Se tem uma franquia que sabe fazer carnificina com estilo, é Killing Floor. Desde o primeiro jogo, a série prometeu (e entregou) uma experiência cooperativa frenética, repleta de zumbis grotescos, armas absurdamente satisfatórias e uma trilha sonora que acelerava o coração. Agora, com Killing Floor 3, a Tripwire Interactive tenta modernizar a fórmula, mas será que o jogo consegue manter a essência que fez seus antecessores brilharem? Vamos destrinchar.
Gráficos: Beleza Brutal, Mas Nem Sempre Consistente
Visualmente, Killing Floor 3 é um salto considerável em relação ao segundo jogo. Os cenários são mais detalhados, com iluminação dinâmica que cria atmosferas densas – especialmente em mapas como os esgotos abandonados ou laboratórios arruinados. O sistema de gore continua sendo um dos melhores do gênero: cabeças explodem em uma chuva de fragmentos ósseos, membros são arrancados com precisão cirúrgica, e os zeds (inimigos) sangram de maneira visceral.

No entanto, nem tudo são flores. Algumas animações, principalmente de recarga e movimentação, ainda parecem robóticas, quebrando um pouco a imersão. Além disso, enquanto os modelos dos zeds são bem-feitos, alguns efeitos de impacto (como tiros e golpes corpo a corpo) não transmitem aquele feedback carnudo que a série costumava ter. É bonito? Sim. Mas às vezes parece mais um tech demo do que uma evolução orgânica.
Sons: Eletrizante, Mas Repetitivo
A trilha sonora industrial e pesada sempre foi uma marca registrada de Killing Floor, e aqui não é diferente. As batidas aceleradas combinam com o caos das hordas, e cada mapa tem sua própria identidade musical. O problema? Diferente de KF2, onde as músicas pareciam se adaptar ao ritmo da batalha, aqui elas funcionam mais como um pano de fundo – e algumas faixas acabam se repetindo demais.
Os efeitos sonoros das armas são um ponto controverso. Enquanto algumas, como espingardas e fuzis, soam potentes, outras (principalmente as futuristas) parecem disparar BBs de plástico. Os zeds emitem grunhidos e rosnados assustadores, mas falta aquela variedade de vocalizações que tornava cada encontro imprevisível no passado.
Jogabilidade: Fluida, Mas Com Passos em Falso
O núcleo do jogo continua sólido: equipes de até seis jogadores enfrentam ondas de zeds em mapas semi-abertos, usando táticas de sobrevivência, upgrades e trabalho em equipe. A novidade mais significativa é o sistema de movimentação aprimorada – agora você pode deslizar, escalar e se esquivar com mais agilidade, o que adiciona uma camada tática interessante.

O sistema de perks (classes) foi expandido, com árvores de habilidades mais profundas e habilidades ativas exclusivas. No entanto, a decisão de vincular personagens a perks específicos foi recebida com críticas – felizmente, os desenvolvedores já anunciaram que vão reverter isso em uma atualização.
O combate em si é divertido, mas peca em alguns detalhes:
- Armas futuristas dominam o arsenal, e muitas delas não têm o mesmo impacto que as clássicas.
- Inimigos são resistentes demais, especialmente em dificuldades altas, o que pode tornar algumas partidas frustrantes.
- O sistema de modificação de armas é bem-vindo, mas ainda falta variedade em algumas categorias.
Ainda assim, quando o jogo acerta, ele acerta feio. Coordenar um zed time (o clássico slow-motion em momentos críticos) com a equipe e ver zeds voando em pedaços nunca deixa de ser satisfatório.
História (Ou Falta Dela)
Assim como seus predecessores, Killing Floor 3 não investe muito em narrativa. Existem alguns terminais espalhados pelo hub que dão pitadas de lore, mas nada que justifique uma campanha dedicada. O foco aqui é puro gameplay loop – sobreviver, melhorar, repetir. Se você esperava uma trama envolvente, vai sair decepcionado.

Veredito: Vale a Pena?
Killing Floor 3 é um jogo quase lá. Ele tem gráficos impressionantes, um combate fluido e momentos de puro caos cooperativo que funcionam muito bem. No entanto, pequenas decisões de design – como a limitação de perks, a falta de impacto em algumas armas e a ausência de certos elementos clássicos – impedem que ele atinja o mesmo patamar dos antecessores.
Recomendado? Se você é fã da série e está disposto a aceitar algumas mudanças controversas, sim – especialmente se jogar com amigos. Mas se você esperava um sucessor digno de KF2, talvez valha a pena esperar mais algumas atualizações.
A Tripwire já mostrou que está ouvindo o feedback da comunidade, então há esperança de que o jogo possa melhorar com o tempo. Por enquanto, é um divertido, mas imperfeito, festival de violência zumbi.
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