Se você está cansado de jogos de sobrevivência que facilitam demais a experiência, SCUM pode ser o desafio que faltava na sua biblioteca. Desenvolvido pela Gamepires e publicado pela Devolver Digital, este jogo promete uma abordagem ultra-realista do gênero, misturando elementos de RPG, simulação corporal e PvP intenso. Mas será que ele entrega?
Gráficos: Beleza e Brutalidade nos Detalhes
Um dos primeiros pontos que chama atenção em SCUM é seu visual. O jogo utiliza o Unreal Engine 4 para criar um ambiente denso e detalhado, com florestas realistas, construções abandonadas e efeitos climáticos que realmente impactam a jogabilidade. A iluminação dinâmica e os reflexos na água são pontos altos, especialmente durante o nascer e pôr do sol.

No entanto, nem tudo são flores. Alguns modelos de textura podem parecer repetitivos, e em configurações mais baixas, o jogo perde um pouco do seu charme. Ainda assim, para um título focado em sobrevivência em mundo aberto, os gráficos cumprem bem o papel de imersão.
Sons: O Silêncio que Assusta e os Barulhos que Matam
A trilha sonora de SCUM é quase inexistente, e isso não é um defeito. A ausência de música constante aumenta a tensão, fazendo com que cada passo na mata, cada farfalhar de folhas ou grunhido distante seja motivo para parar e escutar. Os efeitos sonoros são bem trabalhados, desde o estalar de ossos ao correr até o som distinto de um zumbi se aproximando.
A dublagem, por outro lado, é limitada. Os diálogos de NPCs são raros e, quando existem, soam um pouco robóticos. Mas como o foco do jogo é a sobrevivência solitária ou em grupo, isso não chega a ser um problema grave.
Jogabilidade: Complexa, Realista e… Às vezes Frustrante?
Aqui está o cerne de SCUM. O jogo não tem medo de ser cruel com o jogador. Além dos habituais sistemas de fome, sede e saúde, você precisa gerenciar vitaminas, metabolismo, massa muscular e até a frequência com que seu personagem vai ao banheiro. Sim, defecar é parte da jogabilidade, e negligenciar isso pode levar a infecções ou perda de eficiência física.

O combate é outro ponto que divide opiniões. O sistema de mira é pesado, propositalmente lento, refletindo o cansaço e o preparo físico do personagem. Se você está acostumado com jogos mais ágeis como DayZ ou Rust, pode estranhar no começo. A curva de aprendizado é íngreme, mas recompensadora para quem persiste.
O PvP é implacável. Jogadores veteranos não terão piedade de novatos, e a progressão pode ser lenta se você não souber se virar. Felizmente, servidores privados oferecem experiências mais balanceadas, com regras que evitam o caos total.
História: O Que Sobrou do Enredo?
Diferente de outros survival games, SCUM tem uma premissa narrativa: você é um prisioneiro em uma ilha onde um reality show violento é transmitido para o entretenimento de espectadores. No entanto, essa história praticamente desaparece durante a jogatina. Não há missões estruturadas ou um arco narrativo claro, o foco está mesmo na liberdade de sobreviver, construir e lutar.
Para alguns, isso pode ser uma decepção. Para outros, é justamente o que faz o jogo brilhar, já que a ausência de roteiro rígido permite criar suas próprias histórias emergentes.

Conclusão: Vale a Penar Jogar SCUM?
SCUM não é um jogo para todos. Ele exige paciência, tolerância à frustração e disposição para aprender mecânicas complexas. Se você busca um survival puro, sem concessões, com gráficos sólidos e um sistema de simulação corporal único, ele é uma ótima pedida.
Por outro lado, se prefere uma experiência mais casual ou com narrativa mais presente, pode acabar se decepcionando. Ainda assim, com servidores ativos e uma comunidade dedicada, SCUM se mantém relevante para quem curte o gênero.
Se você topa o desafio, pode ser uma das experiências mais gratificantes (e estressantes) do survival moderno. Agora, se quer algo mais relaxado… melhor continuar na sua fazenda no Stardew Valley.
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