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REVIEW: Call of Duty: Black Ops 7 – Ambição Desmedida e Resultados Inconsistentes

Call of Duty: Black Ops 7 chega às lojas com a pesada missão de ser a maior experiência Black Ops já criada, uma promessa que a Treyarch e a Raven Software levam a sério, entregando um pacote com conteúdo suficiente para afundar horas e horas da sua vida. A ambição é palpável em cada modo de jogo, desde o multijogador polido até a campanha cooperativa que não tem medo de mergulhar de cabeça no surrealismo psicológico que marcou a franquia. No entanto, tamanha ambição acaba sendo também o seu calcanhar de Aquiles, resultando num produto final que, apesar de gigantesco, é notavelmente desigual. Este review se aprofunda nos gráficos, sons, jogabilidade, história e na conclusão geral sobre se vale a pena investir seu tempo e dinheiro nessa empreitada.

Começando pela jogabilidade, que é o coração de qualquer Call of Duty, Black Ops 7 apresenta uma divisão clara entre o excepcional e o questionável. O modo multijogador está, sem sombra de dúvidas, no seu ápice. A jogabilidade é frenética, fluida e incrivelmente polida, construída sobre a base sólida do Omnimovement de Black Ops 6. A nova adição do salto na parede (wall-jumping) poderia parecer uma mudança radical, mas na prática ela se integra perfeitamente ao movimento existente, oferecendo novas rotas de traversal sem comprometer o equilíbrio tático que os fãs esperam. Os 16 mapas no lançamento são um mix bem-vindo de arenas novas e clássicos revitalizados de Black Ops 2 como Raid e Hijacked, que continuam tão fantásticos quanto na memória afetiva dos jogadores. O sistema de carga personalizada atinge novos patamares de complexidade com as “Overclocks” e as especializações de perks híbridas, oferecendo uma profundidade quase esmagadora para quem gosta de min-maxar seu equipamento.

Em contrapartida, a campanha cooperativa e o novo modo Endgame representam um afastamento significativo da fórmula tradicional. A campanha é linear, mas alterna entre sequências de ação típicas de Call of Duty e fases em mapas abertos de Avalon que se resumem a correr de um objetivo genérico para outro. A adição de barras de vida visíveis em todos os inimigos, incluindo humanos, e a presença de “boss fights” com fases de imunidade e teleportes, fazem a experiência se assemelhar mais a um RPG de ação ou a um “Strike” de Destiny 2 do que a uma campanha militar cinematográfica. Embora a intenção de inovar seja louvável, a execução acaba sendo repetitiva e subdesenvolvida, diluindo a identidade da franquia. O modo Endgame, um modo de extração PvE que serve como missão final, é basicamente uma reaproveitamento do mapa de Avalon com objetivos aleatórios. Pode ser divertido casualmente com amigos, mas rapidamente se torna uma maratona cansativa e pouco recompensadora. O modo Zumbis, felizmente, é um destaque positivo. “Ashes of the Damned” é uma versão ampliada e melhorada do clássico Tranzit de Black Ops 2, com um mapa enorme e um caminhão upgradável, oferecendo uma sandbox caótica e divertida que honra o legado do modo.

história de Black Ops 7 é, infelizmente, um dos seus pontos mais fracos. Situada dez anos após os eventos de Black Ops 2, a narrativa traz David Mason de volta à ação para enfrentar uma ameaça familiar: Raul Menendez, que de alguma forma retornou. A premissa, que também envolve a Guild, uma megacorporação tecnológica, tem potencial para explorar temas interessantes sobre controle e anarquia. No entanto, o desenvolvimento é apressado e simplório. A vilã, Emma Kagan, CEO da Guild, revela suas intenções malignas quase que imediatamente, eliminando qualquer senso de mistério ou subtileza. Os “twists” narrativos são entregues de forma pouco impactante através de cutscenes, resultando numa trama que beira o nonsense em vários momentos, com stakes praticamente inexistentes. A justificativa para o surrealismo da campanha – uma arma biopsicológica chamada Cradle – serve mais como desculpa para reciclar locações e inimigos de jogos passados sob uma roupagem alucinógena do que como um elemento narrativo convincente. É uma tentativa ousada de ser “mind-bending” que, no final, deixa a mente completamente “unbent”.

