriza gameplay acima de tudo.

A Parte Sonora: Tem Som? Tem, Mas…

Sobre a trilha sonora, não tem muito o que florear. Rainbow Legends entrega umas músicas de fundo que lembram os bons tempos dos jogos de flash de navegador. São melodias simples, com loop bem curto, que podem cansar depois de algumas partidas. Ainda assim, o jogo acerta nos efeitos sonoros de “preenchimento” de grid – aquele barulhinho de pop quando uma célula muda de cor é satisfatório no nível fisiológico.

Os golpes, as cartas de defesa e o alerta de ataque inimigo têm identidade sonora clara, o que ajuda na resposta tátil. Por outro lado, a dublagem ou vozes de personagens praticamente inexistem, tirando uns grunhidos genéricos. O menu principal tem um tema até épico, mas que dura 30 segundos antes de repetir. No geral, o som cumpre seu papel de informar o jogador (você sempre sabe quando algo deu certo ou errado só pelo áudio), mas não espere uma sinfonia que vá grudar na cabeça depois de desligar o PC.

Jogabilidade: O Coração (e a Confusão) de Rainbow Legends

Aqui é onde o bicho pega. Rainbow Legends não é só mais um clone de Slay the Spire. A grande sacada do jogo é o sistema de combate baseado em dominação de área no tabuleiro 9×9. Você começa com 3 pontos de ação por turno, compra algumas cartas e tem que decidir: ataco, defendo ou avanço sobre os grids neutros? A grande inovação é que o dano causado ao inimigo não vem diretamente de um “ataque” comum, mas sim da diferença de grids ocupados no final do turno. Se você dominou 15 células e o inimigo só 6, pronto: 9 de dano direto nele. Isso muda completamente a lógica dos card games tradicionais. Você não fica obcecado em reduzir o HP do oponente com números vermelhos; você fica obcecado em pintar o tabuleiro.

As cartas se dividem em tipos: de ataque (convertem grids neutros ou inimigos em seus), de defesa (protegem seus grids contra tentativas de conversão adversária), de suporte (mais ação, mais compra) e as tais “cartas de construção”, que criam estruturas permanentes no tabuleiro tipo armadilhas ou totens. Existe também um sistema de “intenção de ataque” inimiga – igualzinho Slay the Spire, só que aqui você sabe exatamente quais grids o oponente vai tentar pintar no próximo turno. Isso permite jogadas de defesa preditiva, que salvam sua vida.

A campanha segue rota aleatória no 9×9, com eventos, fogueiras (pra curar ou melhorar cartas) e quatro classes jogáveis, cada uma com skins desbloqueáveis e baralhos iniciais distintos. O problema é que Rainbow Legends sofre de um mal clássico de jogos ambiciosos: desbalanceamento. Já aconteceu comigo (e com outros relatos que li) de bosses serem ridiculamente fáceis, mas um mini-boss aleatório aparecer com três construções no tabuleiro que te impedem de avançar e causam dano por turno. A curva de dificuldade é mais uma montanha-russa que uma linha crescente. Outro ponto chato é que o jogo tem bugs – cartas que somem do deck, inimigos que congelam a ação e, em duas sessões, o jogo simplesmente fechou sozinho. Mas, pra ser justo, os devs estão corrigindo rápido. Ontem mesmo um bug que impedia a ativação de um “campo de fogo” foi corrigido em um patch de 24 horas.

História: Existe Enredo ou Só Cor?

A narrativa é quase um pretexto. Rainbow Legends conta que vivemos num mundo dominado por cores, cada uma representando um poder, e um tal de “Vazio Voraz” está sugando todas as tonalidades. Você, um guerreiro cromático, precisa derrotar líderes de facções inimigas e depois encarar o tal do Vazio. É o clássico “preciso salvar o mundo colorido”. Não espere reviravoltas, personagens profundos ou diálogos memoráveis. A história serve só pra dar uma desculpa pra você avançar no mapa e desbloquear a próxima batalha. Quem joga card game Roguelike geralmente nem liga pra isso, mas fica o registro: se você busca um enredo tipo Hades, pode pular. A lore é só a desculpa.

Conclusão: Eu Recomendo Rainbow Legends?

Vamos ser diretos. Rainbow Legends é um jogo de ideia brilhante, execução legal, mas acabamento meio cru. O conceito de transformar o combate em uma disputa por maioria de grids em 9×9 é genial e realmente refresca o gênero. As possibilidades de deckbuilding são enormes – você pode criar desde um deck agressivo que converte grids inimigos, até um deck de controle que só segura posição e força o erro do oponente. O sistema de “cartas de maldição” que podem ser fortalecidas nas fogueiras é outro acerto, dando aquele gostinho de “transformar lixo em ouro”.

Contudo, o jogo ainda parece estar em fase de acesso antecipado, mesmo que não esteja explícito. Os bugs, o desbalanceamento entre inimigos comuns e chefões, e a trilha sonora repetitiva tiram pontos. Mas pelo preço cobrado (e considerando que os desenvolvedores estão ativos nos patches), eu recomendo sim, com ressalvas. Se você é fã de Roguelike deckbuilder e já jogou todos os clássicos, Rainbow Legends é uma lufada de ar fresco colorida. Agora, se você não tem paciência para dificuldade inconsistente ou pequenos glitches, espere mais dois meses pra ver se os updates resolvem.

No estado atual, a nota é um 7,5 – muito potencial, mas que ainda precisa ser lapidado. Recomendo principalmente para quem curte estratégia por área e não liga de ver uns errinhos de programação aqui e ali. Afinal, fazer jogo indie não é fácil, e Rainbow Legends merece reconhecimento pela criatividade. Só não vá com a expectativa de uma experiência polida igual AAA.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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