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REVIEW: Painkiller – Frenesi Caótico e Otimização Exemplar

Vamos direto ao ponto: este não é o Painkiller clássico de 2004 que muitos esperavam. Quem buscar uma experiência fiel ao título original, com sua atmosfera liminar e solitária, pode sair inicialmente desapontado. No entanto, se você for capaz de enxergar este novo título como um spin-off ou uma reinvenção radical, descobrirá um jogo de tiro cooperativo frenético e surpreendentemente bem polido, que bebe de fontes modernas como Vermintide e Doom Eternal. A mudança de identidade é drástica, mas o resultado final é, inegavelmente, divertido.

Gráficos e Otimização: Um Portfólio Técnico Impecável

Construído na Unreal Engine 4, o jogo é visualmente impressionante. Os cenários são vastos, detalhados e variados, mesclando a estética gótica e sobrenatural do Painkiller original com uma paleta de cores mais vibrante e uma grandiosidade que remete aos cenários de Doom (2016). Os efeitos de partícula são um espetáculo à parte, com explosões, luzes e sangue preenchendo a tela durante os combates mais intensos sem comprometer a fluidez.

O maior elogio, contudo, vai para a otimização. Em uma era onde lançamentos cheios de problemas técnicos são a norma, Painkiller é uma rara exceção. O jogo roda com uma taxa de frames consistentemente alta, mesmo em hardware não tão atual. Testes em placas como a GTX 1660 Ti em configurações altas em 1080p mantiveram a jogabilidade acima dos 100 FPS de forma estável. A compatibilidade com o Steam Deck também é citada como exemplar. É um título que prova que é possível entregar um visual de qualidade sem exigir tecnologias como Ray Tracing obrigatório ou upscaling agressivo, focando numa experiência sólida e acessível.

Jogabilidade: Frenesi Cooperativo com um “Mas”

O cerne da jogabilidade é um híbrido entre Left 4 Dead e um boomer shooter moderno. A ação é incessante: ondas de demônios e criaturas de todos os tipos avançam sobre o jogador em arenas amplas, exigindo movimento constante e mira precisa. O gunplay em si é satisfatório, com uma sensação de impacto e feedback tátil que torna cada disparo gratificante.

O sistema de combate introduz camadas modernas. As armas possuem árvores de upgrades e modos de disparo alternativos que consomem um recurso específico. A dinâmica mais interessante envolve o sistema de stagger: causar um certo tipo de dano (elemental, por exemplo) enche uma barra nos inimigos elites, permitindo uma execução com uma arma específica, o “Painkiller”. Esta execução, por sua vez, recarrega o recurso para os disparos alternativos, criando um loop de combate que incentiva a agressividade.

No entanto, é aqui que surgem as principais ressalvas. Este loop pode se sentir restritivo. O recurso para os disparos alternativos é compartilhado entre todas as armas, e a execução com o Painkiller tem um tempo de recarga. Essas decisões de design, talvez para equilibrar o co-op, podem impedir o jogador de aproveitar plenamente os momentos mais caóticos. Além disso, a campanha principal é enxuta, com apenas nove missões divididas em três biomas, o que pode deixar a desejar para quem joga solo.

A progressão de meta, com suas árvores de upgrades para armas que forçam escolhas irreversíveis e a ausência de upgrades significativos para os personagens (apenas passivos básicos), é considerada por muitos como um ponto fraco. Falta a sensação de poder e personalização que outros jogos do gênero oferecem. O sistema de cartas de Tarô, que oferecem buffs consumíveis durante as missões, é frequentemente ignorado por oferecer benefícios insignificantes ou até mesmo penalidades, tornando-se um elemento esquecido.

Som e Atmosfera: Música Épica, Diálogos Questionáveis

A trilha sonora é um dos pilares do jogo. Composta por temas épicos e intensos, ela acompanha perfeitamente o ritmo frenético dos combates, elevando a sensação de caos e heroísmo. Os efeitos sonoros também são de alta qualidade, desde os rugidos dos demônios até o som distinto de cada arma.

O mesmo elogio não pode ser estendido aos diálogos e à narrativa. A história é quase inexistente, contada principalmente através de entradas de codex e conversas entre os personagens durante o jogo. O maior problema, porém, é a personalidade desses personagens e o tom das falas. Eles constantemente soltam falas de efeito e piadas que soam deslocadas em um jogo que tenta manter uma atmosfera séria e sombria. Esse contraste entre o visual e a atuação pode ser imersivo para alguns.

Conclusão: Recomendação com Ressalvas Claras

Painkiller é um jogo de contradições. Ele acerta onde muitos títulos AAA falham: é tecnicamente impecável, otimizado de forma brilhante e oferece uma jogabilidade base que é visceral e divertida. A sensação de limpar uma arena abarrotada de inimigos é incrivelmente satisfatória, especialmente em sessões cooperativas.

No entanto, ele tropeça em elementos de design modernos. A campanha curta, o sistema de progressão de meta considerado limitado, os personagens irritantes e um loop de jogo que às vezes se sente mais restritivo do que libertador impedem que o jogo alcance a grandeza.

A recomendação, portanto, é condicional. Se você é um fã do gênero de co-op horde shooter, tem alguns amigos para se juntar a você e consegue ignorar a herança do Painkiller original, há muita diversão a ser encontrada aqui, especialmente se encontrado em promoção. É um “jogo de 7/10” no sentido mais puro da expressão: sólido, divertido, mas com falhas evidentes que o impedem de ser essencial. É uma experiência midiática técnica, mas com um coração de puro caos que, no fim das contas, vale a pena ser experimentado.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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