Visualmente, os gráficos de Black Ops 7 são um caso de dualidade. O motor gráfico, uma evolução do usado no título anterior, entrega ambientes detalhados, efeitos visuais impressionantes e uma taxa de frames estável que é crucial para a experiência competitiva. As alucinações na campanha são onde os artistas soltaram a criatividade, criando cenários distorcidos e bizarros, como estradas de Los Angeles com física impossível e pântanos angolanos infestados por criaturas grotescas. No entanto, há uma sensação de que a qualidade dos assets varia entre os modos. Enquanto o multijogador e os zumbis são visualmente consistentes e polidos, algumas texturas e modelos de inimigos na campanha e no Endgame parecem ter recebido menos atenção, com inimigos que são claramente zumbis retrabalhados. Além disso, a descoberta de que alguns dos “calling cards” e cosméticos foram criados com ferramentas de IA generativa deixa um gosto amargo, sugerindo uma certa falta de cuidado e artesanato em elementos que são justamente de recompensa ao jogador.

som é, como sempre na franquia, de altíssima qualidade. A trilha sonora intensifica a ação nos momentos certos, os efeitos de armas são potentes e distintos, permitindo identificar um fusil apenas pelo seu estampido, e a dublagem conta com performances sólidas de um elenco estelar, incluindo Milo Ventimiglia e Kiernan Shipka. O problema, novamente, reside na aplicação. A insistência em usar as mesmas estéticas sonoras de “nível up” e “desafio completo” – aqueles stabs sonoros característicos do multijogador – em todos os modos, incluindo a campanha, contribui para a sensação de homogeneização. Ouvir o mesmo som de recompensa ao abater um pesadelo lovecraftiano e ao capturar uma bandeira no multiplayer pode quebrar a imersão e reforçar a ideia de que tudo foi projetado para ser uma playlist de atividades interconectadas, mas sem alma própria.

Uma das maiores mudanças sistêmicas em Black Ops 7 é a progressão compartilhada. Pela primeira vez, os jogadores ganham XP de carreira e de arma, e completam desafios, independentemente do modo que estiverem jogando. Em teoria, isso é fantástico, pois recompensa o jogador por simplesmente jogar o que preferir. Na prática, contudo, o sistema tem um efeito homogenizante. Quando a campanha tem placas de armadura idênticas às do Warzone, e inimigos zumbis aparecem fora do modo dedicado, e os mesmos sons de progresso ecoam em toda a experiência, a identidade única de cada modo se perde. Em vez de sentir que estou participando de uma campanha épica, um conflito competitivo e um apocalipse zumbi distintos, tenho a impressão de estar navegando por diferentes playlists de um mesmo jogo genérico. A sensação é a de que o jogo tem medo que o jogador se entedie, bombardeando-o com estímulos de recompensa constantes em vez de confiar na qualidade intrínseca de cada modo.

Em conclusão, Call of Duty: Black Ops 7 é um jogo de contrastes marcantes. É um título que acerta em cheio onde é mais seguro – o multijogador está excelente e o modo Zumbis é uma volta triunfal à forma clássica – mas tropeça feio ao tentar reinventar a roda. A campanha cooperativa, apesar de sua ambição narrativa e visual, é uma experiência repetitiva e mecanicamente confusa que se afasta demais do que tornou a franquia famosa. O modo Endgame é uma adição supérflua e pouco inspirada. A progressão global, embora bem-intencionada, acaba por diluir a identidade dos modos, criando uma sensação de fadiga e sameidade.

Portanto, a recomendação final precisa ser dividida. Para o jogador que busca exclusivamente uma experiência competitiva de alta octanagem e sessões de zumbis caóticas com amigos, Call of Duty: Black Ops 7 entrega um pacote robusto e muito divertido. No entanto, para quem valoriza uma campanha solo ou cooperativa bem estruturada e narrativamente coesa, ou para quem busca uma experiência onde cada modo se sinta único e especial, Black Ops 7 é uma recomendação difícil de fazer. É um jogo que tenta ser tudo para todos, mas que, no processo, acaba não excelendo em nada de verdadeiramente novo, tornando-se um monumento à ambição desmedida, onde o conceito de “quanto maior, melhor” é colocado à prova e, frequentemente, se prova falho. A quantidade está lá, mas a qualidade é irregular, tornando esta uma das entradas mais fascinantes, porém frustrantes, da saga Black Ops.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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