Se você é daqueles que sente saudade da era de ouro dos shooters em primeira pessoa, onde a simplicidade era sinônimo de diversão pura e a única complexidade estava em aperfeiçoar sua própria habilidade, então Extinction Rifts precisa estar no seu radar. Este jogo é um soco no estômago de ação rápida e intensa, um tributo bem-executado aos clássicos que moldaram o gênero, mas que não tem medo de injetar algumas ideias próprias para se manter relevante. Vamos mergulhar fundo no que faz este jogo funcionar, e onde ele talvez tropece, numa análise técnica e despretensiosa.
Começando pelos gráficos, é crucial entender a proposta visual desde o início. Extinction Rifts não vai tentar competir com os títulos triple-A em termos de polimento fotorealista. A opção estética aqui é uma fusão entre um estilo retro e uma abordagem mais moderna, criando uma identidade única. O uso de pixelation em elementos específicos, principalmente nos efeitos de impacto, partículas e nos modelos de armas, não é uma limitação técnica, mas uma escolha artística deliberada. Essa decisão confere ao jogo uma textura visual grity, quase tátil, que remete aos jogos de DOS, porém com uma camada de refinamento contemporâneo. Os ambientes, embora funcionais, são variados o suficiente para evitar a monotonia, transitando por corredores claustrofóbicos de naves espaciais até paisagens alienígenas abertas. A iluminação desempenha um papel fundamental, criando contrastes marcantes e ajudando a guiar o jogador, além de ser parte integrante da mecânica principal, como veremos adiante. Não espere revoluções visuais, mas sim uma apresentação coesa e estilizada que serve perfeitamente ao caos que se desenrola na tela.

O sonoplastia de Extinction Rifts é, sem sombra de dúvidas, um dos seus pilares mais fortes. A trilha sonora é um elemento catalisador da ação, composta por batidas eletrônicas pulsantes e melodias synthwave que se intensificam conforme o ritmo do combate acelera. Ela não apenas ambienta, mas motiva, pressionando o jogador a manter a agressividade e a fluidez. Os efeitos sonoros são igualmente competentes. O estampido das armas é satisfatório, cada uma com uma assinatura sonora distinta que transmite a sensação de poder. O ruído metálico dos projéteis contra a armadura inimiga, os gritos eletrônicos dos adversários ao serem eliminados e os alertas sonoros do seu contador de tempo criam uma cacofonia organizada que é essencial para a imersão. É um daqueles jogos em que jogar com fones de ouvido é altamente recomendado, pois a camada de áudio é construída para ser uma parceira da jogabilidade.
E é na jogabilidade que Extinction Rifts realmente brilha e define sua personalidade. O conceito central é simples, porém genial: um shooter frenético que força o jogador a agir rápido para alcançar a melhor pontuação e, literalmente, transformar seu braço na arma definitiva. A mecânica de combo é o coração do jogo. Cada acerto consecutivo aumenta um multiplicador, tornando-o mais forte, mas um contador de tempo corre incessantemente. Se esse contador chegar a zero, o combo é resetado. A chave para a sobrevivência e para as pontuações altas está em gerenciar esse tempo. E é aqui que uma dica vital entra em cena: atirar nas lâmpadas de luz espalhadas pelo cenário recarrega esse contador. Este não é um detalhe secundário; é uma mecânica fundamental que o jogo poderia ter comunicado de forma mais clara. Dominar o ciclo de “atacar para sobreviver” e “destruir objetos para prolongar o ataque” é a curva de aprendizado essencial.

A sensação de tiro é sólida. O jogo é descrito como “intenso e de ritmo acelerado”, e essa descrição é precisa. A movimentação é ágil, os inimigos são agressivos e a tela fica constantemente lotada de projecteis e adversários. A exploração por segredos escondidos, à la Doom clássico, adiciona uma camada de profundidade bem-vinda, recompensando jogadores curiosos com itens ou talvez até rotas alternativas. No entanto, um ponto que poderia ser melhorado reside no balancing das armas. Enquanto a progressão de poder através do combo é visceralmente gratificante, algumas armas base parecem ter uma utilidade limitada perto do poder bruto que o jogador atinge com o multiplicador alto. Um maior equilíbrio entre os armamentos melhoraria o pacing das batalhas, incentivando o uso tático de diferentes ferramentas em vez de depender quase exclusivamente do estado de “fúria” do combo.
Quanto à história, é justo dizer que Extinction Rifts não a coloca no centro do palco. A narrativa é minimalista, servindo principalmente como uma desculpa para colocar o jogador em diversos cenários de confronto. A presença de personagens como a Coronel, que para muitos evocou fortes vibes de Balalaika de Black Lagoon, sugere um pano de fundo de conflito militar interplanetário, mas o jogo não se dedica a explorar isso profundamente. A história é contada através de ambientação e breves interações, focando-se muito mais na ação do que em cutscenes elaboradas. Isso não é necessariamente um ponto negativo; o jogo sabe qual é o seu foco, e para os fãs do gênero, a promessa de uma jogabilidade viciante é frequentemente mais do que suficiente.

Em conclusão, Extinction Rifts é um jogo que sabe exatamente o que quer ser e executa sua visão com competência notável. Ele pega a fórmula clássica dos shooters de arcade, adiciona uma mecânica de combo inteligente e integrada, e entrega uma experiência curta, porém intensamente viciante. Os gráficos estilizados, a trilha sonora eletrizante e a jogabilidade que recompensa precisão e agressividade são os seus maiores trunfos. A desejo por um balanceamento de armas mais apurado e uma comunicação mais transparente sobre os requisitos para a pontuação máxima em cada mapa são críticas válidas, mas não chegam a comprometer o núcleo sólido da experiência.
Portanto, a recomendação é clara: se você é um jogador que aprecia a pura mecânica de um shooter, que busca a satisfação de ver sua pontuação subir através da pura habilidade, e que não se importa com uma narrativa discreta em prol de um gameplay frenético e gratificante, então Extinction Rifts é absolutamente vale o seu tempo. É um retorno triunfal à essência do gênero, um jogo que entende que, às vezes, a melhor história é a que você cria com suas próprias balas e reflexos afiados.
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