Quem cresceu na época dos arcades ou passou horas tentando fechar combos infinitos em jogos como Tony Hawk’s Pro Skater provavelmente sente falta daquela adrenalina de juntar pontuação, fluidez e muito estilo. Foi exatamente esse sentimento que me despertou a curiosidade quando vi os primeiros trailers de Denshattack. A premissa é no mínimo inusitada: e se você pudesse controlar um trem, mas ao invés de apenas seguir os trilhos, pudesse fazê-lo grinar, pular e flutuar como um skatista em um mundo inspirado no visual mais vibrante do Japão?
Após testar a demo disponível na Steam, posso afirmar que a experiência é, no mínimo, promissora. E digo mais: mesmo sendo apenas um aperitivo do que está por vir, o jogo já entrega uma personalidade fortíssima.

A Direção de Arte e o Estilo Visual
A primeira coisa que salta aos olhos em Denshattack! é, sem dúvidas, a direção de arte. O jogo aposta em um estilo cel-shaded (aquele traço que simula desenho animado) com uma paleta de cores extremamente vibrante e saturada. É impossível não fazer a conexão imediata com jogos como Jet Set Radio e Bomb Rush Cyberfunk. O visual é limpo, os cenários são detalhados e a animação do seu trem (sim, o trem) é muito fluida, o que contrasta de forma interessante com a rigidez mecânica que esperamos de uma locomotiva.
A demo apresenta cenários que já dão um bom sample do potencial artístico do jogo. As texturas lembram pôsteres de animes dos anos 90 e os efeitos de luz, especialmente durante os combos, são muito bem inseridos, criando uma explosão de cores na tela que incentiva você a continuar pontuando só para ver a bagunça visual tomar conta. A identidade visual é, sem dúvida, um dos pontos altos e um grande chamariz para quem curte essa estética mais “street” e animada.
Trilha Sonora e Imersão Sonora
Se o visual te convida para a festa, a trilha sonora é responsável por ditar o ritmo dela. A demo conta com faixas originais que casam perfeitamente com a proposta caótica e divertida do jogo. A música tem uma batida eletrônica contagiante, que lembra muito as trilhas de jogos de corrida e esporte radical da virada dos anos 2000. É o tipo de som que faz você querer repetir a fase não só para melhorar a pontuação, mas para ouvir a música mais uma vez enquanto tenta encaixar aquele combo perfeito.

Os efeitos sonoros também cumprem bem o papel. O som do trem ganindo nos trilhos, o feedback ao pousar um trick e o som ambiente dos cenários (como a vibração de uma roleta ou a erupção de um vulcão) são nítidos e ajudam a situar o jogador na ação. A imersão sonora é caprichada, embora em alguns momentos os efeitos possam competir um pouco com a trilha em situações de tela cheia, mas nada que desabone o conjunto.
A Jogabilidade: Entre Trilhos e Combos
Aqui é onde o jogo mostra sua cara. Denshattack! pega a mecânica clássica de grind e combos de jogos de skate e transporta para os trilhos. O personagem é um trem, e os cenários são basicamente ferrovias elevadas e estruturas urbanas. O sistema de tricks é surpreendentemente profundo para uma demo. Existem botões dedicados a manobras específicas, e a física do trem, embora pareça estranha no papel, é muito bem ajustada.
Há uma curva de aprendizado. A demo oferece um tutorial básico, mas a complexidade dos combos exige que o jogador pratique. É possível pular de um trilho para o outro, rotacionar o trem no ar (o famoso “spin”) e realizar manobras que aumentam exponencialmente sua pontuação, desde que você mantenha o combo vivo sem encostar no chão de forma errada ou bater em obstáculos.
É importante notar a questão dos controles. O jogo foi nitidamente projetado para ser jogado com um controle. A resposta dos analógicos e a disposição dos botões para as manobras são muito mais naturais. Testar com o teclado e mouse não é uma experiência necessariamente ruim, mas os comandos parecem menos responsivos, especialmente em movimentos circulares mais complexos. Para aproveitar a demo da melhor forma, o ideal é ter um joystick à mão.
O design de fases, mesmo nesta versão curta, é muito inteligente. Aproveitando a premissa “on-rails” (sobre trilhos), os desenvolvedores criaram momentos de pura adrenalina, como descer uma montanha-russa ou escapar de um desastre natural, tudo isso enquanto você tenta se concentrar em não deixar a pontuação cair. É um equilíbrio delicado entre velocidade e precisão.

História e Proposta
Sobre a narrativa, a demo não entrega muita coisa, o que é compreensível. Temos uma pequena introdução que estabelece o tom e o visual, mas a história em si deve ser melhor explorada no jogo completo. O foco aqui é puramente na jogabilidade e na apresentação do universo. Fica a expectativa de que o título final traga um contexto mais sólido para essa loucura toda.
Conclusão
A demo de Denshattack! cumpre exatamente o papel de uma boa demo: ela te apresenta a mecânica, te desafia a aprender e, quando você finalmente está começando a peço o jeito, acaba, deixando um gosto de “quero mais”. A produção parece ser de altíssima qualidade, com um polimento visual e sonoro que muitos jogos independentes demoram anos para alcançar.
Claro, não é um jogo para todos. A exigência de reflexos e a necessidade de decorar comandos para encaixar combos longos pode afastar jogadores casuais ou aqueles sem tanto tempo para se dedicar. Para quem curte o gênero, no entanto, é um prato cheio. A demo já está na minha lista de desejos e, baseado nessa amostra, a recomendação é quase automática para fãs de Jet Set Radio, Tony Hawk’s ou Bomb Rush Cyberfunk.
É um daqueles casos em que a demo é tão boa que só faz aumentar a ansiedade pela versão completa. Se você busca um jogo rápido, visualmente estiloso e com uma trilha sonora de grife, vale a pena dar uma chance a essa viagem sobre trilhos. Só não esquece o controle.
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