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Review: Underground Garage – Muito Potencial, mas…

Se você é fã de jogos de mecânica e tuning, é provável que já tenha esbarrado no nome Underground Garage em algum canto da internet. O jogo chega com uma proposta clara: unir a liberdade de construir seu próprio carro do zero com a emoção de corridas de rua. Mas será que entrega? Bom, a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. Vamos por partes, começando pelos gráficos, que já entregam o primeiro choque de realidade.

Gráficos: Simples, mas com personalidade

Visualmente, Underground Garage não vai competir com os gigantes do gênero. Os modelos dos carros são razoáveis, com um nível de detalhe que lembra títulos de orçamento apertado – e aqui vale lembrar que os desenvolvedores, os Bearded Brothers, trabalham com um orçamento baixo, baixo mesmo. As texturas são simples, os cenários das corridas são funcionais sem serem bonitos, e há uma certa rigidez nas animações.

Por outro lado, o que falta em polimento sobra em estilo. A interface remete aos tunings underground dos anos 2000, com fontes agressivas e menus escuros. Dá pra sentir que houve preocupação estética, mesmo que os recursos fossem limitados. Em certos momentos, principalmente na garagem, o jogo até que se sai bem. Mas não espere reflexos realistas ou iluminação dinâmica – aqui é o básico bem intencionado.

Som: O que tem de simples tem de funcional

A parte sonora é outro ponto que divide opiniões. Os motores têm um rugido genérico, sem muita variação entre os veículos, o que tira um pouco da imersão pra quem é mais entusiasta. Os efeitos de batidas, derrapagens e ambientação da rua são ok, nada que vá incomodar, mas também nada que empolgue. A trilha sonora existe, mas é discreta – o tipo de música que você acaba ignorando depois de alguns minutos. Onde o som peca mesmo é na falta de feedback auditivo mais refinado durante os reparos. Sabe aquele som satisfatório de uma catraca apertando o parafuso certo? Não tem. É mais seco, direto ao ponto. Pra um jogo que se propõe a simular a experiência de montar um carro peça por peça, esse silêncio mecânico faz falta.

Jogabilidade: A promessa mais frustrada

Aqui é onde o bicho pega. A jogabilidade de Underground Garage tem lampejos de genialidade, mas é constantemente sabotada por bugs e decisões questionáveis. A ideia central é fantástica: você pode literalmente construir um carro do zero, escolhendo peças, ajustando performance e levando pra pista. É o melhor dos dois mundos: quem curte a parte de oficina vai passar horas desmontando e remontando motores, e quem quer correr tem um modo de corrida que, embora básico, cumpre o papel – e olha que é melhor do que Car Mechanic Simulator, que te limita a drag races sem graça.

O problema é a execução. A física dos carros é estranha, com uma sensação de peso irreal e respostas lentas na direção. As corridas são simples demais, quase arcade, o que pode desapontar quem busca realismo. Mas o verdadeiro inimigo aqui são os bugs. E não são poucos. Missões principais que não progridem porque o jogo não reconhece que você terminou o reparo. Carros que visualmente estão com uma roda faltando mas o sistema insiste que estão completos. A aba de tab que abre quando quer – e quando não quer, te deixa perdido no menu. Já aconteceu comigo de terminar de restaurar um veículo, o jogo dizer que ele tá pronto, e na hora de vender… nada. O carro simplesmente some ou fica eternamente encostado na garagem. Fora os spawns de carros que você não pode desmontar completamente, ocupando espaço à toa.

E ainda tem a história. Sim, existe uma tentativa de narrativa ali. Você começa como um mecânico de fundo de quintal tentando subir na vida, e aos poucos vai ganhando respeito no submundo das corridas. Não espere reviravoltas ou diálogos memoráveis – é básico, quase um tutorial glorificado. Mas cumpre o papel de dar um mínimo de propósito, o que já é mais do que muitos simuladores de mecânica oferecem.

Precisa de muito trabalho, mas o potencial é real

Agora a conclusão que ninguém quer ouvir mas todo mundo precisa: Underground Garage não está pronto para lançamento completo. E olha que eu torço muito pelos Bearded Brothers. Dá pra ver que existe amor no projeto, que não é um daqueles cash grabs sem alma que lotam a Steam. O conceito de construir, tunar e correr é viciante quando funciona. A possibilidade de multiplayer – que ainda não tá implementada – seria um divisor de águas, especialmente se desse pra vender carros pra outros jogadores ou trocar peças raras que não se encontram nas lojas. Isso sim seria um diferencial e tanto.

Mas a realidade é dura: os bugs são frequentes demais, a física é capenga, e a experiência fica comprometida pra quem não tem paciência de gamer veterano acostumado a jank. Dito isso, eu até recomendo o jogo, mas com ressalvas gritantes. Não compre por preço cheio. Espere uma promoção boa – algo na faixa dos 10 a 15 euros, de preferência num pacote com Biker Garage como alguns espertos por aí conseguiram. Se você ama jogos de mecânica e tem tolerância alta pra problemas técnicos, vai encontrar diversão genuína aqui. Se você quer algo polido, espere atualizações – se elas vierem.

Underground Garage é a definição de “diamante bruto”. Tem brilho, mas tá coberto de terra. Com correções e adições de qualidade de vida, pode superar todos os concorrentes do gênero. Por enquanto, é uma promessa que sobrevive na base da boa vontade. Eu quero acreditar que os Bearded Brothers vão dar o carinho que esse game precisa. Porque, no fundo, é disso que ele está precisando: cuidado. E muito café. E alguns meses de correção de bugs.

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RPS Games
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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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