HomeReviewsReview: Dragonkin: The Banished – Hack’n’Slash com almas e talentos

Review: Dragonkin: The Banished – Hack’n’Slash com almas e talentos

Será que esse ARPG merece seu tempo e dinheiro? Vamos aos fatos.

Quando um jogo se propõe a entrar no concorrido mercado dos ARPGs hack’n’slash, a galera já compara na hora com DiabloPath of Exile e Last EpochDragonkin: The Banished chega com uma proposta interessante, trazendo elementos que funcionaram bem em outros títulos da mesma veia, mas será que ele consegue se destacar? Bora destrinchar essa porcaria direito, sem firula, e ver no que dá.

Gráficos e performance – o peso certo

Visualmente, Dragonkin: The Banished acerta em cheio em alguns pontos e peca levemente em outros. O estilo artístico puxa para um dark fantasy mais limpo, sem aquela sujeira toda de Diablo nem a poluição visual absurda do Path of Exile. Os efeitos de habilidade são chamativos, os dragões têm presença de cena e os cenários, apesar de repetitivos em alguns momentos, entregam uma ambientação sólida.

O grande trunfo aqui é a otimização. Diferente de muito jogo por aí que pesa a máquina sem necessidade, Dragonkin roda liso em configurações modestas. Não vi quedas bizarras de FPS mesmo com hordas enormes de inimigos na tela, e olha que testei em uma máquina de entrada. Parece que os devs aprenderam com os erros alheios e capricharam nesse aspecto. As localizações de pântano, no entanto, são meio chatas visualmente – os inimigos se misturam com o cenário e cansam a vista. Nada que atrapalhe a jogatina, mas incomoda depois de algumas horas.

Trilha sonora e efeitos – cumprem o papel

O som não é o ponto mais marcante do jogo, mas também não decepciona. Os efeitos de impacto são satisfatórios, principalmente quando você acerta golpes críticos ou ativa habilidades elementais. Dá pra sentir o peso dos ataques, o que é essencial num jogo desse gênero. A trilha sonora é genérica na maior parte do tempo – aquela música orquestrada de fundo que você nem percebe depois de um tempo – mas nos chefes ela ganha uma sobrevida, criando um clima mais tenso. As dublagens estão em inglês (com legendas em português, inclusive) e são competentes, sem aquela atuação forçada que tira a imersão.

Jogabilidade – o que funciona e o que incomoda

Agora vamos ao que interessa: como Dragonkin: The Banished se comporta nas mãos do jogador. E aqui a coisa fica interessante, mas também frustrante em alguns pontos.

O combate é snappy, responsivo. Você sente que o personagem obedece na hora, sem aquele delay flutuante que incomoda no Last Epoch. O suporte a WASD é um plus enorme para quem vem de jogos mais modernos, e a movimentação no geral é bem feita. O problema é que você vai passar 90% do seu tempo correndo. Os mapas são GIGANTESCOS – e não estou exagerando. Para um ARPG, que deveria ser sobre matar hordas e pegar loot, você acaba andando, andando e andando mais um pouco. O backtracking é ridículo de tão frequente, indo do ponto A ao B e voltando quase ao A repetidas vezes. A campanha se arrasta mais do que deveria para uma história tão simples.

Um ponto extremamente positivo é o DPS Tracker embutido. Quem joga ARPG sabe que skill descriptions muitas vezes não valem nada com tanto buff e debuff em cima. Aqui você pode ver em tempo real qual skill está dando quanto dano, qual elemento contribuiu mais, e ainda acompanhar dano recebido e cura. Dá para resetar a medição quando quiser. Isso é uma mão na roda para testar builds sem precisar ficar fazendo conta em planilha igual um maluco. Também dá para fixar qualquer stat na tela e ver ele atualizando ao vivo durante o combate – crit chance, resistências, o que você quiser.

O sistema de atributos permite reespecificação gratuita a qualquer momento. Isso é maravilhoso para experimentar sem medo de errar. Você também pode salvar até 4 loadouts diferentes para alternar entre builds rapidamente. O loot filter é nativo e bem feito, com opções de auto-destruição de itens indesejáveis.

Agora os contrapontos que me deixaram com a pulga atrás da orelha:

O sistema de progressão de personagem é entediante. Basicamente você aperta um botão para aumentar um talento, e a maioria dos ganhos é passiva e sem graça tipo “+5% de dano contra inimigos distantes”. Não existe aquela emoção de escolher entre opções realmente transformadoras. As hexas de upgrade de habilidades também são muito conservadoras – na maioria das vezes você vai pegar “maior área”, “4% mais dano” e coisas do tipo, raramente algo que mude a mecânica da skill como deixar uma área de veneno ou uma bomba temporizada.

O loot é outro ponto fraquíssimo. Itens únicos? Não existem. Tudo é basicamente a mesma coisa com stats diferentes. No endgame, sua escolha se resume a “esse item aumenta meu dano em 10%?” ao invés de algo que realmente redefine seu personagem. Itens lendários ou divinos continuam dando só atributos básicos como escudo, vida, esquiva e resistência. Dá para colocar runas depois, mas a base é sem graça.

Classes com gênero travado é algo que incomoda parte do público, mesmo que do ponto de vista de desenvolvimento seja compreensível. A personalização de personagem é praticamente nula.

História – dragões, mais dragões e tédio

A narrativa de Dragonkin: The Banished é fácil de entender, mas isso não quer dizer que seja boa. É o clássico “dragões estão vindo, oh não, precisamos pará-los” com poucos momentos de real interesse. Os chefes até têm mecânicas únicas e visuais legais, e os elites de caça apresentam comportamentos variados, mas a trama principal não segura ninguém. Você vai pular a maior parte dos diálogos depois das primeiras horas, pode confiar. A boa notícia é que dá para pular a campanha completamente se você só quer chegar no endgame e ver número subir – e francamente, é o que eu recomendo.

Conclusão – vale a pena ou não?

Dragonkin: The Banished é um jogo competente, polido, cheio de qualidades de vida bem-vindas como DPS tracker, stats fixáveis, respec gratuito e loot filter integrado. O combate é gostoso, a performance é boa e o preço é acessível para quem curte o gênero. Por outro lado, o endgame é fraco, o loot é sem graça, os mapas são grandes demais e a progressão do personagem não empolga. Se você pegar numa promoção boa (tipo 15 euros ou menos), dá para se divertir por umas 20 horas na campanha e mais algumas no endgame antes de cansar.

Recomendo? Sim, mas com ressalvas. Se você é fã do gênero e já jogou tudo quanto é Diablo-likeDragonkin vai te entreter por um tempo sem ser uma experiência inesquecível. Agora, se você só pode comprar um ARPG e quer algo que vá te prender por centenas de horas, vá de Path of Exile que ainda faz tudo melhor. Dragonkin é aquele joguinho de ARPG médio – tipo Van Helsing ou The Slormancer – que não vai roubar seu coração mas também não vai te fazer querer jogar o PC pela janela. Só não espere nada revolucionário. Pegue em sale e seja feliz.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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