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REVIEW: Cronos The New Dawn – Sobrevivência Aterrorizante e Imperfeita

Cronos: The New Dawn chegou às lojas com a ambição de se firmar como um novo marco no gênero survival horror, evocando a clássica sensação de desespero e administração de recursos de títulos como Resident Evil e Silent Hill. Desenvolvido por um estúdio que claramente conhece e ama o gênero, o jogo apresenta uma atmosfera densa e uma premissa intrigante.

Vamos começar pelos gráficos, que são, sem sombra de dúvida, um dos pontos mais altos da produção. Os ambientes são meticulosamente construídos, com uma iluminação que é praticamente uma personagem por si só. O jogo sabe usar a escuridão e os clarões de luz de maneira magistral para construir tensão. Os modelos de personagens e, principalmente, dos inimigos e chefes, são impressionantes em seus detalhes viscerais. Os efeitos de partícula, especialmente o fogo, são muito bem executados. É um mundo que consegue ser horrivelmente belo e, ao mesmo tempo, profundamente repulsivo, que é exatamente o que se espera de um bom survival horror.

A jogabilidade de Cronos: The New Dawn é um terreno complicado de se navegar. Por um lado, o jogo acerta em cheio na sensação de desespero. A munição é escassa, cada tiro conta e a administração de recursos é fundamental. O sistema de combate pode ser dividido em algumas partes. O gunplay em si é excelente e satisfatório, com as armas tendo um peso e um feedback tátil muito bem trabalhados. O ambiente também oferece ferramentas, como barris explosivos e latas de combustível, que permitem ao jogador criar armadilhas e eliminar grupos de inimigos de forma inteligente. O equipamento secundário, usado principalmente para imobilizar inimigos ou finalizá-los, adiciona uma camada tática.

No entanto, as escolhas de design começam a criar atritos. A escassez de munição, inicialmente elogiável, pode se tornar uma fonte de frustração devido à raridade extrema de drops dos inimigos. Isso incentiva uma prática massiva de save scum – recarregar um save anterior a uma luta difícil para tentar gastar menos recursos – o que quebra o fluxo natural do jogo. O sistema de melee é praticamente inútil, sendo apenas simbólico. Não há esquiva, bloqueio ou parry, se você ficar sem balas, está praticamente condenado.

Um dos sistemas mais interessantes é o “Merge”, onde os inimigos podem absorver os corpos de aliados caídos, fundindo-se a eles para ganhar mais saúde e se tornar ameaças muito maiores. Para evitar isso, você deve queimar os cadáveres usando uma ferramenta de tocha, que consome combustível. A ideia é fantástica e adiciona uma urgência tática às batalhas. No entanto, a implementação do combustível da tocha é um exemplo clássico de uma mecânica subdesenvolvida. Embora seja possível fazer upgrade para carregar dois frascos de combustível e até encontrar um locker que fornece um frasco gratuitamente em uma sala segura, o jogo não permite que você colete mais de um de cada vez desse locker, mesmo com a capacidade para dois. Isso força o jogador a fazer um vai-e-vem constante para limpar uma área, tornando um sistema inteligente em uma tarefa tediosa.

A variedade de inimigos e chefes, por outro lado, é excelente. Os designs são criativos e assustadores, e as lutas contra os chefes são intensas, cinematográficas e visualmente impressionantes, mesmo com alguma repetição de padrões. A progressão de armas é sólida, com uma boa variedade encontrada tanto na campanha principal quanto em paths opcionais. O sistema de upgrades, que usa dois tipos de recursos (Energy e Cores raros), é recompensador, incentivando a exploração dos desvios opcionais, que são extremamente valiosos por fornecerem upgrades, munição e até novas armas.

A narrativa de Cronos: The New Dawn é um ponto divisivo. A premissa é interessante e a storytelling ambiental é de pico, com o mundo em ruínas contando sua própria história através de seus detalhes. Coletivas misteriosas são apresentadas principalmente através de notas. A incapacidade de pular alguns diálogos de entrega lenta só aumenta a sensação de que a história está te contando o que está acontecendo, em vez de te mostrar e deixar que você chegue às próprias conclusões.

A trilha sonora é outro aspecto curioso. Quando está presente, é fantástica, elevando a tensão e o horror a patamares elevados. O problema é que ela é surpreendentemente esparsa, deixando longos períodos envoltos apenas no som ambiente – o que é eficaz, mas faz com que o jogador sinta falta de uma partitura mais consistente.

Em conclusão, Cronos: The New Dawn é um jogo difícil de categorizar. Ele brilha em seus momentos de puro horror de sobrevivência, com uma atmosfera de tirar o fôlego e um sistema de combate tático, mas se perde em mecânicas mal polidas, uma narrativa irregular e uma otimização que ainda não está redonda.

Para os fãs hardcore do gênero, que anseiam por uma experiência desafiadora de genuína tensão e inovação, Cronos: The New Dawn pode ser uma joia escondida. É um daqueles jogos que, apesar de seus defeitos, te prende desde o comecinho e oferece uma experiência memorável.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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