Quando se fala em jogos cooperativos, a linha entre o sucesso e o fracasso muitas vezes reside na capacidade de equilibrar desafio e diversão. S.E.M.I. – Side Effects May Include… chega com uma proposta ousada: misturar puzzles intrincados com um sistema de “efeitos colaterais” que promete virar a experiência de cabeça para baixo a qualquer momento. Após passar algumas boas horas explorando o que o jogo tem a oferecer, dá para ter uma visão bem clara dos seus acertos e dos pontos onde ele ainda tropeça.
Gráficos e Estilo Visual
A primeira impressão que se tem é a de um estilo visual propositalmente estranho, mas que, por algum motivo, acaba cativando. A ambientação remete a laboratórios e instalações clínicas, mas com uma distorção quase psicodélica que combina perfeitamente com a premissa. Os modelos dos personagens são simples, mas funcionais, e as animações conseguem transmitir bem a confusão que se instaura quando os tais efeitos colaterais começam a agir. Não espere aqui um realismo de ponta ou texturas ultra refinadas; o foco do jogo é o charme visual e a coerência temática. Alguns cenários são mais escassos em detalhes, o que pode dar uma sensação de vazio em certos momentos, mas no geral, a direção de arte segura a onda e cria uma identidade própria. A falta de algumas opções de ajuste, como desligar o motion blur ou alterar o campo de visão (FOV), chega a ser sentida, especialmente para jogadores mais sensíveis, mas no aspecto puramente estético, o jogo cumpre o que promete.

Trilha Sonora e Efeitos
No quesito sonoro, S.E.M.I. acerta em cheio na imersão. Os efeitos sonoros são nítidos e ajudam a identificar o que está acontecendo ao redor, desde o som de uma máquina sendo ativada até o “bip” característico de uma nova pílula sendo ingerida. A trilha sonora acompanha o clima de tensão cômica, alternando entre momentos de mistério e faixas mais agitadas que refletem o caos na tela. Os diálogos e sinais sonoros que indicam os efeitos colaterais são claros e bem integrados. É um trabalho competente que, mesmo sem ser revolucionário, cumpre seu papel de dar suporte à jogabilidade sem se tornar repetitivo ou cansativo.
Jogabilidade: O Coração Caótico do Jogo
É aqui que a experiência realmente acontece. A premissa é engenhosa: você e seus colegas são “testadores” que devem consumir pílulas para adquirir habilidades (os efeitos colaterais) e resolver puzzles. O problema – e a graça – é que você nunca sabe exatamente o que vai acontecer. Um efeito pode te deixar gigante para alcançar um lugar alto, enquanto outro pode simplesmente inverter os controles do seu amigo no pior momento possível.

A sensação é de um equilíbrio frágil entre estratégia e bagunça. Em alguns momentos, você precisa aguardar pacientemente pela pílula certa, o que pode gerar um certo tempo de espera. Em outros, o caos é tamanho que a única saída é rir da situação. Os puzzles são bem pensados, mas exigem comunicação constante. Aliás, é importante frisar: jogar sozinho aqui pode ser uma experiência frustrante. Alguns desafios, especialmente os níveis de “Terapia”, parecem ter sido projetados exclusivamente para duas ou mais cabeças pensando (e se atrapalhando) juntas. A rejogabilidade, infelizmente, é quase nula. Após concluir os desafios, o fator surpresa se perde, e a graça está justamente na primeira vez que você descobre o que cada efeito vai causar no grupo.
História e Narrativa
A narrativa em S.E.M.I. é mais um pano de fundo do que um protagonista. Existe uma premissa envolvendo testes clínicos e uma corporação duvidosa, mas ela serve muito mais como desculpa para o caos que se segue do que como um enredo profundo a ser seguido. A história avança conforme você progride nos laboratórios e desbloqueia novas áreas, mas não espere reviravoltas emocionantes ou um desenvolvimento complexo de personagens. O foco aqui é, sem dúvida, a jogabilidade e a interação entre os jogadores. A narrativa é funcional e suficiente para amarrar os eventos, mas dificilmente será o motivo pelo qual você vai querer continuar jogando.

Conclusão: Vale a Pena?
S.E.M.I. – Side Effects May Include… é aquele tipo de jogo que acerta na ideia e diverte muito enquanto dura. A execução dos efeitos colaterais é criativa e garante boas risadas, especialmente se você tiver um grupo de amigos dispostos a encarar o caos. A ausência de bugs que quebrem a experiência é um ponto muito positivo, mostrando uma estabilidade técnica bacana.
No entanto, existem ressalvas importantes. O jogo precisa urgentemente de opções de acessibilidade, como ajustes para evitar motion sickness, e uma calibragem melhor nos efeitos, já que alguns parecem existir apenas pela comédia, sem utilidade prática. Além disso, a falta de achievements para todos os jogadores em alguns modos e a rejogabilidade próxima de zero são fatores que pesam na balança.
Dito isso, a recomendação é sim, positiva. É um jogo para um “sábado à noite” com os amigos, daqueles que você joga, se diverte, dá boas gargalhadas e provavelmente não vai rejogar tão cedo. A diversão durante as primeiras 4 a 5 horas é garantida, e o desafio final pode ser surpreendentemente puxado (no bom sentido). Se você busca uma experiência cooperativa descompromissada e cheia de momentos inesperados, vale o investimento. Só não espere um jogo para durar meses.
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