HomeReviewsReview: MindsEye – Será que os patches finalmente salvaram o jogo?

Review: MindsEye – Será que os patches finalmente salvaram o jogo?

Quando MindsEye foi lançado, o negócio foi feio. Tipo, nível “não jogável” de feio. A comunidade fez o que sempre faz nesses casos: esculachou o jogo nas reviews e seguiu a vida. Mas aí os devs foram lá, suaram a camisa, lançaram vários patches e… cá estou eu, de volta à realidade futurística do jogo para responder a pergunta que ninguém tá fazendo: será que agora vale a pena?

Gráficos e Performance – O Dilema da RAM

Vamos começar pelo óbvio: visualmente, o jogo é um colírio. A ambientação cyberpunk/near-future é daquelas que te faz querer parar o carro (ou o que servir de veículo no jogo) só para admirar o caos urbano. A direção de arte segura a mão do jogador e entrega uma atmosfera muito imersiva, com uma iluminação que, nos momentos certos, chega a ser cinematográfica.

O problema? Isso tem um custo. E não estou falando só do preço do jogo. Rodando em uma configuração com 96 GB de RAM e uma RTX 4090, o jogo chegou a abocanhar entre 10 e 26 GB de RAM. É uma variação bem estranha e que mostra uma certa falta de otimização fina. A boa notícia é que, após os patches, consegui manter 90 FPS sólidos (limitei porque ele ficava oscilando perto dos 144) em uma resolução lá em cima, com gráficos no talo e motion blur desligado. Tive apenas duas quedas de desempenho, mas nada que atrapalhasse a sessão de jogo. Em uma RTX 3070, o amigo ali de cima relatou que rodou liso no high/ultra, mas é bom ter cautela se sua placa for mais velhinha. Aparentemente, o bicho pega mais no processamento pesado de renderização do que em tiroteio, o que é um alívio.

Jogabilidade – O Fantasma de Watch Dogs

Aqui as coisas ficam interessantes, e confesso que fiquei com um pé atrás. A jogabilidade tem um feeling muito “Watch Dogs” na tocada, e isso me desestabilizou um pouco no início. Não é exatamente um problema, mas é uma sensação mecânica que não sei explicar direito, parece que não cola 100% com a proposta.

O combate é divertido, os tiroteios são frenéticos e a progressão te mantém na ponta da cadeira, mas há um elefante na sala: isso não é um open world. Longe disso. A cidade é grande e bonita, mas você mal pode explorá-la. Se ousar sair da rota da missão, o jogo te dá um alerta de que você está saindo da área. É linear. Ponto. As missões são basicamente ir do ponto A ao ponto B, atirar em geral, e repetir. As viagens de carro são longas, provavelmente para dar a ilusão de que o mapa é maior do que realmente é, e isso acaba ficando repetitivo.

Outro ponto fraco é a ausência quase total de personalização. Não tem skill tree, não tem upgrades significativos, não tem customização de personagem ou veículo. As armas novas você pega no chão durante os combates e é isso. Não existe um sistema de dinheiro ou lojas. Você quer explorar a cidade? Azar. Quer usar um carro diferente? Só se o jogo “liberar” ele na história.

História – O Que Salva o Barco

Agora, se tem uma coisa que segura a peteca, é a narrativa. O lore do jogo é intrigante. O universo em si é muito rico e dá vontade de saber mais sobre o que aconteceu, sobre a tal “MindsEye” e os personagens envolvidos. Apesar de algumas reclamações de que o protagonista e os coadjuvantes são meio rasos, eu discordo em parte. Conforme a história avança, as coisas vão ficando mais estranhas e você cria um vínculo com aquele mundo.

Os personagens tem personalidade e conseguiram me manter imerso até o final. Se você curte uma boa ficção científica e está disposto a relevar a linearidade em prol de uma boa história, aqui você encontra seu lugar. A estrutura lembra um pouco Mafia: um shooter linear apoiado em um mapa aberto que serve mais como cenário do que como parquinho.

Conclusão – Recomendo?

Olha, a situação é a seguinte: o jogo hoje é perfeitamente jogável e divertido. Os patches consertaram a bagunça do lançamento. Se você tem um PC decente, vai rodar liso e você vai se divertir nas horas que passar por ali. A história prende, os gráficos são bonitos e a ação é competente.

Mas tem que comprar com a cabeça no lugar. Se você quer um GTA do futuro, passou longe. Se quer um jogo para explorar, customizar e viver a cidade, passou longe também. É o tipo de jogo que você pega numa promoção boa (tipo uns 70% de desconto) e se surpreende positivamente.

Vou dar uma nota? Para ser justo com o momento atual, com a performance estável e a história envolvente, fico com um 7/10. É um jogo que entrega o que promete dentro da sua proposta linear, mas que deixa aquele gostinho de “quero mais” principalmente pela falta de aproveitamento do mundo riquíssimo que construíram. Recomendo com ressalvas, principalmente para os fãs de narrativas imersivas que não se importam em andar nos trilhos.

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RPS Games
RPS Games
Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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