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Review: Roommates, Romance, and Ringing Hearts – Uma comédia romântica interativa

Aposta da TV Asahi no gênero de romance interativo live-action entrega uma experiência leve e descompromissada, mas esbarra em roteiro raso e em uma política de DLCs questionável.

Quando uma das maiores redes de televisão do Japão, a TV Asahi, decide entrar no mercado de games com uma produção totalmente em live-action, a expectativa, no mínimo, é alta. Conhecida por seus dramas e programas de variedades de sucesso, a emissora se une à Aiming Inc. para trazer ao ocidente Roommates, Romance, and Ringing Hearts, um jogo de simulação de romance e aventura que promete colocar o jogador no centro de uma comédia romântica digna de um dorama juvenil. O título chega em um momento de alta popularidade para os FMVs (Full Motion Videos), e a promessa de viver uma história de amor com atrizes reais é, sem dúvida, um chamariz para os fãs do gênero. Mas será que a jogada da TV Asahi deu certo?

GRÁFICOS E PRODUÇÃO AUDIOVISUAL: CINEMA CASEIRO COM AR DE DRAMA

Vamos começar pelo ponto mais forte e, ao mesmo tempo, mais controverso do jogo: a sua produção audiovisual. Por ser um FMV, Roommates, Romance, and Ringing Hearts é essencialmente um filme interativo. Nesse aspecto, a qualidade da filmagem é indiscutivelmente boa. As cenas são nítidas, a iluminação é competente e a fotografia tem um toque de produção televisiva que confere um ar profissional à obra . Não há o que reclamar da parte técnica da captura de imagens; a TV Asahi sabe fazer isso.

No entanto, a qualidade do que foi filmado é que divide opiniões. O estilo do jogo é propositalmente over-the-top, abraçando uma estética de comédia pastelão e exageros típicos de animes e programas de variedades japoneses . As atuações, embora carismáticas, frequentemente pendem para o exagero cômico, o que pode ser um prato cheio para quem gosta do estilo, mas um ponto de atrito para quem espera algo mais sutil e “realista”. A dublagem, gravada ao vivo durante as filmagens, sofre com problemas de mixagem de áudio em algumas cenas, com diálogos que soam distantes ou abafados, dificultando a compreensão em determinados momentos . Parece que a empolgação do set de filmagens nem sempre se traduziu em uma captação de som impecável.

JOGABILIDADE: SIMPLES, DIRETA E SEM COMPLICAÇÕES

Se você busca um gameplay complexo e desafiador, este jogo não é para você. A jogabilidade de Roommates, Romance, and Ringing Hearts é a espinha dorsal do gênero visual novel: você assiste às cenas e, de tempos em tempos, é confrontado com escolhas que afetam seu relacionamento com as cinco garotas da casa compartilhada . O sistema é baseado em pontos de afinidade, e o jogo faz questão de mostrar uma barra de progresso para cada heroína, tornando o processo bem transparente. Você quer ficar com a Nao? Então é só escolher as opções que a deixam feliz.

A duração de uma rota é curta, girando em torno de 1h30 a 2 horas, o que torna o jogo perfeito para uma sessão descompromissada . A facilidade em alcançar os finais é um ponto positivo para quem busca completar o jogo rapidamente ou ver todas as rotas. Existem finais bons, ruins e neutros para cada uma das cinco protagonistas, o que adiciona um pouco de valor de replay, embora a jornada para obtê-los seja bastante linear e, por vezes, previsível . As escolhas são claras e raramente há ambiguidade sobre qual delas agradará a garota em questão.

HISTÓRIA E NARRATIVA: O CLICHÊ COMO PROTAGONISTA

A trama de Roommates, Romance, and Ringing Hearts é o ponto mais fraco de sua produção. A premissa é o clássico argumento de animes de harém: um jovem estudante se muda para uma casa compartilhada e descobre que está rodeado por cinco mulheres lindas e disponíveis . A partir daí, o jogador vivencia uma série de eventos sazonais (verão, Halloween, Natal) que servem como pano de fundo para interações muitas vezes forçadas e situações constrangedoras.

A crítica que se faz aqui é unânime: a história é rasa e não oferece nada de novo ao gênero . Os acontecimentos são previsíveis e os diálogos, por vezes, beiram o ridículo, com cenas que parecem mais um compilado de clichês de animes do que uma tentativa de construir um romance genuíno. A interação entre as personagens é superficial, e o foco está quase inteiramente no jogador e em sua investida romântica. Para piorar, os finais são extremamente curtos e decepcionantes para muitos jogadores, que esperavam que o desfecho fosse a grande recompensa pela jornada, e se deparam com cenas rápidas e que não trazem um fechamento satisfatório .

CONTROVÉRSIA: O PREÇO DO AMOR ESTÁ NOS DLCS

Aqui chegamos a um ponto que gerou bastante insatisfação na comunidade. Embora o jogo base já contenha fotos e vídeos para serem desbloqueados, uma parte significativa do conteúdo extra, incluindo “bastidores”, fotos especiais e, o mais grave, vídeos exclusivos para cada garota, foi colocada atrás de um paywall na forma de DLCs . O detalhe que mais incomoda é que o preço desses conteúdos adicionais é, individualmente, alto, e o pacote completo pode custar várias vezes o valor do jogo base .

Essa prática foi vista por muitos como um desmembramento proposital do conteúdo, forçando o jogador a pagar mais para ter uma experiência “completa”, o que contrasta com outros jogos do gênero que oferecem esse tipo de conteúdo como recompensa por desbloquear conquistas. É uma estratégia de monetização agressiva que mancha a reputação de um jogo que já peca em outros aspectos.

CONCLUSÃO

Roommates, Romance, and Ringing Hearts é um jogo que cumpre o que promete na embalagem: uma comédia romântica interativa e descompromissada, com um toque de humor japonês e personagens carismáticos, como a adorável Nao ou a misteriosa Mirei . A produção, embora com falhas de áudio, é competente e a jogabilidade é simples e direta, ideal para quem quer relaxar e passar algumas horas se divertindo com uma história leve.

No entanto, o roteiro extremamente clichê e superficial, a falta de profundidade narrativa e os finais apressados são seus maiores defeitos. A cereja do bolo amarga é a política agressiva de DLCs, que cobra caro por conteúdos que poderiam e deveriam estar no jogo base.

Recomendo? Sim, mas com ressalvas. Se você é um fã incondicional de FMVs, curte o humor pastelão japonês e não se importa com uma história sem grandes ambições, encontrará aqui alguns momentos de diversão garantida. Entretanto, se você busca um romance com profundidade, personagens bem desenvolvidos e uma história que te prenda do início ao fim, este jogo pode decepcionar. É uma obra para ser consumida como um filme B de sessão da tarde: sabe que não é um primor técnico ou narrativo, mas ainda assim pode te entreter se você estiver no clima certo. Só não esqueça de preparar o bolso se quiser ver todo o conteúdo extra.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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