Se você já assistiu aquele reality show onde o pessoal fica dando “yuuup” em depósitos abandonados, já deve ter imaginado como seria meter a cara nesse mundo. O Storage Hunter Simulator, desenvolvido pelo Raccoons Studio, chega com a proposta de colocar o jogador exatamente nessa posição: a de um caçador de garagens tentando ganhar a vida no mercado de leilões de unidades de armazenamento. Longe de ser apenas uma cópia do programa de TV, o jogo entrega uma experiência mais pé no chão, focada na parte comercial e no risco do negócio, em vez do drama e das personalidades exageradas da televisão . A pergunta que fica é: será que a jogatina compensa ou o negócio aqui é prejuizo?
Gráficos e Apresentação
Visualmente, o jogo não chega a ser um desfile de tecnologia de ponta, mas também não passa vergonha. O estilo gráfico aposta em um “realismo estilizado” que funciona bem para a proposta . Os cenários, como os depósitos enferrujados e os pisos de concreto desgastados, têm um certo capricho e ajudam a criar a imersão naquele ambiente meio decadente de ferro-velho. O problema é que a coisa é meio inconsistente: enquanto alguns objetos lá dentro têm texturas legais, outros parecem meio “jogados”, e os modelos dos carros e personagens deixam a desejar, com uma aparência meio plastificada e animações meio estranhas . É aquela velha história: o jogo te da uma ambientação legal, mas quando você olha de perto, a magia desanda um pouco. No fim das contas, o forte aqui é a funcionalidade e a quantidade de itens diferentes pra ver, e não necessariamente o espetáculo visual .

Trilha Sonora e Efeitos Sonoros
Se tem uma área que é uma verdadeira montanha-russa nesse jogo, é o áudio. A trilha sonora, surpreendentemente, é um ponto positivo. Ela se encaixa bem no clima e, por ser “stream-friendly”, agrada quem gosta de mostrar a jogatina ao vivo . O problema mora nos efeitos sonoros. O som do ambiente até que tenta trazer uma atmosfera com rangidos e barulhos de metal, mas a execução é bem frustrante. Os motores dos veículos soam genéricos e sem peso, como se tivessem saido de um banco de dados qualquer . Pior ainda é a falta de feedback sonoro satisfatório ao interagir com os objetos; pegar e largar as coisas parece algo sem impacto, sem “tato”, o que acaba quebrando um pouco a experiencia de simulação. No fim, a música é boa, mas o resto da parte sonora acaba sendo só um “ruído de fundo” que não acrescenta muito .
Jogabilidade e Economia
Aqui é onde o jogo mostra a que veio e também onde ele complica um pouco a vida do jogador. O ciclo básico é simples: você vai nos leilões, dá uma olhada no que consegue ver pelo vão da porta, dá seu palpite e faz um lance. Se ganhar, começa a parte mais “trabalhosa” e, digamos, peculiar do game. Você precisa literalmente pegar item por item, empilhar tudo no seu veículo e levar para vender. E isso é tão caótico quanto parece. A física de empilhamento é uma faca de dois legumes: por um lado, é hilário e gratificante você conseguir montar uma torre de Babel de quinquilharias na carroceria da caminhonete e ver que, magicamente, nada cai durante o trajeto (os objetos “grudam” no veículo após um tempo) . Por outro, a mecânica de pegar e posicionar os itens é extremamente desajeitada, como se o jogo tivesse sido pensado para VR e adaptado às pressas para mouse e teclado . Abrir gavetas então, dependendo da posição do baú, é um teste de paciência.

A parte financeira é uma curva de aprendizado. No começo, você toma vários calotes porque não tem noção do valor das coisas e acaba pagando mais do que devia . O sistema de reputação (RP) existe, mas muitos jogadores sentem que ele é meio “oco”, servindo apenas como um número para destravar áreas sem trazer profundidade real à progressão . Um ponto interessante é a possibilidade de comprar seu próprio penhor. Mas, segura a empolgação, porque você continua sendo o único entregador da parada. O saldo é que você vira um motorista de caminhão de aluguel que trabalha que nem um condenado enquanto seu funcionário fica de boa na loja atendendo cliente . Ainda assim, a variedade de itens é o grande trunfo; mesmo depois de muitas horas, sempre aparece um negócio diferente que você nunca viu, o que mantém o negocio minimamente interessante .
Falando em História…
Bom, história é um conceito meio abstrato aqui. Não espere um roteiro com começo, meio e fim ou reviravoltas emocionantes. A “narrativa” é a sua jornada pessoal de crescimento financeiro. Você começa na traquitana, pegando leilãozinho barato, e se tudo der certo, um dia você pode comprar uma mansão . O problema é que, depois que você sobe o nível das cidades secundárias e enche os depósitos, o jogo meio que “acaba”. Não existem missões pós-conteúdo ou objetivos claros além de continuar acumulando dinheiro, o que pode deixar o jogador meio perdido, se perguntando “e agora, o que eu faço?” . A graça está no processo de subir na vida, não no destino final.
Problemas Técnicos e Peculiaridades
É claro que um simulador independente não escapa de alguns bugs. O pessoal nos fóruns relata situações como itens ficando presos no cenário ou entre veículos, o que é uma dor de cabeça . No junkyard, especificamente, rola um bug chato onde você consegue sair do veículo mas não consegue começar a dar lance se tentar explorar o local a pé. Além disso, no PC, rolar os leilões com o scroll do mouse pode fazer o cursor simplesmente desaparecer, forçando você a fechar e abrir a tela de novo. São aqueles percalços que, se não tornam o jogo injogavel, certamente testam sua paciência.

Veredito Final
Storage Hunter Simulator é um prato cheio para quem curte aquele lema “uma pessoa lixo, o outro tesouro”. É o tipo de jogo que vicia justamente pela expectativa do próximo container: será que vai vir um monte de tranqueira ou uma relíquia rara que vai encher seu bolso de dinheiro? . A experiência de dirigir, apesar de simples, é sólida, e o loop de “comprar, catar, vender” tem uma qualidade quase meditativa, mesmo sendo repetitivo . Porém, é preciso ter estômago para lidar com um início de jogo lento, controles muito estranhos na hora de organizar o inventário, e uma progressão que, depois de um tempo, simplesmente… para .
Recomendo? Com ressalvas. Se você gosta do gênero simulação, tem paciência para aprender na marra o valor das tranqueiras e não se importa de passar raiva com a física de empilhamento em troca daquele momento de “eureca” ao achar um item raro, então sim, vale a pena dar uma chance, principalmente se pegar numa promoção. Agora, se você busca uma experiência polida, com progressão constante e desafios variados, talvez seja melhor dar uma olhada em outras opções. O jogo te fisga no começo, mas pode te largar mão depois de 40 horas . No fim, é uma experiência de altos e baixos, que acerta na premissa, mas escorrega na execução de várias mecânicas básicas.
NÃO DEIXE DE CONFERIR MAIS REVIEWS AQUI OU NA NOSSA CURADORIA NA STEAM.

