Quando o Ys X original aportou no ocidente, muita gente (inclusive eu) ficou na espreita, segurando o hype na esperança de uma versão definitiva. Afinal, a Nihon Falcom tem um histórico conhecido de lançar edições aprimoradas, e confesso que estava esperando exatamente essa âncora chamada Proud Nordics para finalmente mergulhar nessa aventura. Agora, com dezenas de horas de navegação e combate nas costas, dá pra ter uma visão bem clara do que esse pacote completo oferece. A pergunta que fica é: essa nova edição justifica a fama da série e, principalmente, o investimento?
Gráficos e Apresentação
Tecnicamente, Ys X: Proud Nordics não vai redefinir o que você espera de um jogo triple-A moderno, mas entrega exatamente o que um bom título da Falcom deve oferecer: identidade visual e direção de arte competentes. O salto do nono título para este décimo é perceptível, principalmente na iluminação. Os cenários marítimos são o grande destaque, com um uso de cores que varia muito bem entre a calmaria de um pôr do sol em alto-mar e a tensão de áreas tomadas por névoas densas. A modelagem dos personagens, especialmente Adol e a nova protagonista Karja, mantém o traço característico da série, com expressões faciais que, embora não sejam hiper-realistas, comunicam bem as emoções durante os diálogos.

No entanto, em termos de desempenho, a versão para PC (que é a que testei) se comporta de maneira sólida. A taxa de quadros se mantém estável mesmo nas confusões navais, e os tempos de carregamento são bastante reduzidos, o que é uma bênção para quem, como eu, gosta de ficar entrando e saindo de áreas para caçar segredos. Há quem diga que a paleta de cores poderia ser mais vibrante em algumas regiões, mas no geral, o jogo é bonito dentro da proposta e do orçamento que se propõe a atingir.
Som e Trilha Sonora
Chegamos a um ponto crucial e um pouco controverso. A série Ys é conhecida por suas trilhas sonoras eletrizantes, capitaneadas pelo lendário J.D.K. Band. Em Proud Nordics, as faixas são tecnicamente boas e cumprem o papel de embalar os momentos de exploração e combate. O problema? Elas não grudam na cabeça. Diferente de Ys VIII que tinha temas memoráveis como “Sunshine Coastline”, aqui as músicas parecem estar num plano de fundo mais discreto, como se estivessem “tímidas” na mixagem. Elas não incomodam, mas também não empolgam na mesma medida que nos capítulos anteriores.
Por outro lado, a dublagem (disponível em japonês) mantém o padrão altíssimo da Falcom. As vozes dos novos personagens, incluindo a dupla inédita que surge nessa versão, casam perfeitamente com suas personalidades. Os efeitos sonoros durante as batalhas, especialmente o “clic” satisfatório do escudo no momento do just guard, são precisos e dão o retorno auditivo necessário para acertar o timing das defesas.
Jogabilidade: O Coração da Experiência
Aqui é onde Ys X: Proud Nordics realmente mostra a que veio. O sistema de combate “Cross Action” já existia no original, mas a sensação de jogar com a dupla Adol e Karja é refinada nessa versão. A dinâmica de alternar entre o Modo Solo (mais rápido, focado em dano e esquiva) e o Modo Combinado (dois personagens, mais pesado e defensivo) é simples e genial. Diferente dos títulos antigos com festas de 4 ou 5 personagens, ter apenas dois heróis na tela simplifica a estratégia sem tirar a profundidade. Você não fica mais preocupado com seu parceiro morrendo nas suas costas, já que o personagem inativo é invulnerável — uma decisão de design que tira um peso enorme das costas do jogador e deixa a ação mais limpa.

A novidade fica por conta dos conteúdos extras. Os novos inimigos “infectados” e os cristais que aceleram o domínio das habilidades quebravam um galho enorme para quem, como eu, quer testar builds diferentes sem passar horas farmando. O sistema de navegação, que no lançamento original era apenas “ok”, aqui ganha um tempero a mais com as melhorias de artefatos e a nova ilha, que adiciona um punhado de horas de exploração vertical que lembra muito a pegada de Ys IX.
O combate naval, ou “Marítimo”, ainda é o elemento mais simples do pacote. Não espere a complexidade de um Assassin’s Creed: Black Flag. As batalhas de navio funcionam mais como um “flavor”, um tempero para quebrar a rotina da exploração a pé. Felizmente, o volume delas é medido na medida certa: estão presentes o suficiente para serem divertidas e virarem uma novidade, mas não tantas a ponto de se tornarem uma tarefa árdua.
História e Narrativa
A trama de Ys X é, curiosamente, uma das mais “leves” da série, pelo menos na superfície. Acompanhamos Adol e a tribo dos Normand em uma aventura que abraça o espírito de exploração de uma forma quase inocente. Diferente da atmosfera densa e um pouco claustrofóbica de Ys IX (que se passava basicamente em uma única cidade), aqui o mar aberto traz uma sensação de liberdade e otimismo contagiante. Adol parece genuinamente feliz, e isso transparece nas interações.
Nesta versão Proud Nordics, a adição da nova dupla de personagens não é meramente cosmética. Eles se integram à narrativa principal de forma orgânica, servindo tanto como contraponto para Adol e Karja quanto como uma ferramenta para explorar o passado do aventureiro ruivo. Para os fãs que conhecem a cronologia, saber que Ys X se passa antes de Celceta (que provavelmente será o próximo remaster) torna esses acréscimos ainda mais interessantes. E para quem está chegando agora, a história se sustenta sozinha: tem conflitos claros, reviravoltas previsíveis mas bem executadas, e um pós-game que vai fazer o coração de qualquer veterano bater mais forte.

Conclusão: Vale a Pena?
Tecnicamente falando, Ys X: Proud Nordics é a versão definitiva do jogo. Se você é um marinheiro de primeira viagem e nunca jogou o Ys X original, a resposta é simples: compre sem medo. É um jogo de ação com uma curva de aprendizado justa, um mundo gostoso de explorar e uma história que prende do começo ao fim. A sensação de aventura pura é algo que poucos jogos conseguem entregar hoje em dia, e aqui ela está presente em cada nova ilha descoberta.
Agora, é impossível não abordar a questão comercial. Para quem já comprou o jogo base, a chegada de Proud Nordics como um título separado, cobrado novamente (ainda que com desconto para quem já possui a versão anterior), é um golpe duro. As adições, embora qualitativas, são do tipo que poderiam tranquilamente ser um DLC de expansão. A nova ilha, os desafios pós-game e os ajustes de qualidade de vida são ótimos, mas não chegam a justificar um preço de jogo novo para quem já viu os créditos finais. É uma prática de mercado que, infelizmente, mancha um pouquinho o brilho de um produto que, por si só, é excelente. Dito isso, como produto final, é uma recomendação facíl para qualquer amante de JRPG. Só depende de qual lado do balcão você está sentado.
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