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REVIEW: Bossfight Tactics – Caos Estratégico e Genialidade Indie

Quando você pensa em um jogo de estratégia por turnos, qual é a primeira coisa que vem à mente? Mapas complexos, dezenas de unidades com habilidades únicas e uma árvore de upgrades gigantesca? Bossfight Tactics chega para desafiar todas essas convenções. Este jogo indie, que já nasceu com localização em japonês mesmo que a página da Steam ainda não reflita isso, pega a fórmula tática, reduz à sua essência mais pura e, em seguida, adiciona uma camada de caos controlado que é ao mesmo tempo frustrante, profundamente recompensadora e hilariantemente genial. Depois de várias horas enfiado em suas mecânicas, é seguro dizer que este é um daqueles títulos que vai dividir opiniões mas conquistar um nicho de fãs absolutamente devotos.

Vamos começar falando dos gráficos, porque a primeira impressão é importante, né? Bossfight Tactics não vai te impressionar com poligonal ou efeitos luminosos de última geração. O visual é simples, clean e até um pouco… fofo. Os personagens e itens têm um charme indie inegável, quase como se tivessem saído de um sketchbook de um artista talentoso. A simplicidade, contudo, é uma jogada inteligente. Num gameplay onde o caos reina – com itens caindo do céu, efeitos de queimadura pipocando na tela e unidades se movimentando –, um visual mais limpo garante que você nunca perca o controle da situação (mesmo quando sua estratégia está indo pelos ares). A escolha estética serve perfeitamente à jogabilidade, focando na clareza das informações em vez de em detalhes supérfluos. É funcional e charmoso na medida certa.

sonoplastia segue uma linha similar. A trilha sonora é agradável, composta por melodias que ficam de fundo sem se intrometer demasiadamente no seu processo de pensamento. Os efeitos de son são satisfatórios, especialmente o clink metálico de uma espada acertando um alvo ou o som distintivo de um item crashando no chão. Nada aqui é revolucionário, mas tudo é muito bem colocado e cumpre seu papel de dar feedback auditivo às suas ações. É mais um elemento que se soma competentemente à experiência, criando uma ambientação descontraída que contrasta com a tensão cerebral das decisões táticas que você precisa tomar.

Agora, o cerne da questão: a jogabilidade. É aqui que Bossfight Tactics brilha e, ao mesmo tempo, onde pode afastar alguns jogadores. O conceito é absurdamente único. Você comanda um grupo de aventureiros em batalhas por turnos em um grid. A premissa parece padrão, mas as regras são o que definem o jogo. Você pode dar até três instruções por turno para seus unidades, e depois observa a previsão dos movimentos inimigos antes de cometer suas ações. A grande reviravolta é que, ao derrotar um boss, o seu grupo atual se torna o próximo cheão que você – ou qualquer outro jogador – terá que enfrentar em futuras runs.

Isso cria uma camada meta incrível. Cada vitória é, essencialmente, você arquitetando a sua própria futura derrota. A sensação de ser esmagado por um time que você mesmo montou e equipou perfeitamente em uma run anterior é paradoxalmente frustrante e hilária. A progressão roguelike é implacável: unidades mortas são perdidas permanentemente, e as runs são relativamente curtas, culminando rapidamente na batalha contra o chefe. Você está constantemente no dilema de “usar e descartar” um personagem para vencer agora ou tentar mantê-lo vivo para colher benefícios de crescimento a longo prazo.

As mecânicas de combate são onde a genialidade e a “inconveniência” deliberada se encontram. Movimentar uma unidade para um quadrado adjacente requer que ela esteja equipada com um item de movimento. Atacar não te permite escolher um alvo específico; você apenas escolhe a direção (esquerda ou direita) e a habilidade usa seu próprio critério, como “atingir o inimigo mais próximo”. Aqui está a beleza do caos: itens que causam dano ao “alvo mais próximo” vão, naturalmente, causar friendly fire se um aliado estiver no caminho. Mais engraçado ainda: esses ataques podem acertar não apenas inimigos e aliados, mas também itens caídos no chão e até mesmo os novos itens que despencam do céu a cada turno.

Falando nesses itens, eles são a alma do jogo. Eles caem aleatoriamente e podem ter efeitos benéficos (um buff de ataque) ou maléficos (causar queimadura em quem pegá-lo). A genialidade surge quando um item cai em cima de um outro que já estava no chão. Isso funde os efeitos! Pegar uma espada que caiu em cima de um item de fogo, por exemplo, pode grantar à arma um efeito de queimadura. É um sistema que incentiva a experimentação constante e a criação de combinações absurdas – a famosa “máquina do apocalipse feita de um patinete, uma katana e um caranguejo de bolso” que um usuário mencionou.

Para equilibrar toda essa imprevisibilidade, o jogo oferece um sistema de UNDO (desfazer) extremamente generoso e sem desvantagens. Isso não é apenas um salva-vidas para jogadores novatos; é uma ferramenta fundamental de experimentação. Você pode testar várias ações em um turno, ver as previsões de resultado e desfazer tudo para tentar uma abordagem diferente. Isso transforma cada turno em um puzzle complexo que você pode resolver à exaustão até encontrar a solução perfeita. É uma adição magnífica que tira a frustração do puro RNG e coloca o foco de volta no planejamento estratégico.

Quanto à históriaBossfight Tactics é minimalista. Não há uma narrativa profunda com reviravoltas e personagens carismáticos com nomes e lore extensos. A premissa é a sua jornada para se tornar o chefe final, um conceito que se sustenta puramente pela jogabilidade. O mundo e sua história são contados através da mecânica, não de diálogos ou cutscenes. Para alguns, isso pode ser uma falta; para outros, que preferem que a gameplay seja a estrela principal, é uma virtude.

Conclusão: Recomendado ou Não?

Se você é um fã de Into the Breach e procura algo que explore uma ideia similar de “puzzle tático” com uma roupagem totalmente nova e uma premissa meta fantástica, Bossfight Tactics é uma joia indispensável. No entanto, se você busca um RPG tático tradicional com histórias épicas e controle total sobre cada ação, a natureza caótica e aparentemente “inconveniente” das mecânicas pode ser um grande obstáculo. No fim das contas, é um jogo que aposta tudo na sua jogabilidade singular, e para aqueles que se conectarem com sua visão, a experiência é absolutamente viciante e recompensadora. Uma pérola indie que merece muita atenção.

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Apaixonado por games desde sempre, tive o prazer de acompanhar grande parte da evolução dos games. RPG, Ação, Aventura, FPS, etc jogo de tudo.

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