Chegou a hora de voltar a Rieze Maxia! Para muitos fãs de JRPG, a espera por um relançamento de Tales of Xillia foi longa, e finalmente temos Tales of Xillia Remastered nas nossas mãos. Este jogo, que originalmente marcou o 15º aniversário da série Tales, sempre foi um título querido, e agora surge numa roupagem atualizada para uma nova geração de consoles. Mas será que esta versão Remastered consegue capturar a magia do original enquanto justifica a sua existência para os novos jogadores? Vamos mergulhar fundo nos seus gráficos, sons, jogabilidade e história para descobrir.
Gráficos: Um Upgrade Sólido, Mas Sem Revoluções
Vamos ser diretos: ninguém deve esperar uma reconstrução completa dos visuais ao estilo de um remake. Tales of Xillia Remastered foca-se num upgrade de resolução e numa limpeza geral de texturas. O resultado é bastante positivo. Os modelos de personagens, que sempre foram um ponto forte da série com seu estilo anime característico, estão mais nítidos e definidos do que nunca. As cenas em anime, é claro, continuam lindíssimas e impecáveis.

O mundo exterior e as dungeons, no entanto, mostram um pouco a idade do jogo. Embora as texturas estejam visivelmente mais limpas e os efeitos de iluminação tenham recebido um polimento, a geometria dos ambientes e alguns dos cenários mais vazios denunciam as origens da sétima geração. É uma melhoria inegável em relação à versão de PS3, mas não é algo que vai tirar o fôlego de quem está acostumado com títulos modernos. Um ponto alto técnico é a taxa de frames, que é travada de forma consistente em 60fps, tornando a experiência de jogo, especialmente em combate, incrivelmente fluida. No Steam Deck, o jogo parece se sentir em casa, rodando suavemente e sendo uma opção perfeita para jogar portátil.
Sons: Trilha Sólida e Dublagem Marcante
A banda sonora de Motoi Sakuraba, compositor veterano da série, é como sempre competente. Ela alterna entre temas tranquilos e elegantes para os momentos de exploração e peças intensas e cheias de energia para as batalhas. Há um uso interessante de sintetizadores e até uns toques de jazz em algumas faixas, o que dá uma personalidade única à trilha sonora de Xillia. Não é necessariamente a trilha mais memorável da série, mas cumpre seu papel com maestria e se encaixa perfeitamente no tom de cada cena.
A dublagem em inglês é um tópico interessante. A atuação em si é forte, com performances carismáticas que dão vida ao elenco. No entanto, a mixagem de áudio as vezes peca um pouco, com as vozes soando um tanto separadas da trilha sonora e dos efeitos sonoros em certos momentos. É uma questão menor, mas perceptível para ouvidos mais atentos. Os fãs vão reconhecer vozes familiares como a de Matthew Mercer, cuja participação aqui ficou marcada na memória de muitos. Os “Skits”, aquelas conversas curtas e opcionais entre os personagens, continuam sendo um dos grandes charmes da série, repletos de personalidade e humor, e são totalmente dublados.
Jogabilidade: A Alma do JRPG com Qualidade de Vida
A jogabilidade é onde Tales of Xillia Remastered realmente brilha, e os desenvolvedores souberam adicionar funcionalidades modernas que elevam a experiência. O combate, baseado no sistema “Dual Raid Linear Motion Battle System”, continua sendo um dos mais aclamados pelos fãs. É um sistema de ação em tempo real, rápido e profundamente tático. O jogador controla diretamente um personagem, enquanto os outros são comandados por IA, com comportamentos que podem ser minuciosamente configurados.
O grande destaque é o sistema de “Links”. Você pode escolher um parceiro para se ligar ao seu personagem principal. Isso não só permite ataques coordenados e a oportunidade de flanquear inimigos para bônus de dano, mas também desbloqueia poderosíssimos ataques combinados, os “Linked Artes”. A sensação de executar uma longa sequência de golpes em conjunto com seu parceiro é incrivelmente satisfatória. A progressão de habilidades também é bem elaborada, com a “Lilium Orb” oferecendo um caminho de customização que lembra uma Esfera de Grid, permitindo que você molde cada personagem de acordo com seu estilo de jogo.

