HomeReviewsReview: Beyond the Ice Palace 2 – Clássico com alguns tropeços

Review: Beyond the Ice Palace 2 – Clássico com alguns tropeços

Nostalgia e Frustração num Pacote Pixelado

Lá estava eu, pronto para revisitar um mundo que marcou minha adolescência no Amiga. O original Beyond the Ice Palace tinha aquele charme obscuro de plataforma com alma, e confesso que a expectativa para esse segundo capítulo estava lá no alto. Pois bem, após algumas horas mergulhado nessa aventura, o sentimento é de montanha-russa emocional. O jogo acerta em cheio em certos aspectos, mas comete pecados capitais que qualquer desenvolvedor moderno deveria saber evitar. Vamos por partes, sem firula, do jeito que a comunidade gosta.

Gráficos: Um Banquete Visual de 16 Bits

Visualmente, Beyond the Ice Palace 2 é uma carta de amor à era 16 bits. O pixel art é caprichado, com uma paleta de cores que transita entre o gélido do título e tons mais soturnos que lembram Super Castlevania IV. As animações do personagem principal, especialmente quando ele usa a corrente, têm peso e fluidez — aquele balanço característico que faz você sentir cada golpe. Os cenários são variados, indo desde masmorras claustrofóbicas até picos montanhosos com neve caindo em camadas sobrepostas.

Porém, nem tudo são flores. Em alguns momentos, especialmente quando a tela fica poluída com muitos inimigos e efeitos de partícula, há uma leve perda de clareza. É difícil distinguir o que é plataforma do que é fundo, e isso custou algumas vidas desnecessárias. A direção de arte é consistente, mas falta um pouco de contraste em áreas específicas. Nada que quebre a experiência, mas que um olho mais treinado vai notar.

Sonoridade: Quando o Passado Bate à Porta

A trilha sonora é um ponto alto, principalmente para quem jogou o original. Quando aquele tema clássico de Beyond the Ice Palace surge como uma variação em uma fase específica, confesso que o coração esquenta. Os compositores entenderam a tarefa: criar atmosfera sem ser invasivo. Os sons ambientes — vento uivando, correntes rangendo, passos ecoando em calabouços — são bem trabalhados e ajudam na imersão.

O problema mora nos efeitos de combate. O som da corrente acertando inimigos é satisfatório no começo, mas se torna repetitivo após a centésima vez. Falta variedade nos grunts do personagem e nos impactos. Além disso, em algumas seções, o volume da música sobrepõe os alertas sonoros de inimigos se aproximando, o que é um descuido de mixagem. Nada que um ajuste manual não resolva, mas que demonstra falta de polimento final.

Jogabilidade: Corrente que Prende e Solta

Agora vamos ao que interessa, e aqui a coisa complica. Beyond the Ice Palace 2 se apresenta como um Metroidvania linear — se é que isso faz sentido. Você explora, coleta upgrades, volta em áreas anteriores para acessar novos caminhos. Tem cristais para melhorar status, uma corrente que funciona como arma principal e ferramenta de travessia. Até aí, tudo dentro do esperado.

O combate não é complexo, mas também não precisa ser. Você tem o golpe básico com a corrente, um ataque carregado de curto alcance e uma esquiva que te teleporta atrás do inimigo se você desviar no momento certo. Funciona. É funcional. O problema é a imprecisão dos controles em momentos críticos. A movimentação do personagem tem um certo delay, o pulo é mais flutuante que o ideal, e a esquiva às vezes não registra o input como deveria. Em plataformas que exigem precisão milimétrica, isso é frustrante.

E o que falar dos checkpoints? Simplesmente ridículos em alguns momentos. Tem trecho onde você morre para o chefe e volta literalmente quatro minutos de gameplay. Quatro minutos correndo por cenários repetidos, desviando dos mesmos inimigos, refazendo os mesmos pulos. Isso não é desafio, é desrespeito ao tempo do jogador. Em pleno 2026, um jogo que se preze tem que oferecer save points decentes ou pelo menos a opção de spawnar próximo à arena do chefe. O sistema de cura também é arcaico — inimigos droparem comida aleatoriamente era aceitável em 1990, hoje é preguiça de design.

A dificuldade é errática. As primeiras duas horas são quase um passeio no parque. Morri poucas vezes, bosses foram derrotados de primeira ou segunda tentativa. Do meio para o fim, o negócio endurece sem aviso. Inimigos com padrões mais agressivos, armadilhas em sequência, plataformas móveis com timming apertado. E aí, curiosamente, o penúltimo e último chefão são surpreendentemente fáceis. Cadê a coerência?

Outro ponto que incomodou foi a ausência de um mapa decente. O que existe é uma representação no estilo Castlevania antigo, mostrando seu ícone passando por fases, sem detalhamento de salas ou itens coletados. Você só consegue ver isso nas estações de upgrade, e ao menos permite teleporte entre elas. É melhor que nada, mas muito aquém do que o gênero consolidou como padrão.

História: Deliberadamente Vaga, E Tudo Bem

A narrativa não é o foco aqui, e o jogo não esconde isso. Você é um herói ressuscitado, precisa recuperar seu poder, enfrentar o que quer que esteja assombrando o tal palácio de gelo. Tem uns fantasmas, uns diálogos enigmáticos, referências ao original. Pra ser honesto, não atrapalha. Quem busca enredo profundo não é o público alvo. O charme está na atmosfera e na gameplay — ou pelo menos deveria estar.

Considerações Finais: Comprar ou Não Comprar?

Vamos ser diretos: Beyond the Ice Palace 2 é um jogo bonito, que respeita a memória do original e entrega momentos genuinamente divertidos. Quando a corrente conecta nos ganchos, quando você desvia de um ataque no último segundo e aplica o contra-atape, quando encontra um segredo escondido atrás de uma parede falsa — isso é gratificante. O problema é que os defeitos são grandes demais para ignorar.

A falta de checkpoints decentes é o principal assassino da diversão. Não é questão de “ficar bom no jogo”, é questão de design antiquado que confunde dificuldade com tedio. Some-se a isso controles um pouco imprecisos, um sistema de cura aleatório que não deveria existir em 2026, e uma curva de dificuldade que parece ter sido decidida no lançamento de um dado.

Recomendo o jogo? Sim, mas com ressalvas. Se você é fã do original ou sente falta dos plataformas da era SNES com pegada Castlevania, vai encontrar valor aqui. O preço cheio, no entanto, é difícil de justificar. Espere uma promoção — uns quinze dólares é um valor justo pelo que entrega. E se prepare para xingar quando morrer perto do final do estágio e voltar lá do começo. Sério, isso é f*cking ridículo.

No fim das contas, Beyond the Ice Palace 2 é um jogo que acerta no coração mas erra na mão. Tem alma, tem estilo, tem bons momentos. Só não tem paciência com o jogador. E num mercado tão competitivo, isso pesa. Vale a experiência? Para os saudosistas, sim. Para quem busca um Metroidvania refinado e justo, melhor procurar em outro lugar.

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RPS Games
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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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