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Review: Trails Beyond the Horizon – Um Marco Necessário e Polido

Quando a Falcom anuncia um novo capítulo na série Trails, a expectativa da comunidade é sempre enorme. Dessa vez, com Trails Beyond the Horizon (também conhecido como Daybreak 3 no Japão), a sensação é de chegar a uma estação importante em uma longuíssima viagem de trem. Não é um ponto final, mas um entroncamento crucial onde várias linhas narrativas começam a convergir de maneira mais palpável. Vou ser sincero: este não é um ponto de entrada. A série sempre foi conhecida por sua continuidade férrea, e Horizon eleva isso a um novo patamar, funcionando como uma sequência direta de Daybreak 1 e 2, ao mesmo tempo em que tece fios vindos de arcos antigos, especialmente de Crossbell e Erebonia. O jogo até oferece um resumo para novos jogadores, mas é como assistir ao último episódio de uma série de 10 temporadas; você até entende o básico, mas perde toda a textura emocional e o peso das revelações.

Falando em textura, os gráficos dão um salto perceptível em relação ao Daybreak 2. A engine parece mais apurada, com cores mais vivas e saturadas que dão um sopro de vida extra aos cenários de Calvard. As texturas ganharam mais detalhes, os modelos de personagens em campo estão mais expressivos, e os efeitos de luz durante as cutscenes principais são realmente bonitos. Não espere uma revolução técnica – ainda é um jogo claramente desenvolvido com orçamento consciente – mas o polimento visual é notável e agradável aos olhos, mantendo o charme artístico característico da Falcom.

No campo da jogabilidade, a sensação é de “se não está quebrado, não conserte”. O sistema híbrido de combate, que alterna entre ação em tempo real no campo e batalhas em turnos tradicionais, retorna intacto e ainda muito divertido. A possibilidade de atordoar um inimigo no modo ação para iniciar um combate em turnos com vantagem, ou de escapar da batalha por turnos antes de um golpe forte do oponente, adiciona uma camada de estratégia e dinamismo que poucos RPGs oferecem. É um sistema que recompensa a agressividade e a percepção do ambiente. A exploração, por outro lado, segue o mesmo mapa conhecido de Edith e outras localidades, com ícones e estrutura idênticos. Isso pode soar como falta de inovação, mas para um jogo que já tem uma trama densa, essa familiaridade na navegação acaba sendo uma benção. O jogo te guia bem, sem muitos obstáculos artificiais, permitindo que você foque na história e nos personagens.

E que história. Este talvez seja o ponto mais divisivo. A narrativa de Horizon é, ao mesmo tempo, sua maior força e sua maior barreira. Para fãs de longa data, é uma celebração e um prato cheio. Ver personagens e plotlines de arcos antigos – como Crossbell e Erebonia – sendo integrados de forma orgânica ao enredo principal de Van Arkride é emocionante. No entanto, o jogo assume que você tem uma bagagem enorme. Referências a eventos de Reverie, por exemplo, são feitas sem muito contexto, e a sensação para quem pulou jogos é a de estar perdido em uma festa onde todos se conhecem. A trama em si avança a cronologia de Calvard de forma competente, com os momentos típicos da série: mistério, conspirações políticas e muito, muito diálogo. Alguns podem achar certos arcos longos demais e a reintrodução de alguns antagonistas um pouco forçada, mas o groundwork narrativo é sólido.

O sistema de Xipha (quartz) continua tão complexo e um tanto obscuro quanto antes, mas no fim das contas, a filosofia de “aumente os números” e specialize cada personagem em uma função ainda funciona perfeitamente. As atividades secundárias clássicas – pesca, culinária – estão presentes, assim como as seções de furtividade e hacking, que continuam sendo um ponto fraco para alguns jogadores por seu ritmo mais lento. O sistema de classificação Spriggan parece dar uma margem de erro razoável, então é possível falhar em algum objetivo ou dois sem comprometer a pontuação máxima.

Um destaque positivo é o retorno de uma área no estilo “Garten”, um hub de dungeons com histórias extras e interações entre personagens. Embora não seja tão cativante quanto o sistema de portas de Sky the 3rd, oferece conteúdo valioso e desenvolvimento de lore que os fãs mais hardcore vão adorar explorar. A atenção aos detalhes também se mantém na evolução das histórias dos NPCs, que mudam seus diálogos constantemente, criando um mundo vivo e coerente.

Em conclusão, Trails Beyond the Horizon é um jogo tecnicamente polido e narrativamente denso. Ele não inova radicalmente na fórmula, mas aprimora o que já funcionava bem, especialmente no visual e no combate. A grande questão da recomendação gira em torno do seu histórico com a série. Se você é um fã que acompanhou a jornada até aqui, especialmente por Daybreak 1 e 2, Horizon é uma recomendação absolutamente obrigatória. É um capítulo essencial, bem executado e cheio de momentos gratificantes.

Por outro lado, se você é um novato, este é possivelmente o pior ponto de entrada possível. A sensação de exclusão narrativa será grande. A série Trails é uma maratona literária, e Horizon é o volume 15. Vale muito a pena começar do início (ou pelo menos do arco Cold Steel) para aproveitar tudo que esta obra tem a oferecer. Portanto, minha recomendação final é clara: para os fãs, é um must-play. Para os curiosos, um convite para começar uma jornada mais longa – e muito recompensadora – do começo. O jogo é excelente no que se propõe, mas seu propósito é ser um elo em uma corrente maior.

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RPS Games
RPS Games
Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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