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Preview: Solasta II – O legado da família em acesso antecipado

A volta da tática com cara nova

Quem acompanhou o primeiro Solasta: Crown of the Magister sabe que o jogo sempre foi aquela opção para quem queria uma experiência tática de Dungeons & Dragons sem firulas, com aquele visual meio quadrado e foco absoluto nas regras. Agora, em março de 2026, a Tactical Adventures trouxe Solasta II para o Acesso Antecipado no Steam, e a primeira impressão é que o estúdio resolveu dar um salto quântico – ou pelo menos tentou .

O jogo chega prometendo ser a evolução natural do primeiro, com a migração da Unity para a Unreal Engine 5, e isso fica evidente nos primeiros minutos. Mas nem tudo são flores, e essa review vai destrinchar os pontos técnicos, desde os gráficos até a jogabilidade, para você decidir se vale entrar nessa jornada agora ou esperar a versão completa.

Gráficos e apresentação: o salto da Unreal 5

Visualmente, Solasta II é outro patamar comparado ao antecessor. A mudança para a Unreal Engine 5 trouxe iluminação mais dinâmica, efeitos de partícula refinados e cenários que realmente passam a sensação de grandiosidade . Durante a exploração da região de Neokos, é possível notar um cuidado com a profundidade dos ambientes e um uso de cores mais vibrante – algo que o diretor criativo Mathieu Girard mencionou como parte da nova direção artística, para deixar o mundo menos “terroso” e mais fantasioso .

Os modelos dos personagens também foram refinados, com expressões faciais mais críveis durante as cutscenes. A apresentação cinematográfica ganhou destaque, claramente inspirada no que Baldur’s Gate 3 fez, mas com a identidade própria de Solasta. As cenas de diálogo agora têm enquadramentos mais dinâmicos, e a movimentação dos personagens fora de combate flui de forma natural, sem a rigidez quadriculada do primeiro jogo .

No entanto, nem tudo são acertos. A reciclagem de modelos de NPCs é algo que chega a incomodar em certos momentos. Na cidade inicial, é comum encontrar grupos de personagens idênticos, com o mesmo rosto e cabelo, o que quebra um pouco a imersão . É compreensível para um estúdio independente em acesso antecipado, mas chama a atenção pelo contraste com a evolução gráfica geral.

O grande calcanhar de Aquiles, neste momento, é o criador de personagens. A proposta de usar “morphing” para esculpir rostos é interessante na teoria, mas na prática os resultados tendem ao “vale da estranheza”, com personagens que parecem saídos de um molde de borracha . Os controles deslizantes são confusos, e as opções de cabelo e maquiagem são limitadas e, em alguns casos, com acabamento amador. A própria desenvolvedora já reconheceu esses problemas em um comunicado, prometendo melhorias nas próximas semanas, incluindo mais presets e correções nos corpos masculinos que, atualmente, sofrem com um bug de modelagem no peito .

Som e localização: vozes familiares

Se tem uma área onde Solasta II acerta em cheio é na dublagem. O jogo conta com um elenco de peso que inclui Amelia Tyler (a narradora de Baldur’s Gate 3), Ben Starr (de Final Fantasy XVI e Clair Obscur: Expedition 33) e Devora Wilde (também de BG3. A performance deles eleva o texto, que por vezes é um pouco expositivo, e dá vida aos irmãos Colwall – a família que você controla.

A direção de voz é consistente, e cada personagem tem uma personalidade sonora distinta. Deorcas, por exemplo, carrega um tom mais emotivo e dramático, enquanto os outros irmãos equilibram com perfis mais contidos. O problema, aqui, é que o texto em si nem sempre está à altura das atuações. Alguns diálogos soam um tanto genéricos, especialmente nas opções de resposta do protagonista, o que tira um pouco do brilho das cenas.

Jogabilidade: a tática em primeiro lugar

Aqui estamos no coração do jogo. Solasta II mantém a proposta de ser um simulador de regras de D&D, agora utilizando a revisão 5.2 da SRD (conhecida como 5R/2024) . O combate segue sendo baseado em grid, mas com uma camada de polimento: os personagens agora se movem de forma fluida entre os quadrados, graças ao novo sistema de pathfinding da Unreal, embora ainda ocupem tiles específicos para efeitos de área e posicionamento tático .

A versão de Acesso Antecipado permite evoluir até o nível 4, com seis classes disponíveis: Guerreiro, Ladino, Clérigo, Paladino, Mago e Feiticeiro, cada uma com opções de subclasse e multiclasse já liberadas desde o nível 2 . A multiclasse é uma adição bem-vinda para quem gosta de otimizar builds, algo que era pedido desde o primeiro jogo.

Uma das grandes novidades mecânicas é a implementação das “Proficiências com Armas” da nova regra. Cada arma agora tem uma habilidade especial atrelada – o martelo de guerra pode derrubar, a espada grande causa dano mesmo com ataque errado, e assim por diante . Isso adiciona uma camada tática interessante para as classes marciais.

O sistema de “Ready Action” (Ação Preparada) também foi expandido. Agora, é possível preparar não apenas ataques, mas também magias de alvo único e, futuramente, magias de área. Isso permite estratégias mais elaboradas, como curar um aliado no momento exato em que ele entra em alcance .

A exploração ganhou um novo mapa mundial em hexágonos, que lembra muito os jogos de tabuleiro modernos. Você move seu grupo por esse mapa, gastando pontos de movimento e enfrentando eventos aleatórios. É uma forma elegante de simular a jornada e a administração de recursos, já que longas viagens podem levar à exaustão se mal planejadas .

Dois pontos merecem ressalvas na jogabilidade. O primeiro é o desempenho: mesmo em máquinas mais parrudas, o jogo sofre com pequenos engasgos durante a transição de turnos e em áreas abertas . O segundo, e talvez mais crítico, é o sistema de mira com controle. A área de seleção é extremamente pequena e imprecisa, fazendo com que o jogador tenha que “varrer” a tela para acertar o inimigo desejado – um problema que pede uma solução urgente, como um botão de alternância de alvos.

História e narrativa: o laço familiar

A premissa de Solasta II é um dos seus diferenciais. Você não controla um grupo de aventureiros aleatórios, mas sim quatro irmãos adotivos que se reencontram no funeral da matriarca da família. Durante a cerimônia, um dos irmãos, Rickard, tenta um ato de necromancia que dá errado, e a party é lançada em uma missão para salvar a região de Neokos da corrupção de Shadwyn, uma poderosa antagonista dublada por Amelia Tyler .

É uma abertura eficiente e diferente da velha fórmula da “taverna” ou “prisão”. A dinâmica entre os irmãos, cada um com personalidades pré-definidas de acordo com a classe escolhida, cria diálogos internos interessantes. No entanto, a conexão emocional com esses personagens ainda é frágil. Diferente de um Baldur’s Gate 3, onde você descobre camadas dos companheiros aos poucos, aqui a relação é mais funcional do que afetiva. O texto constrói a ideia de família, mas falta um prólogo que mostre esses laços antes do conflito central para que o jogador realmente se importe .

Conclusão: vale a pena agora?

Solasta II em Acesso Antecipado é um prato cheio para os amantes de CRPG tático. O combate é refinado, a fidelidade às regras de D&D 5R é admirável e o salto gráfico é inegável. A dublagem de primeira linha e a premissa familiar trazem frescor à narrativa.

A Tactical Adventures tem um histórico de ouvir a comunidade, e com os ajustes certos, Solasta II tem tudo para ser um dos grandes nomes do gênero quando estiver finalizado.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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