A premissa é, sem dúvida, o grande gancho de Quarantine Zone: The Last Check. A ideia de gerenciar uma zona de quarentena em um mundo devastado por um surto de zumbis soa como uma mistura promissora entre estratégia, gestão de recursos e survival horror. O jogo te coloca no comando, exigindo decisões sobre alocação de pessoal, construção de barricadas, gerenciamento de suprimentos e, é claro, defesa contra hordas de infectados. No papel, parece a receita para uma experiência tensa e imersiva. Na prática, porém, a execução revela uma estrutura mais simples e menos polida do que a promessa inicial deixa transparecer.
Vamos começar pela parte visual. Os gráficos de Quarantine Zone adotam um estilo low-poly que, em si, não é um problema – muitos jogos indie fazem disso uma virtude estilística. O problema aqui está mais na falta de detalhes e na repetitividade dos cenários. A zona de quarentena, que deveria ser o palco principal do drama, parece um conjunto modular pouco inspirado. Os modelos de personagens e zumbis são funcionais, mas sem animações muito elaboradas ou variedade que impressione. Os efeitos de iluminação e partículas, especialmente durante os combates noturnos ou em situações críticas, até tentam criar atmosfera, mas muitas vezes se perdem em uma apresentação técnica que beira o básico. É um jogo que parece ter focado mais no funcionamento dos sistemas do que no refinamento da sua cara, o que pode afastar jogadores que valorizam muito a estética.

O sonoro, por outro lado, é um dos pontos mais competentes. A trilha sonora adota um tom sombrio e ambiental, com tons eletrônicos baixos que criam uma sensação constante de tensão e isolamento. Os efeitos de som são claros e funcionais: o estalido do rádio, os gemidos dos infectados à distância, o som distintivo de diferentes armas. É no som que a atmosfera de desespero e sobrevivência realmente se sustenta. No entanto, até aqui há uma ressalva: a falta de vozes ou de uma direção de áudio mais dramática para eventos específicos deixa o mundo um pouco mudo, dependendo quase exclusivamente da sua imaginação e dos textos do jogo para preencher as lacunas emocionais.
A jogabilidade é onde The Last Check oscila entre o interessante e o frustrantemente raso. O núcleo do jogo é um loop de gestão: você distribui sobreviventes (que funcionam como “funcionários”) para tarefas como vigia, reparos, coleta de recursos ou pesquisa. Você constrói e aprimora estruturas, gerencia a eletricidade, a água e, crucialmente, o moral do grupo. Quando a noite cai ou ocorre uma invasão, o jogo pode entrar em um modo de defesa mais direto. Essa base é sólida e, nas primeiras horas, enquanto você desvenda as mecânicas e luta para estabilizar a situação, há uma certa satisfação tática.

O problema surge quando você percebe a fragilidade dos sistemas. O jogo promete consequências para suas ações, mas a sensação, depois de um tempo, é de que ele é muito permissivo. Em minha experiência, para testar os limites, fiz uma campanha deliberadamente caótica: ignorei completamente o gerenciamento das necessidades básicas, deixei o moral no fundo do poço e me dediquei apenas a uma postura agressiva. Para minha surpresa, o jogo simplesmente seguiu em frente. A crise constante se tornou o novo normal, e a única penalidade real foi ser direcionado para um dos finais “ruins”. A falta de um game over por má gestão crônica – a não ser em situações extremas específicas – tira o peso das decisões. A sensação de luta pela sobrevivência dá lugar à de estar apenas administrando números em uma planilha que não permite falhas catastróficas genuínas. A jogabilidade de Quarantine Zone acaba se revelando um esqueleto funcional, mas sem a carne das consequências significativas que tornariam a gestão realmente envolvente.
Quanto à história, o jogo opta por uma narrativa ambientacional. A trama não é contada através de cutscenes elaboradas, mas sim por meio de registros de áudio, anotações encontradas e eventos aleatórios que acontecem com seus sobreviventes. O enredo principal gira em torno de descobrir a origem do vírus e tentar encontrar uma cura ou uma saída segura da zona. É um pano de fundo eficaz, mas não espere reviravoltas complexas ou personagens profundamente desenvolvidos. A narrativa serve mais como motivador contextual para suas ações do que como um motor principal. O sistema de múltiplos finais, incluindo um “bom” e um “ruim”, adiciona um insight de rejogabilidade. Em meu primeiro playthrough, focando em uma gestão equilibrada e na pesquisa da cura, levei cerca de 6 horas para alcançar o final positivo. A existência de um Modo Infinito, que pode ser desbloqueado ou acessado após a campanha, estende a vida útil para quem realmente se apega ao loop básico, mas sem adicionar novos elementos narrativos.

Em conclusão, Quarantine Zone: The Last Check é um daqueles jogos que vive mais da ideia do que da execução. A premissa cativante e a atmosfera sonora competente criam uma expectativa que a jogabilidade simplificada e os sistemas pouco punitivos não conseguem sustentar a longo prazo. Ele oferece uma diversão passageira para quem é fã do gênero de gestão de sobrevivência e quer uma experiência mais casual, sem a pressão e a complexidade de títulos mais hardcore do estilo.
Então, recomendo o jogo? A resposta é condicional. Se você está ávido por um jogo de estratégia e sobrevivência profundo, desafiador e com sistemas robustos, provavelmente vai achar The Last Check raso e repetitivo. No entanto, se a premissa de gerenciar uma quarentena zumbi te atrai e você busca uma experiência mais relaxante e direta, sem se importar muito com uma simulação ultra-realista ou com uma narrativa impactante, o jogo pode oferecer algumas horas de entretenimento aceitável. É um título que promete uma luta desesperada pela sobrevivência, mas que, no fim das contas, entrega mais uma administração rotineira de crises. Uma oportunidade interessante, mas que não foi totalmente aproveitada.
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