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Review: Grind Survivors – Potencial Bruto

Quando a gente fala de um clone de Vampire Survivors, o mercado já tá tão saturado que qualquer novidade precisa, no mínimo, trazer uma identidade visual forte ou uma mecânica que se destaque. Grind Survivors aposta suas fichas em uma estética puxada pro Doom e Darksiders, com uma pegada meio infernal, armas pesadas e uma proposta de progressão que mistura loot aleatório com uma árvore de talentos fixa.

Gráficos e Direção de Arte

Visualmente, o jogo entrega. Não tem como negar. A direção de arte é coesa, os cenários carregam aquela vibe de planos inferiores corrompidos, e os inimigos, embora repitam muito os mesmos modelos entre os três mapas, têm um design que conversa bem com a proposta. As animações dos personagens são fluidas, os efeitos de partículas quando você dispara uma arma como a Teslagun enchem a tela sem necessariamente poluir a visão — o que é um ponto crucial nesse gênero. Os bosses, mesmo sendo reutilizados com mudanças de cor no primeiro e segundo mapa, têm ataques distintos a partir do terceiro cenário, o que mostra que houve cuidado, mas também que o orçamento ou o tempo de desenvolvimento foram limitados.

Do ponto de vista artístico, é um jogo que se sustenta. A identidade visual é forte o suficiente pra te fisgar logo nos primeiros minutos. Quem curte essa pegada mais pesada, com direito a cenários que lembram Quake e Doom em versão 2.5D, vai se sentir em casa.

Trilha Sonora e Ambientação Sonora

A trilha sonora é, pra ser direto, um dos pontos mais acertados. As músicas carregam uma atmosfera densa, com synth pesadas e batidas que aceleram nos momentos de maior pressão. É o tipo de trilha que você não percebe no início porque ela casa tão bem com a ação que vira parte do ritmo do jogo. A crítica fica por conta da variedade: faltam algumas faixas extras pra quebrar a repetição, especialmente quando você começa a fazer runs longas no modo Endless, onde o loop pode passar facilmente da casa dos 40 minutos.

Os efeitos sonoros cumprem o papel. Armas têm estouros distintos, inimigos têm sons de alerta, e os elites anunciam sua presença de forma audível. Não há nada inovador, mas também não há nada que atrapalhe a experiência.

Jogabilidade e Sistemas

A estrutura de Grind Survivors gira em torno de runs onde o jogador controla um herói em arenas fechadas, enfrentando hordas crescentes de inimigos. A principal diferença em relação a outros títulos do gênero está na forma como os upgrades são obtidos: ao invés de ganhar novas armas ou habilidades automaticamente com o passar do tempo, aqui os inimigos derrotados deixam cair armas no chão, que precisam ser coletadas manualmente. Isso adiciona uma camada de gestão de movimento, já que o jogador precisa se deslocar até os itens enquanto lida com os inimigos ao redor.

Cada arma possui seu próprio nível e atributos aleatórios, podendo ser trocada a qualquer momento durante a run. Existem armas de diferentes categorias — como a Teslagun, que causa dano em cadeia, ou opções como a Sawgun e o revólver, cada uma com seu padrão de disparo e alcance específico. Durante a partida, o jogador também acumula experiência para subir de nível, o que concede acesso a perks que funcionam como modificadores de build. Esses perks afetam desde estatísticas básicas — como dano, velocidade de projétil, ricochete e penetração — até efeitos mais específicos como ativação de status ou sinergias entre habilidades.

O sistema de sinergias entra em ação quando certos perks são combinados, gerando efeitos adicionais que são exibidos na interface apenas quando o jogador está prestes a selecionar um perk complementar. Caso a sinergia já esteja ativa, ela fica destacada; caso contrário, não há indicação prévia de quais combinações são possíveis, exigindo que o jogador memorize ou teste as interações.

Há também um sistema de runas, que são ativadas antes do início da partida e oferecem modificadores globais, como redução de velocidade dos inimigos ou aumento de dano contra alvos sob efeito de maldição. Os heróis disponíveis possuem habilidades ativas únicas, sendo que cada um apresenta uma mecânica distinta — alguns focados em dano direto, outros em utilidade ou sobrevivência.

O controle durante a seleção de perks utiliza o teclado WASD para movimentação, e ao abrir o menu de escolha de habilidades, o personagem interrompe momentaneamente o deslocamento até que os botões de movimento sejam pressionados novamente.

Progressão

A progressão em Grind Survivors acontece em múltiplas camadas. Existe uma árvore de talentos passiva permanente, acessada fora das runs, que concede melhorias estruturais como aumento de slots para runas, incrementos em estatísticas básicas de todos os personagens e desbloqueios de habilidades iniciais. Esses talentos são adquiridos com um recurso chamado dust, obtido ao derrotar chefes e inimigos de elite durante as partidas.

Além disso, o jogador desbloqueia novos heróis, armas e runas ao cumprir conquistas específicas dentro do jogo. Essas conquistas variam entre eliminar certos tipos de inimigos um número determinado de vezes, completar runs com durações específicas ou atingir certos marcos de dificuldade. Os mapas são liberados de forma sequencial: é necessário completar os níveis de dificuldade do primeiro mapa para acessar o segundo, e assim sucessivamente, até chegar ao terceiro cenário e ao modo Endless.

O sistema de loot também escala conforme a dificuldade. Armas encontradas em dificuldades mais altas ou no último mapa possuem níveis de poder superiores, o que centraliza a busca por equipamentos otimizados nas runs de maior desafio. Cada arma vem com modificadores aleatórios que afetam seu desempenho, e não há mecanismo para re-rolar esses atributos, sendo necessário encontrar novas cópias da mesma arma para obter combinações diferentes.

Durante as runs, o jogador pode utilizar um sistema de re-rolagem de perks, permitindo trocar as opções disponíveis por um custo de recursos. No entanto, não há funcionalidade para banir ou bloquear permanentemente certos perks do pool de opções. No modo Endless, onde é possível selecionar o mesmo perk múltiplas vezes para acumular seus efeitos, essa ausência impacta a previsibilidade da construção da build.

O Codex do jogo funciona como um repositório de informações, mas não inclui um bestiário com detalhes sobre inimigos, suas resistências ou as condições específicas exigidas para certos desbloqueios. Os requisitos para conquistas — como eliminar um inimigo chamado Baldur com ataques de raio ou completar o desafio “Quad Barrel” — não possuem indicação clara de onde ou como executá-los dentro do ambiente do jogo.

História

Não há. O jogo entrega uma ambientação, mas não se propõe a contar uma narrativa. Pra um título desse gênero, não é exatamente um problema, mas quem espera qualquer tipo de contexto ou motivação além de “mate tudo” vai sair de mãos vazias.

Conclusão: Vale a Pena?

Grind Survivors é um jogo de extremos. Visualmente, é competente. Musicalmente, acerta em cheio. A ideia de ter que correr atrás de armas no mapa é uma variação bem-vinda no gênero. Mas o desequilíbrio entre personagens e armas, a curva de dificuldade mal ajustada e a falta de polimento em aspectos básicos de UI/UX seguram o que poderia ser um dos grandes nomes do nicho.

Se você é fã do gênero e curte uma pegada visual mais pesada, vai encontrar boas horas de diversão — eu mesmo joguei cerca de 20h antes de começar a sentir a repetição bater forte. Mas o preço cheio pesa. A sensação é de que os desenvolvedores jogaram seguro, sem arriscar em mecânicas mais profundas ou em diversidade real entre as runs.

É um prato que mata a fome, mas não fica na memória.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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