Fora do combate, as melhorias de qualidade de vida são notáveis. A adição de um sistema de save em qualquer lugar do mapa é uma mão na roda, especialmente numa era onde o tempo de jogo é mais fragmentado. A loja de GRADE, acessível desde o início, é outra adição fantástica. Com ela, você pode usar pontos acumulados para ativar modificadores que tornam o jogo mais fácil (como experiência em dobro) ou mais desafiador, permitindo uma experiência personalizada. A função de “encontrar inimigos” é um salva-vidas para quem quer focar na história sem interrupções constantes.
A exploração do mapa também foi enriquecida. O mini-mapas agora está repleto de ícones claros que indicam inimigos, baús e pontos de interesse, eliminando muita da adivinhação da exploração. O mundo tem uma vertente vertical bem aproveitada, com diferenças de altura claramente marcadas, incentivando o jogador a investigar cada canto. O sistema de desenvolvimento de lojas, onde você coleta materiais para “investir” e desbloquear itens melhores, é um mecanismo de feedback gratificante que te incentiva a ser um coletor compulsivo.
História: Uma Narrativa de Duas Perspectivas
A premissa narrativa de Tales of Xillia sempre foi um de seus maiores chamarizes: a possibilidade de jogar a campanha principal através das perspectivas de dois protagonistas. Você pode escolher entre Jude Mathis, um estudante de medicina idealista, ou Milla Maxwell, a autoproclamada Senhora dos Espíritos. Embora a trama central seja essencialmente a mesma, a escolha do protagonista altera significativamente a percepção dos eventos. Cenas cruciais são vistas de ângulos diferentes, e o desenvolvimento interno de Jude e Milla ganha camadas extras quando você experimenta a história pelos seus olhos.
A narrativa em si é um JRPG clássico, lidando com temas de coexistência entre humanos e espíritos, os perigos da tecnologia descontrolada e o peso da responsabilidade. O elenco de personagens é diverso e cativante, cada um com seus próprios motivos e bagagem emocional que se entrelaça com a trama principal. O final, sem entrar em spoilers, é conhecido por ser emocionalmente carregado e deixar certas pontas soltas, algo que a sequência, Tales of Xillia 2, veio para abordar. É importante notar que este Remastered não adiciona conteúdo novo à história ou altera seu desfecho, mantendo a narrativa fiel à visão original.
Problemas Técnicos: Uma Sombra no Retorno
Infelizmente, nem tudo são flores. Esta versão Remastered não está isenta de problemas técnicos. Alguns jogadores relataram, e eu mesmo encontrei, instâncias esporádicas de bugs, incluindo telas pretas momentâneas e, em casos raros, crashes. A boa notícia é que o sistema de save automático e a capacidade de salvar em qualquer lugar mitigam grandemente o impacto desses problemas, mas a ocorrência deles pode ser frustrante. A tradução para o português, embora bem-vinda, contém alguns erros de localização e texto que não foi adaptado, o que pode quebrar a imersão em momentos pontuais.

Conclusão: Vale a Pena a Jornada?
Tales of Xillia Remastered é um pacote sólido e, na maior parte, bem-sucedido. Ele pega um JRPG clássico e muito amado, aplica um polimento visual necessário e introduz uma série de funcionalidades modernas que melhoram significativamente o ritmo e a acessibilidade. O combate continua espetacular, a história de dupla perspectiva é cativante e o elenco é memorável.
Os problemas técnicos são uma mancha em uma experiência otherwise fantástica, mas não são frequentes o suficiente para arruiná-la completamente. Se você é um fã da série Tales que ansiava por revisitar este clássico no hardware moderno, ou um novato curioso para experimentar um dos JRPGs mais respeitados da era PS3, a resposta é um retumbante “sim”. A recomendação é fácil. Tales of Xillia Remastered é uma jornada que vale cada momento, um testemunho do porque esta série conseguiu cativar tantos jogadores ao longo dos anos. Agora é torcer para que a Bandai Namco traga a sequência, Tales of Xillia 2, para completar a experiência.
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